quarta-feira, 26 de março de 2014

Ciclovias representam hoje menos de 1% da malha viária de Manaus

25 Mar 2014 . 07:20 h . Annyelle Bezerra . portal@d24am.com
Capital amazonense tem 3 quilômetros de faixas para ciclistas implantados na Avenida das Torres.
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Manaus - Mesmo com uma média de 27 mil viagens de bicicleta diárias, Manaus, é a última capital, entre as 26 do País, em ciclovias por malha viária e por habitante. Segundo levantamento realizado entre as prefeituras, a capital do Amazonas tem apenas 3,1 quilômetros (km) de ciclovias, o equivalente a 0,04% em relação à malha viária. Hoje, 639,4 mil habitantes disputam cada quilômetro de ciclovia, em Manaus.

Para o coordenador do grupo Pedala Manaus, Paulo Aguiar, apesar das prefeituras brasileiras já reconhecerem a importância da instalação de ciclovias, o processo ainda vem ocorrendo de maneira lenta. “O poder público promete 20 quilômetros de ciclovia por ano de gestão, mas não consegue entregar. Em 2013, não foi entregue essa metragem e, no final deste ano, dificilmente serão entregues 40 quilômetros”, frisou.

Os 3,1 quilômetros de ciclovia computados no levantamento, compreendem uma ciclofaixa localizada na Avenida das Torres, zona norte.

Aguiar ressalta que, conforme dados do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), 3% da população de Manaus, estimada em 1.982.177 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), utilizavam bicicleta em 2013. “No ano passado, um levantamento apontou que 42% das pessoas afirmaram que andariam de bicicleta se pudessem”, afirmou.

Segundo ele, 45% das pessoas que utilizam bicicleta em Manaus é para ir ao trabalho, principalmente nas zonas norte e leste.

Para o coordenador do Pedala Manaus, a competição com serviços essenciais como Saúde e Educação, figura entre um dos fatores responsáveis pela morosidade na implantação de ciclovias no País, mesmo o trânsito sendo uma das principais causas de adoecimento entre a população.

“No patamar da priorização sempre ficaremos para trás. Cada quilômetro de ciclovia custa R$ 200 mil, mas, no caso de Manaus, as ciclovias contribuem para a ligação entre vias e os bairros mais populosos da cidade”, disse.

Entre os pontos prioritários para a instalação de passagem exclusiva para ciclistas, Aguiar destaca as avenidas Torquato Tapajós, Djalma Batista, Grande Circular, Silves e Alameda Cosme Ferreira. “Claro que a implantação nestes locais demandaria intervenções e até desapropriações”, ressaltou, destacando que a implantação dos espaços demanda, ainda, a orientação de motoristas e ciclistas, estes últimos devendo obedecer aos semáforos e ao sentido das vias.

De acordo com o coordenador, a adequação estrutural das escolas e das empregadoras também é necessária para que as bicicletas componham o dia a dia dos manauaras. “Imagina ser possível deixar o carro em casa, seguir de bicicleta até o trabalho e lá ter um vestiário para tomar banho e trocar de roupa. Porque não adianta só construir ciclovias e não oferecer estrutura para que as bicicletas saiam às ruas”, afirmou.

Avenida Brasil

Alvo da pesquisa ‘Contagem de Bicicletas - André Araújo/Avenida Brasil’, desenvolvida pelo Instituto Municipal de Ordem Social e Planejamento Urbano (Implurb), em parceria com a a Empresa Jr. da Uninorte Laureate, a Avenida Brasil, na Compensa, zona oeste, deve ganhar uma ciclovia.

A cada 12 horas, passam pela avenida 1.151 ciclistas, uma média de 96 por hora, segundo o levantamento, que classificou a Avenida Brasil como um foco de mobilidade via bicicleta.

Na Avenida André Araújo, transitam, em média, 19 ciclistas por hora, destes 37% no sentido André Araújo/Complexo Gilberto Mestrinho e 48% no sentido André Araújo/ Centro. Dos ciclistas contabilizados, 221 eram homens e sete mulheres.

http://www.d24am.com/noticias/amazonas/ciclovias-representam-hoje-menos-de-1-da-malha-viaria-de-manaus/108822

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