segunda-feira, 6 de abril de 2015

Pelo caminho da fé sobre duas rodas

Grupo de amigos de Ribeirão Preto escolhe a Quaresma para ir até Aparecida do Norte de bicicleta


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Arquivo Pessoal
Os quatro amigos decidiram fazer o Caminho da Fé este ano de bicicleta
Seis dias de viagem, 580 km de subidas, descidas e trilhas em meio à mata, estradas de terra, asfalto, buracos. As bicicletas exigem manutenção para continuar. O corpo não pode parar. É preciso chegar. No fim, o cansaço é superado pela sensação de “Quero mais”.
Para um grupo de amigos de Ribeirão, Quaresma é mesmo tempo de reflexão. A penitência vem pelo Caminho da Fé. Eles garantem que o percurso é muito mais recompensa do que castigo. Saem daqui com destino a Aparecida do Norte – e sob duas rodas.
No caminho, param nas cidades credenciadas pelo programa para comer e dormir. Simplicidade e aconchego predominam. “É assim que tem de ser. Revemos nossos valores”, expõe o publicitário Franklin Machado Sant’Anna Filho.
É a quarta vez que ele faz o percurso. Em 2010, começou a andar de bicicleta com um grupo de amigos. Criaram o ATP (A Turma do Pedal), com reuniões aos sábados para pedaladas de 60 km.
Em 2011, Ronaldo Basso deu a ideia. No ano anterior, ele havia conhecido o caminho com um amigo. “Ele estava enfrentando um câncer, mas treinamos e deu certo”, conta. O empresário Anderson Vilela Barbosa também entrou na onda. “Não vamos buscando graças. Vamos agradecendo.”
O primeiro desafio foi em 2011. O grupo só parou em 2014, quando, por problemas pessoais, só Ronaldo foi. Sozinho e a pé.
Este ano, voltaram com fôlego total. Saíram de Ribeirão no último dia 21. “Escolhemos o período de Quaresma por ser época de reflexão”, Franklin explica.
Desta vez, foram acompanhados por um integrante especial. Marcelo Bossa, irmão de Ronaldo, viu no caminho a força para prosseguir na luta contra o álcool e as drogas. “Eu estava mais no álcool do que na vida”, conta. Alguns meses antes do convite para a pedalada, ele já buscava recuperação. “Foi um incentivo maior. A gente fica mais acordado para a vida”.
Começou a treinar e não achou tão difícil como parecia. “É melhor estar pedalando do que em um bar. A gente pensa na vida.”
A recuperação de Marcelo surtiu efeito no grupo. Eles querem que as próximas pedaladas pelo caminho tenham sempre um propósito. “Queremos pensar em uma forma de ajudar quem precisa. Fazer o caminho em prol de alguém”, ressalta Ronaldo.
Os quatro chegaram a Aparecida no dia 27. Tanto empenho tem explicação. “É que a gente já chegou com saudade. Com vontade de voltar”.
Arquivo Pessoal
Em Aparecida do Norte, receberam um diploma de participação
Percurso foi inspirado em Santiago de Compostela
O Caminho da Fé teve inspiração em Santiago de Compostela. Um dos criadores do projeto, Clóvis Tavares de Lima, conta que um amigo fez duas vezes o caminho espanhol e se encantou pelo projeto. 
 “Ele veio com a ideia de fazermos semelhante, principalmente porque somos um país de maioria católica e moramos relativamente perto de Aparecida do Norte”, explica. 
A morada do grupo é em Águas da Prata, onde a caminhada nasceu. Hoje, porém, existem cinco “ramais”, que são cidades em pontos extremos, de onde o peregrino pode iniciar o percurso. Não há regra, porém. Cada um começa de onde quiser. É possível seguir a pé ou de bicicleta. Trinta e duas cidades são cadastradas pelo programa, oferecendo serviços de pousada, restaurantes, entre outros. 
Não há data certa para o caminho. Cada um faz quando e como quiser. 
É possível retirar a credencial de participação em qualquer cidade cadastrada. Pelo caminho, o peregrino pode ir carimbando sua credencial nas cidades por onde passar. 
Desde 2003, quando foi inaugurado formalmente, 933 ribeirão-pretanos já realizaram o percurso.
http://www.jornalacidade.com.br/noticias/cidades/NOT,2,2,1049439,Pelo+caminho+da+fe+sobre+duas+rodas.aspx

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