segunda-feira, 17 de março de 2014

Após queda de rival, ciclistas do Brasil sentem 'gosto amargo' pelo bronze

14/03/2014
Gabriela Nishi e Wellyda Rodrigues se dizem chocadas com o acidente de Irene Aravena no velódromo e, junto a Clemilda Fernandes, apontam falhas na prova


Por Gabriel Fricke* e Marcello PiresDireto de Santiago, Chile
Gabriela Nishi e Wellyda Santos medalha ciclismo (Foto: Gabriel Fricke)
Após o susto, Gabriela Nishi e Wellyda Santos enfim conseguem sorrir por bronze (Foto: Gabriel Fricke)
A imagem do acidente grave e do sofrimento da atleta Irene Aravena, do Chile, nesta quarta-feira, durante um duelo que valia o bronze no ciclismo de pista dos Jogos Sul-Americanos em Santiago, ainda está bem fresca na memória de quem foi ao velódromo do Complexo do Estádio Nacional. E o "gosto amargo" pela conquista do terceiro lugar segue na boca das ciclistas brasileiras Gabriela Nishi e Wellyda Rodrigues. Mesmo tendo feito um tempo melhor que o das rivais Aravena e Estefanía Núñez na fase classificatória, as atletas, que eram francas favoritas, gostariam que a conquista tivesse vindo na pista.

Em uma partida falsa, Irene seguia em alta velocidade atrás da parceira de time e não conseguiu desviar do partidor, equipamento utilizado na hora da largada dos competidores. As imagens são impressionantes. Ela sofreu fraturas expostas da patela do joelho esquerdo e do polegar direito, traumatismo cranioencefálico, múltiplas contusões e escoriações, passou por uma cirurgia e, no momento, está em observação na UTI, mas segue estável.
 - Quando queima a largada, volta e faz tudo de novo. É muito barulho e elas não escutaram o tiro (na verdade, foram dois. Um para mostrar que a largada havia sido queimada e outro para avisar as atletas que deveriam parar). Nós estávamos bem ligadas nisso e paramos. O nosso tempo já era melhor, provavelmente íamos ganhar o terceiro, mas queríamos ter competido. Ficamos muito chateadas, não teve aquela emoção. Eu chorei bastante pelo que aconteceu com ela, tudo passa pela cabeça naquele momento - disse Wellyda.
Irene Aravena (Foto: EFE)Irene Aravena não consegue desviar do partidor e bate de frente com o equipamento (Foto: EFE)
Sua companheira, Gabriela Nishi, lamentou as falhas na organização. Segundo ela, o partidor deveria ter sido retirado da pista pelos assistentes independentemente da largada ter sido queimada. 
- Foi um erro de organização. Vaiaram muito a situação, né? Eu fiquei abalada, fiquei desesperada. Fica um pouco do gosto ruim pela forma como ganhamos. Tínhamos a chance de bater o recorde nacional e não pudemos tentar isso - comentou Gabriela.
CLEMILDA CRÍTICA ORGANIZAÇÃO E LEMBRA DE ACIDENTE
Bronze no contrarrelógio dos Jogos Sul-Americanos no ciclismo estrada, Clemilda Fernandes recordou do acidente que sofreu em março do ano passado em Goiânia. Na ocasião, ela foi atropelada por um caminhão e teve fratura em duas vértebras e a perfuração do pulmão, tendo que ficar seis dias internada em uma UTI. Ela concordou com Gabriela que houve falhas na organização da prova. 
- Achei absurdo, é uma vida ali, né? Eu estava bem perto de onde ela sofreu o acidente. Foi claramente uma falha. O bandeirinha não teria que estar ali, tinha que estar na esquina para que ela pudesse ver a bandeira vermelha e parar. Fora que, com o velódromo lotado e o capacete, você não escuta o tiro. O osso dela ficou na hora para fora. Ela mexia os braços e eu até tive que fechar os olhos. Tinha uma criança do meu lado que ficou em desespero. Elas têm que comemorar por ter ficado em terceiro, é claro, mas foi uma medalha que teve um gosto estranho. Estávamos esperando um duelo entre Brasil e Chile, seria bonito - opinou a atleta, que revelou ainda que esteve com o pai de Irene em São Luís, no Maranhão, em uma competição.
Irene Aravena (Foto: EFE)Irene Aravena após a queda no velódromo (Foto: EFE)
- Ele tinha falado da filha, que era muito forte. Eu já tinha ela no Facebook e conheci ela aqui. O pai dela falava para ela tomar cuidado antes da prova. A gente nem conseguiu comemorar muito com o que aconteceu. Eu falei com a prima dela ontem e ela não corre risco de morte.
Clemilda também teve problemas em sua prova no contrarrelógio e, por pouco, não sofreu uma queda por causa de um cachorro que vinha na pista.
- Tem bastante cachorro ali também. Na minha prova, um cachorro veio atrás de mim. Eu vinha há mais de 60km/h e ele vinha na minha direção. Quando vi que ele vinha reto, eu joguei para o outro lado - concluiu.
*Repórter Gabriel Fricke viaja a convite do COB
http://globoesporte.globo.com/jogos-sul-americanos/noticia/2014/03/apos-queda-de-rival-ciclistas-do-brasil-sentem-gosto-amargo-pelo-bronze.html

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