segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Repórter testa sistema de bicicletas e vivencia mudança na rotina da cidade

De acordo com o Bicicletar, mais de 11 mil viagens foram realizadas em pouco mais de 15 dias em Fortaleza. Repórter pedala por 1h30 e encontra hábitos diferentes

Por Fortaleza, CE
Pedalar para fugir do engarrafamento, para exercitar o corpo, ir ao trabalho, paquerar, ver a cidade de outra forma. Por lazer, esporte ou saúde. São diversos os motivos que levam o fortalezense a sair de casa, ir a uma das 15 estações de bicicletas compartilhadas instaladas em dezembro na Regional II, um dos espaços mais abastados da cidade, e experimentar a novidade. Segundo o site do sistema, mais de 11 mil viagens foram realizadas em pouco mais de 15 dias desde a instalação. 
 
Com o Bilhete Único (que permite integração para o usuário de transporte coletivo), o uso é gratuito. Sem ele, o maior entrave relatado por outros habitantes é a necessidade do cartão de crédito para pagar o roteiro, além de internet ou smartphone com o aplicativo Bicicletar para iniciar cada trajeto. Mas fazer o cadastro, o pagamento, a opção por cada bicicleta nas estações é simples. 
A utilização custa R$ 5 (passe diário), R$ 10 (mensal) e R$ 60 (anual). Em caso de dúvida, sempre há outro ciclista para ajudar, como no início do nosso teste das bicicletas compartilhadas, no último sábado de 2014, partindo da estação 6, localizada na esquina das avenidas Dom Luís e Virgílio Távora. O publicitário Felipe Vecchio, de 28 anos, que utilizava o sistema pelo terceiro dia seguido, tirou as dúvidas iniciais. De acordo com a assessoria da Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos, orientadores auxiliaram os usuários nas estações espalhadas pela Regional II nas duas primeiras semanas, até a sexta-feira (26), um dia antes do nosso passeio.
- É bem prático, as bicicletas funcionam bem, o sistema é rápido, não tive problemas ainda. É uma forma de você se livrar um pouco da dependência do carro. Você percebe que a noção de distância muda muito. Na bicicleta, é tudo mais rápido. Eu acho que, aos poucos, os motoristas de carro vão se acostumar e vão respeitar mais. Você percebe que as pessoas já têm um pouco mais de cautela ao virarem em uma rua, ao passarem do seu lado, estou gostando bastante - contra Felipe, que pedalava rumo à avenida Santos Dumont, acompanhado de um amigo e de uma amiga. 
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PRÓXIMA ESTAÇÃO: BEIRA MAR
Bicicletas compartilhadas, Fortaleza  (Foto: Sebastião Mota)Ciclistas ajudam nas primeiras dúvidas, na estação 6 (Foto: Sebastião Mota)
Escolhi a bicicleta 8, ajustei a cela, parti pontualmente às 10h10 pela ciclofaixa da Dom Luís. Como relatou o publicitário, nenhuma imprudência registrada no percurso, pelos inúmeros motoristas que passavam no asfalto. A travessia pela Praça Portugal foi tranquila, embora o fluxo de carros fosse intenso. Entre a avenida Desembargador Moreira e a rua Joaquim Nabuco, onde fica a estação 8, aprovei a sensação de ultrapassar todos os veículos parados no congestionamento matinal. Trafegar com liberdade. 

Com tempo sobrando, já que o usuário tem uma hora para trocar de bicicleta nas estações (nos domingos e feriados o prazo é de 1h30), não foi necessária a permuta na estação 8. O próximo passo seria chegar à avenida Beira Mar. Na rua Tibúrcio Cavalcante, na ausência de ciclofaixa, existe um traçado imitando uma. Foi por esse espaço que cheguei à rua Ana Bilhar, que possui faixa exclusiva para ciclistas. 
Pela primeira vez no trajeto, o desrespeito de um motorista, que avançou a ciclofaixa para dobrar à direta na avenida Barão de Studart. Em todo o percurso, a reportagem não constatou fiscalização da Agentes da Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços Públicos e de Cidadania de Fortaleza (AMC). 
Pela rua Carlos Vasconcelos, também com faixa exclusiva, alcancei a Beira Mar. Não sem antes ser interrogada por fortalezenses nas calçadas sobre como utilizar o sistema. Nem todos estão ainda familiarizados sobre o cadastro, o pagamento, as estações... Após responder algumas perguntas de pedestres, cheguei à orla da cidade 50 minutos após deixar a primeira estação. 
Bicicletas compartilhadas, Fortaleza  (Foto: Sebastião Mota)Bicicletas compartilhadas, Fortaleza (Foto: Sebastião Mota)





- Estou achando bom, porque isso está motivando a gente. Na verdade, eu sempre vinha a pé, correndo, mas com esse sistema de bicicleta compartilhada nos dá mais vontade de ir. A gente pega perto de casa, depois deixa em outra estação, ficamos despreocupados - conta Djalma Mendes, analista de sistemas, que também passeava pela Beira Mar.
- É importantes para o lazer, para as famílias pegarem (a bicicleta), e para o esporte. Pode pegar, andar à vontade pela Beira Mar, pelas ruas - completa a estudante Rebeca Mendes, filha de Djalma.
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ÚLTIMA PARADA E RESPOSTA DA AMC
Após trocar de bicicleta, 15 minutos depois de deixar na nova estação, segui para o Aterrinho da Praia de Iracema, onde terminou o meu roteiro. Na chegada, Marcos Moura, vendedor de passeios turísticos, de 36 anos, demonstra vontade de também estar na nova rotina de parte da cidade. 
Bicicletas compartilhadas, Fortaleza  (Foto: Sebastião Mota)Três estações em cerca de 1h30: saga para testar sistema de bicicletas (Foto: Sebastião Mota)
- O projeto é excelente. Só devia facilitar para o cadastro, porque nem todas as pessoas vão ter cartão de crédito. Mas, para quem quer fazer exercício físico todos os dias, isso vai incentivar. Quero fazer o meu cadastro para, todos os dias, pegar a bicicleta e fazer exercício - confessa. 
As estações da Regional II funcionam diariamente de 5 horas às 23h59min para retirada das bicicletas. 
Em nota, a assessoria de comunicação da AMC esclareceu que a fiscalização para coibir o tráfego irregular dos demais veículos sobre as ciclofaixas é realizada através de rotas volantes que percorrem todos os espaços de circulação exclusiva de bicicletas nas áreas da Aldeota e do Meireles. O órgão acrescentou, no entanto, que está elaborando um plano de reforço na fiscalização em que os agentes de trânsito atuarão equipados com bicicleta.

- O agente sobre a bicicleta terá outra visão do trânsito e poderá entender melhor as dificuldades enfrentadas pelos ciclistas, coletar informações quanto às condições das ciclofaixas e coibir, principalmente, o desrespeito - completou a nota da AMC. 
Fonte:http://globoesporte.globo.com/ce/noticia/2015/01/reporter-testa-sistema-de-bicicletas-e-vivencia-mudanca-na-rotina-da-cidade.html

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