segunda-feira, 18 de maio de 2015

Seguindo onda do food truck, empresários apostam nas bikes para levar produtos aos clientes

Ali vai de tudo: suco, brigadeiro, bolo, café e outras delícias que você quiser

As irmãs e sócias na Cadê Meu Brigadeiro, Mônica e Fernanda Galan, viram a food bike em Portugal e, depois de uma Kombi adaptada para vender doces, customizaram uma bicicleta
Abrir um negócio com baixo investimento e pouco risco é o sonho de 10 entre 10 empreendedores. Um sonho que pode muito bem ser realizado. Depois da onda dos food trucks, que trouxeram charme e um toque gourmet para as comidas comercializadas nas ruas, é a vez de o food bike chegar à capital mineira. A novidade já virou mania em São Paulo, onde há bicicletas especialmente montadas para vender vinho, brigadeiro, hambúrger, café, sucos, chup-chups, bolos, cupcakes e o que mais vier à cabeça de quem tem um talento culinário e quer testá-lo sem correr grandes perigos (e investimentos). Em Belo Horizonte, a moda começou com a Kiwi Sucos e a Cadê Meu Brigadeiro. Mas a tendência é que se espalhe pela cidade. A novidade promete encher as ruas de charmosas bicicletas personalizadas para o comércio, emprestando um toque de colorido retrô à cidade.
O empresário Dimitri Oliveira, da Kiwi Sucos, conta que começou a pensar na possibilidade de abrir uma empresa de sucos em 2008, quando morava na China e conheceu uma rede de franquia de sucos integrais de alto padrão. Em 2012, já no Brasil, mais precisamente em Barbacena, na Zona da Mata, ele teve a ideia de montar uma food bike e pôs o veículo para rodar – e vender sucos – nas ruas da cidade. “No início foi complicado, porque as pessoas em Minas, principalmente no interior, olham para as novidades com desconfiança, mas depois, com o boca a boca, o mercado foi conquistado.” Em seguida, toda a logística foi transferida para a capital mineira, com uma loja na Avenida Contorno e uma franquia no Bairro Mangabeiras.



Oliveira explica que o público mais frequente de um empreendimento está a cerca de 100 metros de sua localização. E é essa área de influência primária que faz um negócio girar. Como forma de aumentar o raio de abrangência da Kiwi Sucos sem gastar muito dinheiro, a opção foi partir para a food bike. “Um café tem área de influência de 100 metros. No caso de uma Starbrucks (rede norte-americana de cafés), são três quilômetros. Já para a Disney, são 15 mil quilômetros. Usamos a food bike para expandir nossa área de influência, que hoje já chega a 1,5 quilômetro graças ao food truck e à food bike, que funcionam como unidades móveis, conquistando clientes que consomem os sucos das nossas lojas mesmo estando longe delas”, explica.

E a aposta deu certo. Em tempos de economia estagnada, o número de atendimentos avança 25% ao mês e a food bike já responde por 10% a 15% do faturamento da empresa. “A maior parte do público são mulheres entre 18 e 40 anos”, avisa o empresário. Além de percorrer diariamente rotas predeterminadas na região da Savassi e avenidas do Contorno e Afonso Pena, fazendo as vendas de “porta em porta”, a food bike da Kiwi também costuma ser contratada para eventos. Os sucos, que custam entre R$ 6 e R$ 8 – os sabores mais pedidos são detox, yakult com morango, abacaxi ou maçã e os funcionais, como os antioxidantes e supervitamina C – são levados num triciclo adaptado, com uma caixa refrigerada por placas de gel.

Mônica Drummond Galan, sócia do Cadê Meu Brigadeiro, que surgiu em forma de um food truck que fica estacionado em algumas ruas de BH, conforme roteiro divulgado diariamente no Facebook, viu na food bike uma saída para atender ao mercado de eventos, já que a Kombi dos brigadeiros não entra em qualquer lugar. A nova modalidade de negócios sobre rodas foi vista pelos proprietários pela primeira vez em Portugal e depois em São Paulo. “Achamos que a ideia era legal e conseguimos uma pessoa para fazer a bicicleta do jeito que imaginamos. Isso ocorreu há três meses e o investimento foi de R$ 8 mil”, diz. Agora, a food bike está presente em festas, casamentos, eventos empresariais e até em shoppings centers. “A participação no faturamento é pequena, mas essa modalidade de vendas é ótima para divulgar a Cadê Meu Brigadeiro. Não vai demorar e muita gente vai querer fazer igual, trabalhando com outros produtos”, acredita.

TRICICLOS ADAPTADOS Rodrigo Frade, gerente da Dream Bike em São Paulo, explica que a empresa produz triciclos adaptados para empresas há 17 anos, mas em setembro de 2014 a onda dos food trucks puxou a demanda pelas food bikes. “Quem vai trabalhar com venda de brigadeiro não precisa de um caminhão. Daí começou a surgir essa demanda e passamos a montar o padrão de triciclo. São três modelos e cada cliente customiza o seu, adequando o veículo às suas necessidades e adesivando”, explica. Cada triciclo custa R$ 3,1 mil. Segundo ele, na carretinha do veículo é possível montar uma vitrine. “Tenho clientes que trabalham em feiras de rua e também os que atendem às empresas que organizam eventos em pavilhões. A escolha depende dos produtos comercializados. Quem trabalha com café, por exemplo, tem muito mais chances de vender num centro de convenções”, observa.

“Além de funcionar como um resgate da tradição, as food bikes são mais uma inovação quando o assunto é comercializar comida, e têm tudo para substituir as antigas barraquinhas iluminadas por luzes coloridas em volta de uma praça”, afirma Mônica Alencar, analista da unidade de comércio, serviços e artesanato do Sebrae em Minas. Na opinião dela, a sofisticação chegou às ruas a bordo do food truck, que traz em seu bojo o conceito de inovação industrial por meio da oferta de novos equipamentos. “Agora, estão surgindo derivações, como a bicicleta”, observa. A novidade leva comodidade ao consumidor, que ganha de volta o conforto de comprar de porta em porta. “Em geral, esses prestadores de serviço conseguem fidelizar o cliente mais rápido, porque oferecem atendimento diferenciado”, analisa.
Veja fotos:
http://www.em.com.br/app/noticia/economia/2015/05/17/internas_economia,648475/seguindo-onda-do-food-truck-empresarios-apostam-nas-bikes-para-levar.shtml

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