segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Ciclistas desrespeitam Código de Trânsito, mas falta regulamento para punir

Por falta de regulamentação, irregularidades cometidas com muita frequência por alguns ciclistas ficam impune

O DIA
Rio - Sensação de liberdade. Sentir o vento e escutar o movimento da correia em ritmo cada vez mais acelerado. Andar de bicicleta no Rio é também uma boa opção para fugir do trânsito. No entanto, o meio de transporte requer normas para os ciclistas. Circulando pela cidade, em poucos minutos a reportagem registrou inúmeras irregularidades cometidas sobre duas rodas. 
Sem precisar pedalar, só no embalo, a estudante Carolina Resende, de 23 anos, descia ladeira da Rua Santo Amaro, no Catete, ouvindo música nos fones de ouvido. Mas, ao chegar à Rua do Catete, ela preferiu seguir pela calçada, o que é considerado irregular segundo o Código de Trânsito Brasileiro. “Eu tenho medo de andar na rua. Os carros não respeitam, tenho amigos que já foram atropelados.” 
Ciclista circula pela contramão na Rua do Catete: regras previstas para o transporte não são cumpridas por todos
Foto:  Carlo Wrede / Agência O Dia
Não à toa, acidentes são comuns por ali. Dona de um brechó na rua, Edileuza Nunes, de 52 anos, já flagrou situações perigosas: “Outro dia um senhor estava atravessando a rua, veio uma bicicleta de um lado e outra na contramão, ele se machucou bastante.” 
Ciclistas pilotando pela calçada, andando pela rua na contramão, ignorando o sinal vermelho e a faixa de pedestres foram apenas algumas das infrações flagradas em cerca de 15 minutos de observação na Avenida Mem de Sá, na Lapa. Quando as calçadas estão cheias, acidentes são frequentes.“É um problema crônico. Eles vêm muito rápido, como se a rua fosse deles, e a gente desvia ou é atropelado. Sem contar aqueles triciclos de carga que ocupam a rua inteira”, disse o corretor Sergio Soares, de 43 anos. 
Não é só apenas na calçada e no asfalto que existe desrespeito. Na ciclovia da Lagoa, faixas avisam que a prioridade é dos pedestres, porém o alerta é ignorado. Nos pontos de curva na pista, com frequência as bicicletas deixam para desviar quando já estão coladas nos pedestres, sem diminuir a velocidade. “Eles não conhecem as regras e ainda acham que estão com razão. É questão de educação”, pondera a estudante Beatriz Reis, 23 anos. 
Presidente da Federação de Ciclismo do Estado do Rio de Janeiro, Claudio Santos ressaltou que o ciclista deve cumprir com suas obrigações, mas lembrou os perigos que levam os ciclistas para as calçadas. “O ciclista tem sua responsabilidade. Ele precisa saber seus direitos e deveres para que ninguém fique em risco, até eles próprios”, disse. “Este fim de semana um amigo estava andando corretamente e morreu atropelado por um carro. A falta de respeito dos motoristas cria um medo, e o ciclista vai erradamente pra calçada, porque prefere andar na contramão a correr risco de vida.” 
Na Avenida Mem de Sá, na Lapa, acidentes provocados por bicicletas e triciclos de carga são frequentes nos horários de maior movimentação
Foto:  Carlo Wrede / Agência O Dia
Em nota, a Guarda Municipal afirmou que não pode punir os infratores. “Como não há regulamentação específica em relação às penalizações do uso de bicicletas no Código de Trânsito Brasileiro, os guardas atuam na conscientização e orientação dos ciclistas em relação ao respeito das normas de circulação e também nos cuidados com a segurança”, diz o texto.
Falta de ciclovias e de fiscalização aumenta problema
Segundo a prefeitura, no último mês de outubro o Rio alcançou 380 quilômetros de ciclovias, tornando-se a cidade com maior malha cicloviária da América Latina. A previsão é que este número passe para 450 quilômetros até 2016. Porém, os ciclistas ouvidos pela reportagem afirmam que a malha ainda não é suficiente.
“Se você perguntar para qualquer ciclista que utiliza a bicicleta para percursos mais longos, ele vai te dizer que não é suficiente. Principalmente nas regiões mais pobres da cidade, que é onde mais deveria ter. A gente acaba tendo que se arriscar”, disse o professor de Educação Física Alberto Neves, de 40 anos.
Além de concordar com falta de ciclovias, o presidente da Federação de Ciclismo do Estado do Rio de Janeiro, Claudio Santos, disse que faltam iniciativas do governo para conscientizar os ciclistas da cidade. “A gente tenta todos os anos levar às pessoas panfletos com as normas de conduta em muitos eventos, mas falta um pouco mais dos governos para nos ajudar”, disse. “Além disso, faltam fiscalização e punição. Se você não pune o infrator, ele vai continuar fazendo errado mesmo sabendo que aquilo é uma infração.”
Reportagem de Lucas Gayoso 
http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2014-12-06/ciclistas-desrespeitam-codigo-de-transito-mas-falta-regulamento-para-punir.html

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