sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Português vai dar volta ao mundo em bicicleta

Português vai dar volta ao mundo em bicicleta

O militar Hernâni Carvalho, de 54 anos, prepara-se para dar a volta ao mundo de bicicleta, numa viagem de vários anos pelos "Descobrimentos portugueses e pelas tradições e comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo".

Perto da reforma, o militar criou a oportunidade de realizar um «sonho de infância», no projeto "Alma Lusa".
«Somos um povo que para, estudar a sua história, tem que andar pelo mundo, porque a nossa história faz-se no mundo, não se faz só no país», contou Hernâni Carvalho à Lusa.
«Eu tinha a ideia de dar a volta ao mundo, só que dar a volta ao mundo por dar, sem nenhum objetivo, a não ser a volta em si, seria pobre», salientou.
Esta não é a primeira viagem de Hernâni, que revelou que a bicicleta é o seu «transporte do dia-a-dia».
Em 2009 viajou de bicicleta da Áustria até à Bulgária e fez também um Caminho de Santiago e outras viagens por Portugal.
«Fiz várias viagens, mas nunca se proporcionou uma viagem com mais de quarenta dias, por causa do trabalho. Como agora estou “na reserva” e tenho o tempo todo para viajar, pensei juntar o útil ao agradável», explicou.
A este motivo acresce ainda o facto de, este ano, se comemorarem os 400 anos da primeira publicação do livro "Peregrinação", de Fernão Mendes Pinto, razão pela qual «surgiu a ideia de passar por pontos onde existam monumentos ou tradições de origem portuguesa».
De acordo com Hernâni Carvalho, a viagem começou a ser delineada há cerca de dois anos.
«Quando comecei a preparar [a viagem] o sentido seria para oeste, ou seja, sair de Portugal de avião para a Argentina e daí partir em direção ao ocidente», explicou o militar.
Porém, o sentido mudou. Membro de uma rede mundial de apoio a cicloturistas, a Warmshower, Hernâni hospedou, em 2012, um cicloturista chinês.
A Warmshower dá, como o nome indica, «a possibilidade ao cicloturista de tomar um banho quente, fazer uma refeição, lavar a roupa, montar a tenda ou até dormir», usufruindo da hospitalidade de quem recebe.
«A bicicleta dele foi roubada em Sines e para ele acabar a viagem eu emprestei-lhe a minha. Quando a bicicleta dele apareceu ele já estava na China, então decidimos que eu iria pedalar na bicicleta dele até à China», contou Hernâni.
Por esse motivo, optou por dar um novo rumo à sua viagem e partir de Portugal em direção àquele país do Oriente: «Entrego-lhe a bicicleta, tenho lá outra e continuo a minha viagem».
Segundo Hernâni, antes da saída de Portugal está prevista uma incursão pelos Açores, na ilha Terceira, «onde viveram os Corte Real, que descobriram a Terra Nova e a Gronelândia», e à Madeira, na ilha de Porto Santo, «onde viveu Cristóvão Colombo».
A aventura, que tem início a 20 de maio, no Castelo de Guimarães, durará cerca de oito anos.
«Poderá ser mais ou menos, tudo depende. Poderei chegar a um sítio onde planeei estar um mês e não me sentir bem e noutro sítio, onde eventualmente não pensava parar e me sentir bem, poderei ficar um dois meses, o que o visto na altura permitir», explicou o militar.
Os interessados poderão acompanhar esta viagem através da página na Internet de Hernâni Carvalho ou através da revista "Debater História".
Na bagagem leva o básico: uma tenda, um saco-cama, equipamentos de cozinha e roupa, para além de pequenas peças suplentes para a bicicleta.
Sem grandes planos para alojamento, Hernâni sublinhou que a ideia é misturar-se «o mais possível com a população local». Contará com alguns apoios apenas no que respeita ao equipamento e todo o dinheiro que conseguir angariar será doado a uma associação portuguesa que treina e oferece cães-guia a invisuais.
«Digamos que é uma ação nobre, treinar e dar cães guias a invisuais, pessoas que nunca vão ter a oportunidade de ver aquilo que eu vou ver durante a minha viagem», conclui.
Diário Digital com Lusa
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=686552

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