segunda-feira, 17 de março de 2014

Um negócio da China

Ponto de Vista

Inventada há mais de 200 anos, a bicicleta nunca esteve tão atual como meio de transporte. Aliás, por mais antiga que seja, é mais do que nunca o veículo do futuro. Mas para entender toda a dimensão deste mercado foi preciso ir longe. Neste caso, não necessariamente montado na magrela. Fui ao outro lado do mundo para mergulhar no universo das bikes e lhes conto aqui um pouco desta rápida, porém intensa experiência oriental.
Taiwan pode ser considerada a Meca das bicicletas. Todas as marcas conhecidas têm presença nesta ilha fantástica. São onze horas de diferença no fuso horário e quase vinte e quatro horas de voo a partir de São Paulo.
O destino é a Cycle Show, uma das maiores feiras de bikes e componentes do mundo. A área da feira é enorme (58 mil m²), abrigando cerca de 3,2 mil estandes com mais de mil expositores. Taipei, a capital, onde acontece a feira é uma cidade fervilhante com cerca de três milhões de habitantes. Mas a maioria das fabricas de bikes, peças e componentes não fica em Taipei, e, sim, em Taichung, cerca de 200 km distante.
Bicicletas, peças, componentes e acessórios não só de Taiwan, mas de todos os cantos do mundo, estão representados neste gigantesco evento. Novas tendências, concepções e materiais de todos os tipos são vistos ao longo da mostra.
Algumas tendências para o mercado de bikes estão evidentes. É cada vez maior a presença do titânio e de materiais compostos aplicados não só nos quadros mas tambem nos componentes, peças e acessórios. As bikes 29 (tamanho do aro da roda) confirmaram sua presença maciça no mercado, seguidas pelas 27,5. As tradicionais 26 são coisas do passado, embora não abandonadas de todo.
As estrelas da festa foram, sem dúvida, as “Fatbikes” bicicletas com pneus larguíssimos lembrando os “bigfoot” na indústria automobilística. A presenca destes novos e estranhos “monstros” foi uma constante em toda a feira. Esta bicicleta será com certeza um novo veículo para terrenos inóspitos como neve, areia e pedras, até agora intransitáveis para as bikes comuns.
Outra presenca marcante foi a das bikes elétricas com baterias supridas pela propria energia despendida pelo ciclista ao pedalar. Foram mostradas em vídeos, normalmente pilotadas por executivos de terno.
O câmbio eletrônico cada vez mais presente nas road bikes (speed) confirma uma tendência que com certeza vai tomar conta do mercado. Ainda inviabilizado pelo alto preço e recebido com um pouco de desconfiança trará significativa redução de peso com a eliminação de cabos e a respectiva parafernália. Com certeza, depois das road virão as mountain muito mais exigentes em termos de resistência e de trocas rápidas de marchas.
Outra tendência é que o canote, tradicionalmente fixo, vai dando lugar ao canote retrátil comandado pelo próprio piloto conforme as condições do terreno.
Enfim, a Taipei Cicle Fair é um show imperdível para aqueles apaixonados por bikes, fabricantes e lojistas que querem estar um passo à frente neste mercado extremamente competitivo.
O fato é que o mundo definitivamente acordou para esta invenção de mais de dois séculos e que hoje pode ser a solução para os problemas tanto de trânsito quanto de saúde, problemas cotidianos de pequenos e grandes centros urbanos.
Rogério Montalvão Elian
Executivo de empresa
Uberlândia (MG)
http://www.correiodeuberlandia.com.br/pontodevista/2014/03/16/um-negocio-da-china/

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