terça-feira, 6 de maio de 2014

A cidade das bicicletas

Pedalar já é um hábito para os nazarinenses, em cada casa há cerca de duas como veículo de transporte

DIÁRIO DA MANHÃ
MARIA PLANALTO 05/05/2014
Duas rodas e um banco. Às vezes há algumas sem freios e tantas outras enferrujadas. Existem aquelas com cestinha para carregar as compras e com o assento de trás para pegar o filho da escola. Tem também as novinhas, de cor vermelha e com aquele detalhe chamado marcha. Uma pessoa, duas pessoas, três pessoas e porque não quatro pessoas em uma só? A bicicleta é o meio de transporte mais usado no município de Nazário, situado a 71 km de Goiânia. Segundo o assistente de uma oficina especializada em manutenção de bicicletas do município, Diogo Antonio de Paula, para cada casa existem no mínimo duas ou três para a locomoção dos nazarinenses.
“A cidade é pequena e também é plana, dá para andar nela toda em cima da magrela”, brinca Diogo Antonio. Com a população de 7.227 habitantes, conforme o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Nazário se localiza nas proximidades do Córrego Buriti e quem chega por lá percebe facilmente a quantidade e o grande fluxo das duas rodas nas ruas do município.
Embora seja uma cidade do interior e possua um fator geográfico favorável, pois é uma região de planície, Nazário é um exemplo para as demais cidades do Estado quando o assunto é pedalar. No Brasil não se sabe quantas bicicletas ao certo estão em movimento, porém são poucos os brasileiros que optam pelo o objeto como meio de transporte. Enquanto em Nazário são duas bicicletas para cada casa, em Goiânia já se aproxima a quantidade de dois carros para cada lar.
Para Diogo Antônio andar de bicicleta já virou um hábito da população e todos pedalam, ele enfatiza que até os mais ricos utilizam do veículo para se locomover na região. “Ela te proporciona tantos benefícios, você fica em forma, faz exercício, não gasta com gasolina, não poluí e ainda te proporciona bem-estar”, afirma.
Ainda conforme o assistente, a borracharia que trabalha vive lotada, “sempre temos muitos clientes o povo aqui anda mesmo.” E o mais curioso de todos esses pedais é a sintonia dos ciclistas com os motoristas e motociclistas, existe um respeito e regras dos próprios moradores na hora do trânsito. Problemas para estacionar seu veículo é outro fator desconhecido para os nazarinenses, elas estão em cima das calçadas, encostadas no muro e até mesmo de forma organizada, mas sempre estão lá.
Além de proporcionar benefícios para quem opta por este meio de veículo, as bicicletas também colaboram com a economia da região, uma vez que apenas na Avenida Marechal são três oficinas. Para o Diogo ainda é uma forma de juntar dinheiro, “como economizamos com a gasolina de um carro, por exemplo, podemos gastar o dinheiro com roupas, comida ou juntar como eu faço”.
PEDALAR
Aprender a manter o equilíbrio sobre duas rodas é uma das grandes conquistas da infância e que dura toda a vida. Uma vez aprendido, ninguém esquece como andar de bicicleta. Uma pesquisa encomendada por uma empresa fabricante de bicicleta, o Brasil é o terceiro maior fabricante deste meio de transporte do mundo, entretanto 36,8% dos brasileiros optam por andar a pé, 30,9% de carro ou moto, 28,8% de transporte público e somente 3,4% escolhem a bicicleta.
As principais justificativas dos moradores de capitais e regiões metropolitanas, para não andar em cima de duas rodas, é a grande distância de casa para o trabalho, seguido do medo do trânsito e também a falta de ciclovias para tréfego dos ciclistas. 
http://www.dm.com.br/texto/175646

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