segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Uma cidade modelada para as bicicletas

A bicicleta catalisa mudanças no tecido urbano. Em São Paulo ou Fortaleza, o espaço é modificado para receber esse modal
SARA MAIA
O publicitário Yuri Pezeta abraçou a bicicleta como opção no deslocamento diário em Fortaleza
Numa época em que a gramática urbana é essencialmente a da imobilidade e estar parado no trânsito, o símbolo da agonia urbana, as bicicletas vão aos poucos forçando um redesenho do espaço. É por meio dos pedais que, ainda lentamente, as metrópoles repensam a lógica do deslocamento. 

Diretor da Associação dos Ciclistas Urbanos de Fortaleza (Ciclovida), Lucas Landim observa que pequenas mas significativas mudanças começam a ser percebidas em Fortaleza. Nelas, diz Landim, a bicicleta funciona como agente catalisador. Para ele, isso é uma das maneiras de religar os indivíduos à cidade.

“A população está começando a perceber que nem sempre andar de carro é a melhor opção”, explica. A zona de conforto, todavia, ainda é ponto de conflito entre as pessoas que querem aderir à bicicleta, mas temem a insegurança ou falta de ciclovias ou ciclofaixas adequadas. “Hoje estamos dentro de uma bolha. Porque você sai de casa já dentro do carro, chega ao trabalho, desce, vai trabalhar e sai de novo dentro do carro. A maioria da população perdeu o contato com a rua”, ressalta.

Números do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2013 apontam para a estimativa de que existe um carro para cada 4,4 pessoas no Brasil. “Esse dado é alarmante. Nós temos muitos congestionamentos no País, que acarretam uma série de outros problemas, como de insegurança e de pessoas isoladas nas ruas”, diz o o ciclista.

Tempo de mudar
O arquiteto José Otávio Braga acredita na possibilidade de que Fortaleza avance no redesenho de sua malha urbana a partir da bicicleta. “A grande diferença (de incorporar a bicicleta) é que o transito flui melhor. O carro ocupa muito espaço. Então, enquanto 30 carros geram um engarrafamento, nós precisaríamos de 200 bicicletas para que isso ocorresse”, compara. Por causa do fenômeno da demanda induzida, continua Otávio Braga, quanto mais estrutura feita para bicicletas, mais as pessoas irão migrar para esse modal.

Em abril passado, o publicitário Yuri Pezeta resolveu aderir à bicicleta, trocando o carro pela bike. Ele pedala 23 quilômetros diariamente. “Investir em bicicleta é dar opção, principalmente aos jovens, de não ser dependente do carro e livrar o trânsito para quem precisa mesmo do carro”, acredita.

O estalo para começar a pedalar deu-se quando ele percebeu alguns problemas recorrentes: estava engordando e se estressando com o trânsito. Resolveu mudar. “Agora estou em forma, meu estresse acabou, estou muito mais paciente e concentrado no trabalho. Além disso, vejo minha cidade com muito mais carinho”.

MAIS
Conheça a estrutura cicloviária de Fortaleza e por quais ruas e avenidas se estendem as ciclofaixas. Acesse o Portal 

O POVO Online: 
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