sexta-feira, 20 de março de 2015

ALEMANHA DE BIKE. PEDALAR E CONHECER A HISTÓRIA

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Duramente bombardeadas na Segunda Guerra, Berlim, Potsdam e Dresden ainda agora estão sendo reconstruídas. Vibrantes, as três cidades alemãs são planas e escondem inúmeros tesouros históricos e culturais. Vale a pena desvendá-los de bike, numa aventura inesquecível
Por: Fabíola Musarra

Gosta de pedalar? O que acha de conhecer as cidades alemãs de Berlim, Potsdam e Dresden de bike? Maior cidade da Alemanha, Berlim cativa não só pelas atrações que abriga, mas também por sua fascinante história. Conhecê-la a bordo de uma bike é, sem dúvida, uma experiência única. Ainda mais nessa época do ano, quando o clima é agradável e suas sedutoras paisagens ficam ainda mais bonitas.
A metrópole é praticamente plana, o que facilita as pedaladas. Sem contar que as ciclovias em suas ruas mais importantes conduzem aos principais pontos turísticos da cidade. Se ficou interessado, uma dica: a Butterfield & Robinson disponibiliza um roteiro de bike para brasileiros. Com saídas de 15 a 20 de junho, ele começa na pulsante Berlim, de onde segue para Potsdam, Patrimônio Mundial da Unesco, e termina em Dresden.

A Porta de Brandenburgo, um dos símbolos de Berlim
A Porta de Brandenburgo, um dos símbolos de Berlim

Em Berlim – O Portão de Brandemburgo é o ponto de partida da viagem. Reconstruída no final do século 18 como um arco do triunfo neoclássico, a porta dava acesso à cidade séculos atrás, quando Berlim ainda era bem pequena e circundada por muro. Hoje, é o seu mais famoso cartão-postal.
O importante marco da capital fica na Pariser Platz, no bairro central Mitte. É dessa praça que você vai pedalar até Checkpoint Charlie, um antigo posto militar na fronteira entre Berlim Oriental e Ocidental. Durante a Guerra Fria, quando a cidade era dividida por um muro, o posto era usado só por membros das Forças Aliadas e diplomatas.

Grupo de ciclistas passeiam diante de trecho do Muro de Berlim
Grupo de ciclistas passeiam diante de trecho do Muro de Berlim

Atualmente, é um dos locais mais visitados pelos turistas. Afinal, quem não quer tirar uma foto ao lado da placa ali existente informando “You are leaving the American sector”?

Checkpoint Charlie, uma das portas entre Berlim Oriental e Berlim Ocidental, ainda está lá
Checkpoint Charlie, uma das portas entre Berlim Oriental e Berlim Ocidental, ainda está lá

Do posto, você e sua bike seguem até a Potsdamer Platz, importante ponto de interseção de tráfego no centro de Berlim, distante cerca de um quilômetro ao sul do Portão de BrandemburgoCom prédios modernos, a praça foi alvo de muitos bombardeios durante a Segunda Guerra. Reconstruída, agora é um vibrante centro de lazer, com salas de cinema, restaurantes e bares.
Como está a poucos quarteirões do Memorial do Holocausto, tente visitar esse lugar histórico. Inaugurado em 2005, é integrado por blocos de concreto cinza escuro e  de alturas variadas, distribuídos em fileiras paralelas. No subterrâneo há a sala chamada “Local da Informação”, onde uma exposição retrata a perseguição e o extermínio dos judeus.

O imenso Memorial do Holocausto, em Berlim
O imenso Memorial do Holocausto, em Berlim

Seu próximo destino é o Reichstag, a sede do Parlamento Federal alemão. Com dimensões monumentais, o prédio tem muita história para contar: foi de uma de suas janelas que, em 1918, o político Philipp Scheidemann proclamou a República na Alemanha. Em 1933, um incêndio em seu interior serviu de pretexto aos nazistas para iniciar a perseguição aos seus oponentes.
Seguindo pela Unter den Linden, você agora vai conhecer a Ilha dos Museus. No trajeto, repare que ao longo desta avenida que se estende da Pariser Platz até a Ponte Schlossbrücke encontram-se várias atrações, como a Ópera de Berlim, a Universidade Humboldt e os Kronprinzenpalais e Prinzessinnenpalais, respectivamente os palácios do Príncipe Herdeiro e da Princesa.
Ainda nesta avenida fica o Neue Wache, um prédio em estilo neoclássico onde funciona o Memorial Central da República Federal da Alemanha para as Vítimas da Guerra e da Tirania, e o prédio Zeughaus, que abriga o Museu Histórico Alemão.

A Schlossbrucke, ponte histórica em Berlim
A Schlossbrucke, ponte histórica em Berlim

Após a  Ponte Schlossbrücke, você dá de cara com a  Ilha dos Museus. Patrimônio Mundial da Unesco, o majestoso complexo é integrado pela Catedral de Berlim, em frente à Praça Lustgarten, além de cinco museus: o Antigo, o Novo, o Pergamon, a Galeria Nacional Antiga e o Bode.
À tarde, você embora de Berlim. Por isso, dê um jeito de fugir do grupo e vá conhecer outros concorridos points da cidade, como a Gendarmenmarkt, uma praça no centro onde ficam a Casa de Concertos e as catedrais Francesa e Alemã. Ao redor dela espalham-se muitas lojas e restaurantes, onde você pode almoçar e fazer compras.
Dê uma esticada até o Muro de Berlim. Programa obrigatório, ele ainda agora, quando mais de 25 anos já se passaram desde a sua queda, fascina as pessoas. Em alguns pontos da cidade, é possível ver trechos da extinta construção, como em East Side Gallery (entre a Ostbahnhof e a Ponte Oberbaumbrücke), onde pinturas de artistas do mundo todo revelam acontecimentos políticos ligados ao muro. 

Igreja de são Nicolau, em Potsdam
Igreja de são Nicolau, em Potsdam

Potsdam – Depois do almoço, você vai pedalar rumo a Grunewald, um emaranhado de floresta verde-escura, lagos e parques, com destino a Potsdam, onde vai passar os dois próximos dias. Rica em história e cultura, a cidade foi há três séculos a residência da Prússia, uma das mais suntuosas da Europa.
Os reis prussianos, especialmente Friedrich Wilhelm I e seu filho Friedrich II, ergueram diversas construções na cidade e ao seu redor, transformando-a num sonho barroco. Seus sucessores complementaram a paisagem com monumentos do classicismo.
Todo esse conjunto de Potsdam foi declarado Patrimônio da Unesco em 1990. Inicialmente integrado pelos os Jardins de Sanssouci, Neuer Garten, Babelsberg, Glienicke e a Ilha Pfaueninsel com seus castelos, foi ampliado em 1992, com a incorporação do castelo e parque de Sacrow e da Igreja Heilandskirche. 
Jardins do Palácio, em Potsdam
Jardins do Palácio, em Potsdam

Em 1999, a lista ganhou mais 14 monumentos, entre eles o castelo e parque de Lindstedt, a Colônia Russa Alexandrowka, o belvedere sobre a colina de Pfingstberg, a Estação Kaiserbahnhof e o observatório no Parque Babelsberger. Hoje, o patrimônio mundial abrange cerca de 500 hectares de parques e inclui 150 edificações do período entre 1730 e 1916.
Em sua estadia em Potsdam, você vai visitar alguns deles, como o palácio e os jardins do Palácio Sanssouci, a antiga residência de Frederico II, um refúgio onde o rei podia aprofundar seus conhecimentos em filosofia e artes sem as pressões da monarquia.
Depois do palácio, você sua bike prosseguem por caminhos planos do majestoso parque e seus pavilhões. O almoço é na Fazenda Meierei, no parque Neuer Garten, onde deliciosas cervejas são produzidas.

O simpático Kongresshotel, em Potsdam
O simpático Kongresshotel, em Potsdam

A viagem segue pelo interior da floresta até o hotel, com tempo para relaxar antes de seguir pedalando rumo ao centro de Potsdam. Como o tempo é curto, procure explorar o lugar o máximo possível. Comece a caminhada na Alter Markt. Ali, no antigo estábulo Kutschstall, hoje funciona a Casa da História de Brandemburgo e Prússia. A praça vizinha, Luisenplatz, liga a barroca Rua Brandenburger Straße ao bulevar que leva à entrada do Parque Sanssouci.
No centro da Marktplatz há um obelisco de 16 m de altura com retratos de grandes arquitetos de Potsdam. Atrás dessa praça fica o Neuer Markt, o novo mercado. Construída nos séculos 17 e 18, é uma das praças barrocas mais bem conservadas da Europa.
O centro antigo de Potsdam também acolhe três antigas e lindas portas: a de Brandemburgo, a Jägertor e a Nauener Tor. É através desta última que você chega ao Holländisches Viertel, o charmoso bairro dos holandeses, com seus caprichados pátios internos, cafés, bares e galerias de arte.
Se a sua agenda permitir, embarque em um dos antigos barcos a vapor da Weiße Flotte (a rota Branca). Ali são oferecidos diversos passeios, desde cruzar as águas da cidade até o que conduz a Glienicker Brücke, a ponte que liga Potsdam a Berlim e sobre a qual era feita a troca de espiões e agentes secretos entre o lado ocidental e o lado oriental até os anos de 1980.
 Os bike-bars, com cerveja, refrigerqnte e snacks, fazem ponto ao longo dos roteiros dos ciclistas
Os bike-bars, com cerveja, refrigerqnte e snacks, fazem ponto ao longo dos roteiros dos ciclistas

Também não deixe de conhecer Babelsberg, uma das mais antigas metrópoles cinematográficas da Europa – ali foram produzidos mais de três mil filmes para o cinema e a televisão. Entre março e outubro, o local abre suas portas aos turistas.
Pela manhã, você segue em direção à borda ocidental da Floresta Spree. As incessantes mudanças da paisagem vão se revezar no trajeto até revelar um campo pontilhado por bosques e pequenos rios prateados, um local perfeito para um piquenique.
Na hora de voltar a Potsdam, você tem duas opções: pedalar pelo caminho mais longo percorrendo a reserva Spreewald, ou seguir pela rota mais curta, indo direto para o hotel, com tempo livre para desfrutar do SPA ou passear pelas ruas de Potsdam. Lembre-se que elas guardam inúmeros tesouros.

O castelo Albrechtsburg
O castelo Albrechtsburg

Saxônia – É chegada a hora de se despedir da bucólica Potsdam. A saída em direção ao sudoeste tem como destino o Vale do Elba, na Saxônia, tradicional região produtora de vinhos. Tem, inclusive, uma rota turística privilegiando seus bonitos vinhedos.
O percurso sob duas rodas é feito em uma ciclovia plana que se estende ao longo das margens do Rio Elba, com parada em Meissen, onde o Castelo Albrechtsburg impera soberano.
Pode acreditar, essa construção de estilo gótico merece a visita. Além da visão panorâmica que proporciona do Elba, é considerado o primeiro castelo construído no país e abriga museus e coleções, como a de porcelana.
Berço da Saxônia, a cidade de belíssima arquitetura é repleta de encantos, como a catedral gótica de Meissen, de torres desiguais: as ocidentais só foram concluídas entre 1904 e 1908. Já a torre oriental data dos séculos 14 e 15. 

Uma schack, casa de campo típica da Saxônia, toda feita em madeira
Uma schack, casa de campo típica da Saxônia, toda feita em madeira

Ao circular pela cidade, repare também no conjunto de sinos de porcelana na torre da igreja gótica Frauenkirche, cujo som encanta a todos desde 1929. Já na Igreja Nikolaikirche encontram-se as maiores figuras produzidas em porcelana de Meissen.
Não é à toa que você vai ouvir falar muito dessas delicadas peças por aqui – a cidade é sede da fábrica que é internacionalmente famosa pela produção da porcelana Meissen.

Área do centro histórico de Dresden
Área do centro histórico de Dresden

Dresden – Capital da Saxônia, Dresden é a parada seguinte. Em uma ciclovia plana, você vai pedalar pelo coração dessa graciosa cidade da Alemanha, agora reconstruída dos tempos de guerra.
A maioria de seus monumentos foi erguida nos séculos 17 e 18, pelo príncipe Augusto, o Forte, como o Palácio Zwinger e as igrejas de Frauenkirche e Hofkirche. Durante a Segunda Guerra, muitos deles formam danificados – alguns foram reerguidos, outros sumiram para sempre.
Desde a reunificação alemã, Dresden é intensamente reconstruída, restaurada e transformada. Efervescente, abriga a Ópera Semper, diversas as galerias de arte e museus – o da Abóbada Verde e o histórico Deutsches Hygienemuseum são alguns deles.
À noite, os fervilhantes barzinhos do bairro Neustadt, na cidade nova, são invadidos por dezenas de universitários. Já o centro antigo da cidade é palco de festivais de cinema, dança e música, atraindo pessoas de diferentes nacionalidades.

Encontro com cervo selvagem em estrada na Saxônia
Encontro com cervo selvagem em estrada na Saxônia 
Apesar de ainda estar sendo reconstruída, Dresden faz jus ao título de Florença do Elba, pelo grande conjunto de belezas artísticas e naturais que concentra. Seus floridos parques são um convite para as caminhadas, enquanto as ciclovias ao longo do Rio Elba também servem de palco para corridas e para a prática de skate.
Ainda em Dresden, você e sua bike vão partir do centro da cidade, seguindo o caminho para Elba ao longo o rio. Se preferir, pode ir pela a Suíça da Saxônia, a Sächsische Schweiz, uma extensa reserva natural que se estende até a fronteira tcheca. 
Uma das muitas cervejarias na rota das bicicletas, nas cercanias de Dresden
Uma das muitas cervejarias na rota das bicicletas, nas cercanias de Dresden
 Como companhia terá fascinantes paisagens ora tingidas por pitorescas formações rochosas de arenito, penhascos e cavernas, ora por ravinas profundas. O passeio segue ao longo da costa, onde acontece uma travessia de balsa. No retorno a Dresden, a aventura é coroada com um jantar de despedida.
Depois de seis dias, o sonho chega ao fim. Se não tiver de fazer o check-out no hotel, aproveite para explorar mais a burburante Dresden. Auf Wiedersehen!
http://www.brasil247.com/pt/247/revista_oasis/173586/Alemanha-de-bike-Pedalar-e-conhecer-a-hist%C3%B3ria.htm

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