sexta-feira, 27 de junho de 2014

Vereadores cobram soluções para serviço de bicicletas de aluguel em Porto Alegre

Manutenção dos veículos é o principal questionamento feito à empresa Serttel

26/06/2014 | 14h12
Vereadores cobram soluções para serviço de bicicletas de aluguel em Porto Alegre Tadeu Vilani/Agencia RBS
Serviço está em funcionamento desde setembro de 2012 na CapitalFoto: Tadeu Vilani / Agencia RBS
Sucesso de público, com mais de 500 mil viagens em menos de dois anos, o serviço de aluguel de bicicletas em Porto Alegre passa por questionamentos, principalmente, por causa da manutenção dos equipamentos. Reportagem de Zero Hora publicada no começo de junho após um teste realizado ao longo de duas semanas constatou que 80% das 38 estações ativas naquele período — a do Planetário estava temporariamente desativada — tinham algum problema. Motivada pela matéria, a Comissão de Defesa do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança Urbana (Cedecondh) da Câmara Municipal convocou a concessionária do serviço, a Serttel, e a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) para explicarem a situação. A reunião foi realizada na manhã desta quinta-feira na Câmara.
Gerente de Operações da empresa no Sul e no Sudeste, Vagner Silva da Rosa defendeu o atual formato da manutenção feita nas bicicletas e estações. Hoje, duas equipes com dois técnicos cada uma cuidam dos 39 pontos de aluguel que integram o BikePoa e suas cerca de 400 bikes. Uma equipe trabalha das 6h às 18h e a outra, das 10h às 22h, quando o sistema deixa de operar. Ele nega que o vandalismo seja o maior responsável pelo mau estado das bicicletas.
— O índice de vandalismo nos surpreendeu positivamente em Porto Alegre, é quase zero. A causa (dos estragos em bikes e estações) é o desgaste da utilização, que é igual ao de outras cidades. A manutenção é suficiente. Os técnicos vão em todas as estações, mas muitas bicicletas estão com os usuários naquele momento — explica.
 
Reunião sobre o BikePOA foi realizada na Câmara Municipal
Foto: André Mags

Rosa foi cobrado pelos vereadores para que a empresa apresente indicadores sobre estragos e manutenção, entre outros itens, o que ele não tinha na manhã de hoje — ele disse que houve pouco tempo hábil para obter os dados desde a marcação da reunião, na semana passada. Ficou acertado que a Serttel prestará as informações.
Outra requisição é sobre o aporte publicitário: quanto o patrocinador, o banco Itaú, paga e qual o percentual sobre o ganho total da empresa. O objetivo é dar uma noção se a manutenção poderia receber mais investimentos, conforme o lucro obtido pela Serttel. Ainda não há uma data certa para a empresa fornecer as informações.
Clique nas estações do mapa para ver o relatório da visita de Zero Hora
Sugestões ajudarão a compor o edital para licitação
A Serttel ainda tem um ano e meio para operar o BikePOA. Depois, deverá ser realizada uma nova licitação. O gerente de Projetos e Estudos de Mobilidade da EPTC, Antonio Vigna, acredita que o tempo é suficiente para compor o edital com sugestões, que já surgiram na reunião desta quinta. No entanto, não descarta uma renovação do contrato com a Serttel, caso haja atraso para colocar o edital na rua ou seja preciso mais tempo para continuar testando o serviço.
— Assim que terminar a Copa, começaremos a pensar na licitação — afirmou Vigna.
Diversas sugestões surgiram no encontro. Representante da Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta (Mobicidade), Marcelo Kalil listou algumas das necessidades levantadas pela ONG, como uma opção ao uso de cartão de crédito (o cartão TRI, um depósito em dinheiro ou um passe com viagens limitadas são algumas das ideias).
— O sistema tem que ser confiável para funcionar. Tem relatos de pessoas que chegaram a uma estação e havia bicicletas sem condições de uso. Há usuários que desistiram do sistema, e isso é ruim porque dá uma imagem de que o serviço não é confiável — argumentou Kalil.
Já o português Fernando Dionísio representou os deficientes auditivos e pediu uma solução de comunicação para esse público, que poderá ser incluída no edital: o uso de mensagens de celular entre o usuário e o atendimento da Serttel.
 
Português falou sobre a dificuldade dos deficientes auditivos
Foto: André Mags

Também participaram da reunião os vereadores petistas Marcelo Sgarbossa e Alberto Kopittke (presidente da Cedecondh), Fernanda Melchionna (PSOL) e Mario Fraga (PDT). Uma das sugestões apoiadas por eles foi a criação de um conselho de usuários do BikePOA.
— Os números mostram que Porto Alegre adotou o BikePOA. Não há vandalismo, (o que causa o mau estado dos equipamentos) é falta de manutenção — apontou Sgarbossa.
As principais sugestões para o sistema de aluguel de bicicletas:
— Integração a outros modais de transporte com o cartão TRI
— Melhorar a acessibilidade com a utilização de mensagens de celular na comunicação entre o usuário e o atendimento da empresa e instalação de bicicletas adaptadas, como as handbikes (movidas pelas mãos)
— Criação de um conselho de usuários
— Instalação de estações de pequenos reparos para bicicletas e de bombas para encher pneus
— Serviço de recolhimento da bike se ela estragar, indo até o usuário para que ele não precise se locomover até uma estação (o item é motivo de projeto de lei do vereador Kopittke)
— Expansão do sistema, com estações nas zonas Norte e Sul — Vigna sugere que o melhor é primeiro adensar as estações para reduzir as distâncias entre eleas a menos de 300 metros, o que resultaria em mais de cem pontos de aluguel de bicis
— Funcionamento 24h (hoje o serviço para às 22h por causa da segurança)
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http://zh.clicrbs.com.br/rs/porto-alegre/noticia/2014/06/vereadores-cobram-solucoes-para-servico-de-bicicletas-de-aluguel-em-porto-alegre-4536648.html

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