terça-feira, 21 de outubro de 2014

Entrega agora é de bike

Para fugir da imobilidade do trânsito do grande Recife, lojas estão apostando no ecodelivery, onde o serviço é feito por cliclistas

Pedro Maximino - Diario de Pernambuco
Publicação: 19/10/2014 16:00 Atualização: 17/10/2014 15:11

Airon Santos, Jonathan Alves e Hugo Gomes são sócios da EcoLivery, empresa do ramo inaugurada em fevereiro deste ano. Foto: Nando Chiappetta/DP/D.A Press
Airon Santos, Jonathan Alves e Hugo Gomes são sócios da EcoLivery, empresa do ramo inaugurada em fevereiro deste ano. Foto: Nando Chiappetta/DP/D.A Press
Trânsito caótico e ruas congestionadas. Como fazer com que uma entrega seja realizada a tempo no Recife, se as ruas estão constantemente cheias de veículos? A escolha por uma locomoção com menos motores e mais pedais não é mais exclusiva dos cicloativistas. A bicicleta está se tornando uma opção viável e cada vez mais aceita de negócio. A prática é conhecida como ecodelivery, ou “delivery ecológico”.

Hugo Gomes, Airon Santos e Jonathan Alves são sócios da EcoLivery, empresa do ramo inaugurada em fevereiro deste ano. A inspiração para começar o negócio veio de um hábito que Gomes já cultivava há anos. “Meu principal modo de locomoção é a bicicleta. Sempre que posso ir para algum lugar de bike, eu vou”, conta ele. Essa filosofia foi aplicada na empresa, que conta com quatro ciclistas e realiza uma média de 25 entregas por dia. 

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“A nossa sede é em Parnamirim, mas os funcionários passam o expediente praticamente inteiro na rua.” Para manter a eficiência do trabalho, cada ciclista vai para a rua com um smartphone conectado à rede 3G. “Podemos manter o contato entre todos sem que seja preciso ficar voltando à sede, o que poderia atrasar as entregas.” 

Ele garante que as entregas via bicicleta podem ser tão rápidas quanto as realizadas pelos motoboys, e às vezes até mais velozes. “Diferente do motoqueiro, o ciclista pode facilmente se transformar em pedestre e cortar caminho”, conta Gomes. “Além da rapidez, ainda podemos dizer que nossos veículos produzem zero gases poluentes.” Até agora, o negócio parece ter um bom retorno. “A EcoLivery custou cerca de R$ 2 mil, e dentro de dois meses ela já estava se pagando”, afirma o sócio.

Para Juliana Queiroga, coordenadora regional da Endeavor no Nordeste – uma organização de fomento ao empreendedorismo –, a iniciativa dos sócios da EcoLivery faz parte de uma tendência mundial que também tem reflexo no Brasil. Ela coordenou o desenvolvimento da pesquisa “Empreendedores brasileiros: perfis e percepções”, na qual foi constatada que 81% dos empreendedores formais no Brasil criam suas empresas por terem enxergado uma oportunidade e não por necessidade.

“Sustentabilidade é uma questão mundial”, afirma Juliana. “Depende do negócio que o empreendedor que montar, mas geralmente uma empresa focada em sustentabilidade requer investimentos menores.” Mas alerta: “quando a empresa começar a crescer, em algum momento será preciso decidir se seus proprietários vão querer aumentar o lucro, ou se tornar mais sustentável.” A coordenadora ainda acredita que os empreendedores não dever embarcar na onda da sustentabilidade por puro modismo. “Para que o negócio dê certo, é preciso empreender com o que se gosta e entende.”

Se depender do Recife, a prática tem tudo para continuar dando certo. Que o diga a Bigode Verde, especializada na produção e venda de sucos naturais. A loja, de propriedade de Carlos Pompeu e Marcílio Batista, começou após os dois sócios terem feito uma dieta vegetariana líquida e terem perdido, cada um, 35kg. “Entregar os produtos via bicicleta é algo que nós pensávamos já na concepção da empresa”, conta Carlos Pompeu, um dos sócios. “Como prezamos pela vida saudável, faz todo o sentido estimularmos isso também através da locomoção.” A decisão, além de sustentável, também teve um viés econômico. “O serviço sai muito mais em conta, já que não existe custo com gasolina.”
http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/economia/2014/10/19/internas_economia,536868/entrega-agora-e-de-bike.shtml

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