segunda-feira, 3 de novembro de 2014

13 DICAS PARA PEDALAR NUMA CIDADE GRANDE

THIAGO SIEVERS, 28 OUT 2014
É absolutamente possível andar de bicicleta nas ruas, mas para isso você precisa de algumas atenções básicas.
Não tenha medo, mas lembre-se de ter cuidado
Mais uma morte de ciclista na conta de São Paulo, mais especificamente da Avenida Paulista. Foi na tarde de segunda, dia 27, quando um bike courrier (profissionais que fazem entrega de bicicleta) furou o farol vermelho e foi atropelado por um ônibus.
Apesar de haver todo um movimento para que as grandes cidades se tornem “bicycle-friendly” – ou seja, amigas das bicicletas -, ainda vemos essas coisas acontecerem.
E hoje não entraremos nos méritos de quem foi a culpa, pois temos outra proposta: encorajar você a pedalar nas ruas da sua cidade, a usar a bicicleta como um meio de transporte.
Depois de um acontecimento desse, pode até parecer que estamos sendo imprudentes com a proposta – mas não é bem assim. Fatalidades acontecem com as bicicletas como acontecem com outros veículos e com pedestres.
Na verdade, como estamos cansados de ver, ouvir e refletir, a bicicleta é uma das (talvez “a”) grande solução para o transporte caótico das grande cidades.
O problema é que em locais como São Paulo inúmeros obstáculos se opõem à ideia da adoção da magrela pelos cidadãos: o trânsito alucinante, os motoristas desrespeitosos, o tamanho da cidade, o desnível das ruas, a falta de qualidade do asfalto e por aí vai.
Acontece que podemos vê-los como obstáculos a serem ultrapassados ou desculpas para ficarmos na inércia.
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O ponto positivo é que aos poucos essa realidade tem mudado. E graças aos esforços heroicos dos cicloativistas.
Há seis anos, quando comecei a pedalar, a situação era bastante diferente. Não se falava muito em bicicleta, os motoristas não tinham muita paciência com ciclistas (sim, menos do que hoje) e as ciclovias existiam em quantidade muito inferior do que contabilizamos atualmente.
Para que as coisas mudem e o cenário se faça favorável aos ciclistas, as pessoas precisam começar a pedalar (o que já está acontecendo). Foi assim na Dinamarca, país de uma das cidades mais bem sucedidas quando o assunto é bicicleta no trânsito: Copenhague.
Com a crise do petróleo em 1973, os cidadãos começaram a exigir outras opções para o trânsito na capital. Foi essa movimentação popular a responsável por fazer com que hoje a cidade seja conhecida como referência mundial no uso de bicicletas como meio de transporte.
E isso não traz benefícios somente para quem usufrui das ciclovias – a economia também sai ganhando. As contas da prefeitura de Copenhague concluíram que a cada quilômetro pedalado a cidade lucra US$ 0,42, e que a cada quilômetro que um carro roda ela perde US$ 0,20.
Ou seja, para que as coisas mudem não tem jeito: temos que ir para a rua com a magrela.
ESCOLHENDO A BIKE
O primeiro passo, é claro, é comprar uma bicicleta. Nunca faça isso sem testá-la antes – é muito importante que você se sinta confortável para pedalar.
Existem diferentes tamanhos de bicicleta. Cuidado para não comprar uma muito grande ou muito pequena para o seu porte – isso pode lhe causar dores desagradáveis (para saber como encontrar as dimensões ideais visite este link).
Numa cidade como São Paulo é interessante que a bicicleta tenha suspensão dianteira por conta da irregularidade do asfalto. A traseira não é necessária, porque esse recurso vai diminuir a tração das suas pedaladas nas subidas.
Hoje temos como opção as bicicletas híbridas, que são veículos voltados para as pedaladas urbanas, com características específicas para quem quer encarar a cidade cotidianamente.
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Agora, preste atenção: a não ser que você saiba o que esteja fazendo, não compre bicicletas do modelo speed (aquelas que têm os pneus bem finos), pois é uma bicicleta de alta velocidade e andar rápido em São Paulo não é uma boa ideia.
Além do mais, ela não absorve impacto e qualquer buraco no chão pode te render um buraco entre os dentes.
OS ACESSÓRIOS
Depois disso, você deve equipar a bicicleta. Alguns acessórios são indispensáveis para qualquer um que quer andar de bike.
São eles: capacete, luz traseira e dianteira, campainha, cadeado, bomba de ar, câmara, um par de espátulas e, se possível, um colete fluorescente que ajuda muito na visibilidade à noite.
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Ah, homens, comprem selim que tenha um furo no meio – isso pode evitar problemas de virilidade.
Outros apetrechos também são interessantes e bem úteis, como as bolsinhas (tanto as de selim quanto as de quadro), aparelhos eletrônicos (que medem velocidade, quilometragem, calorias), bagageiro e alforges (se você pretende carregar muitos pertences na bicicleta), garrafa de água e roupa impermeável.
Quanto ao uso de sapatilhas (aqueles tênis que prendem no pedal), eu, particularmente, não recomendo. Nunca usei esse equipamento, mas ele te deixa conectado com a bicicleta, o que faz com que o nível de gravidade das quedas aumentem.
Ademais, sapatilhas é para rendimento, e o foco para quem quer pedalar numa cidade grande não é esse, mas segurança.
AS DICAS
Se você tem dúvidas se andar de bicicleta em cidades grandes é possível sem correr grandes riscos, eu digo com segurança que sim. Sem não sem riscos, com os mesmos riscos que quem se locomove de outra forma corre. Se existe prudência por parte do ciclista, as chances de acidente são bem pequenas.
Digo isso por experiência própria. Nunca passei por uma situação que ameaçasse minha vida. O máximo que aconteceu foram dois esbarrões de espelhinhos de carro em meu guidão.
Agora, uma coisa é essencial: ter domínio da bicicleta. É preciso que você saiba pedalar bem para se jogar numa cidade grande. Sem a devida intimidade, você não terá a segurança necessária para suportar algumas situações que acontecem, como, por exemplo, um carro que passa muito perto.
Mas essa é uma possibilidade real para todos. Basta dedicar um tempo de treino, caso você ainda esteja aprendendo a pedalar.
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Agora fique com 13 dicas básicas para se preparar para ser mais um ciclista do cotidiano.
  1. Se você não tem intimidade com a bicicleta, treine bastante até adquirir.
  2. Comece a pedalar aos domingos – são dias mais tranquilos que te proporcionarão o ambiente perfeito para começar a pegar intimidade com o asfalto.
  3. Progrida com calma. Depois desse primeiro passo não pegue uma Avenida Santo Amaro direto. Comece por lugares mais tranquilos e conforme a confiança aumente explore outras possibilidades.
  4. Pedale do lado direito da rua. Não transite dentro de túneis – é perigoso e ilegal.
  5. Nunca ande de bicicleta ouvindo música. A audição é extremamente necessária para você saber o que acontece ao seu redor.
  6. Quando o trânsito estiver parado e a sarjeta for a única opção, ande com muito cuidado por ela se não quiser levar uma portada na cara.
  7. Mantenha a bicicleta sempre bem regulada, principalmente os freios.
  8. Ande concentrado na sua função e com tranquilidade. Não fique preocupado com quem vem atrás, pois isso pode te afobar e desconcentrar. Se buzinarem para você não se desespere: você está nos seus direitos e não há necessidade de agradar ninguém.
  9. Ocupe um espaço suficiente da faixa que obrigue o motorista a mudar de faixa para ultrapassá-lo. Se você não fizer isso, os caras vão tentar te ultrapassar na mesma faixa e se aproximarão muito da sua bicicleta.
  10. Saia com antecedência de casa para não ter que pedalar com pressa – algo terrível para quem está numa bike.
  11. Respeite a sinalização de trânsito: não atravesse no farol vermelho; não ande na contramão; se a sua coordenação permitir, dê sinal antes de fazer conversões. Bicicleta é um veículo. Para cobrar pelos seus direitos é necessário que se cumpra com os seus deveres.
  12. Aprenda a trocar a câmara, assim, se ela furar no meio da pedalada você não vai ficar na mão.
  13. Em dias de chuva, dobre a atenção e cuidado com o piso escorregadio.
Ouça todas essas dicas e fique tranquilo com o resto. A maneira mais segura de andar de bicicleta é cumprir com a sua parte. Pode acreditar: grande parte dos acidentes que envolvem ciclistas acontece por displicência deles.
Nada de direção agressiva ou ousadia. Lembre-se: a bicicleta é um veículo vulnerável.
Agora vá, hombre, vá e pedale: é barato, divertido, sustentável e de quebra você entra em forma.
fonte http://www.elhombre.com.br/13-dicas-para-andar-de-bicicleta-em-sao-paulo/

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