sexta-feira, 4 de abril de 2014

Pedal inseguro

Não bastasse a violência dos carros, que ameaçam os ciclistas diariamente, o asfalto agora tem um novo vilão: os ladrões de bicicleta
Editorial
02/04/2014 23:51 - Atualizado em 03/04/2014 22:50

Nos últimos anos, as grandes cidades brasileiras têm incentivado o uso da bicicleta como meio de transporte alternativo. Caso de Vitória, que vem incrementando a malha cicloviária. Com mais espaços para pedalar, o número de ciclistas não para de crescer, consequentemente, vem crescendo também os roubos e furtos a bicicletas. Com o mercado em franca expansão, aumenta a demanda por peças e bicicletas de alto valor (algumas passam dos R$ 30 mil), que são vendidas bem mais baratas no mercado negro. 
 
O aumento de furtos e roubos de bikes não é uma exclusividade dos municípios da Grande Vitória, outras cidades brasileiras também enfrentam o mesmo problema. Apesar de haver um consenso em torno do aumento das ocorrências, a constatação é meramente perceptiva. A polícia, geralmente, não tem nenhuma estatística específica que identifique os roubos de bicicleta, tampouco um mapeamento dos locais da cidade mais perigosos para os ciclistas. 
 
A verdade é que cada um se defende como pode da violência das ruas. Em São Paulo, algumas corretoras já oferecem seguro para bikes. Em 2010 eram 350 bicicletas cobertas por seguro. Em 2013, esse número saltou para 1,2 mil. Diante do universo de ciclistas na maior cidade do País, o número ainda é tímido, mas já é um sinal de que a sensação de insegurança aumentou.
 
Sabe-se, por levantamentos informais, como o feito pelo Cadastro Nacional de Bicicletas Roubadas, que a maioria das bicicletas são furtadas quando estão estacionadas. Não por coincidência, os cicloativistas capixabas se queixam do pequeno número de equipamentos públicos, como bicicletários e paraciclos, que permitiriam que as bikes ficassem menos suscetíveis à ação dos criminosos. 
 
O que se percebe é que houve uma grande campanha no Brasil para incentivar o uso da bicicleta - tanto que em 2011 foram vendidas no País quase 5 milhões de bikes contra 3,4 milhões de carros -, mas as cidades não estavam preparadas para receber essa demanda, seja em termos de infraestrutura viária, educação no trânsito, legislação e mesmo com relação à segurança, como mostra a reportagem de Século Diário.
 
No final das contas, as principais vítimas são os ciclistas, que arriscam suas vidas dividindo as ruas com os carros para construir um planeta mais sustentável. 
http://seculodiario.com.br/16187/14/pedal-inseguro-1

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