sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Ciclista que percorreu quase 4 mil km de Rondônia a SP nos anos 70 é relembrado

Segundo ele, a parte mais difícil da viagem foi a passagem por rodovias federais que ...



Apesar do recente "boom" na criação de ciclovias e na venda de bicicletas no Brasil, não é de hoje que as magrelas são a opção de transporte número um para quem quer passar pelos lugares e também conhecê-los com mais profundidade. O "Notícias Populares" cobriu diversas viagens extraordinárias de ciclistas pelo nosso país e pela América ou Europa, e destacamos algumas que divertiram os leitores e renderam milhares de pedaladas.

Em maio de 1974, o jornal trouxe a história do baiano que já estava há três anos na estrada com sua bike, percorrendo, sozinho, vários Estados do Brasil e países da América do Sul. Oswaldo, 28, trabalhava como entregador de pão na Bahia e resolveu largar tudo e sair pedalando, primeiro para Goiás e depois para o Rio Grande do Sul.

Atravessou a fronteira e passou por Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile. A redação do "NP" o encontrou no Rio de Janeiro, de onde Oswaldo planejava seu regresso a Salvador - "mas, antes disso, quer dar uma chegadinha a Foz do Iguaçu", no Paraná. Durante todo esse rajeto, contou com a solidariedade da população para se alimentar e encontrar abrigo. Numa época em que ter câmeras não era comum, Oswaldo levava de volta apenas recortes de jornais documentando sua aventura.

João de Deus, 30, foi outro destemido ciclista que apareceu em reportagem de outubro de 1979 revelando sua incrível viagem de Rondônia a São Paulo. Foram quase 4 mil quilômetros em apenas 28 dias, numa média de 120 a 150 km (ou cerca de dez horas) por dia. João deixara Porto Velho em setembro em sua bicicleta de dez marchas.

Estudante gaúcho pedalou mais de 6.000 km de Porto Alegre a Manaus para documentar os diferentes estilos de vida dos brasileiros.

Segundo ele, a parte mais difícil da viagem foi a passagem por rodovias federais que, àquele tempo, ainda tinham longos trechos de terra.

Chegando à capital paulista, já não tinha nem um centavo sobrando e contou à reportagem que não sabia como iria voltar para Rondônia. Era um problema grave, pois, casado e com seis filhos, tinha que retomar o emprego de motorista em Porto Velho o quanto antes.


Emprego e dinheiro não foram preocupação para Luís Gustavo, universitário gaúcho que percorreu cerca de 6.800 km de Porto Alegre a Manaus em uma Monark. "A principal finalidade de minha viagem foi fazer um documentário sobre a vida rural, alimentação, saúde e tipos característicos de cada região do Brasil", disse o rapaz, estudante de Comunicação, em entrevista publicada em 24 de abril de 1980 no "NP".

Ele saíra de Porto Alegre em janeiro com um colega, mas este desistiu ainda em Cáceres (MT). Sozinho, Luís Gustavo enfrentou dificuldades no trajeto, como estradas difíceis de trafegar na época das chuvas e animais selvagens. Segundo ele, precisou até dormir em árvores para se proteger das onças.

Em 7 de setembro de 1980, o "NP" trouxe a história de um pintor argentino que se aventurou com sua bicicleta pelos países da América Latina Em 7 de setembro de 1980, o "NP" trouxe a história de um pintor de paredes argentino que se aventurou com sua bicicleta pelos países da América Latina.

Situações difíceis eram o pano de fundo de viagens pela América Latina no final dos anos 1970 e início dos anos 1980, como contou ao "Notícias Populares", em setembro de 1980, o argentino Pedro Alejandro. Há um ano ele pedalava pelos países sul-americanos e testemunhou tiroteios e carnificina em países como a Bolívia, que em julho passara por um golpe de estado promovido pelo general Luís García Meza.

Pedro saíra de sua casa em Chivilcoy, na província de Buenos Aires, e tinha como meta passar por todos os países da América do Sul. À época da publicação da reportagem, estava em São Paulo, de onde seguiria para Paraguai e Uruguai. Pintor de paredes, Pedro disse ao "NP" que saíra com pouco dinheiro e que, como outros aventureiros, contou com a boa vontade das pessoas para conseguir alimentação e hospedagem a custos baixos ou nulos. Na bagagem, ia juntando recortes de jornais e as bandeiras dos países por onde passara.
http://www.rondoniadinamica.com/arquivo/ciclista-que-percorreu-quase-4-mil-km-de-rondonia-a-sp-nos-anos-70-e-relembrado-,86194.shtml

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