quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Jornalista brasileiro fala sobre sua viagem de bicicleta pela Europa

Publicado em 29/01/2014foto: Divulgação

Responsável pelo blog Mobilize Europa, o jornalista Du Dias acaba de voltar de viagem, e trouxe na mochila muitas histórias recolhidas durante os sete meses em que esteve pedalando.
Ao todo, foram nove mil quilômetros percorridos em países diferentes, passando por cidades como Amsterdã, Barcelona, Milão, Viena, Praga, Lisboa e dezenas de outras localidades. A seguir, um resumo dessa incrível experiência, além de dicas para quem pensar em sair pedalando por esse mundão. 
Por que sair pedalado por aí? Ao fazer minhas primeiras pequenas viagens de bicicleta ficava impressionado com a possibilidade de ir cada vez mais longe e com a nova perspectiva que eu conquistava. É diferente passar por uma praia, montanha, trilha, ponte, rua ou estrada em um automóvel e em uma bicicleta. A interação com as pessoas e com o meio, a velocidade do deslocamento, a sensação de liberdade, o "vento na cara", tudo isso me atraía para uma viagem mais longa, na qual eu pudesse passar meses imerso neste universo.  

Antes da partida, como se preparar? Existem vários tipos de viagens de bicicleta e a preparação deve se atentar a isso. Se a viagem irá durar apenas alguns dias e o ciclista tem um bom orçamento, poderá se hospedar em
hotéis e se alimentar em restaurantes, ou mesmo tirar um ou outro dia de descanso para repor as energias. Nesse caso, a atenção deve voltar-se basicamente para preparo físico, pedalando em ruas e estradas próximas e se possível realizando um trabalho de fortalecimento muscular em alguma academia. Já para quem viaja por um longo período e tem um orçamento apertado, tanto o preparo quanto a dinâmica da viagem mudam bastante.
Tendo o camping como opção de hospedagem provavelmente a pessoa não irá dormir confortavelmente todos os dias e a alimentação também não será das melhores. Apesar da própria viagem melhorar o condicionamento, o desgaste é inevitável e qualquer exagero pode comprometer todo o planejamento. Além de se preparar fazendo algumas pequenas viagens de bicicleta nos finais de semana, é preciso estar pronto para a mudança alimentar, comendo menos gordura animal, mais frutas, grãos, cereais, etc. O bom funcionamento do organismo será em parte responsável pelo sucesso da empreitada.

Dificuldades pelo caminho A travessia dos Alpes e dos Pirineus (cadeias montanhosas da Europa) também foram grandes desafios, cuja superação foi uma conquista que me deu forças incríveis para seguir adiante. Já na Holanda enfrentei temperaturas inferiores a zero grau, com muito vento e chuva. Embora o país seja essencialmente plano, a sensação era de pedalar sempre numa subida, dada a força dos ventos. Na Alemanha enfrentei a primavera mais chuvosa da última década, com alagamentos, enchentes e pontes destruídas.

Pedalar na Europa X Pedalar no Brasil O que mais me impressionou foi mesmo a facilidade e a segurança ao utilizar a bicicleta como meio de transporte. Um bom termômetro para isso é a presença de crianças e idosos pedalando. Quando uma criança de seis anos ou um idoso podem andar de bicicleta sozinhos e tranquilamente pelas ruas isso é sinal de um bom nível de desenvolvimento social.

Próxima pedalada Pretendo continuar viajando, mas para isso preciso captar recursos e fazer alguns planos. Estou me programando para uma viagem de bicicleta pelas Américas do Sul e Central, conhecer nossos vizinhos e chegar possivelmente no México para depois retornar a São Paulo cortando o Brasil. É uma viagem mais complicada, porém muito rica.
No momento, estou mantendo uma colaboração com o Mobilize e, se tudo der certo, deve gerar bons frutos, como um projeto que estamos desenvolvendo juntos e que deve ganhar força ao longo do ano. Minha ideia é me envolver cada vez mais na discussão da mobilidade humana, coletar material quando viajar de bicicleta e em breve publicar um livro. Quero contribuir para uma cidade mais humana. Minha ideia é também compartilhar essa experiência com estudantes e pessoas interessadas no tema em palestras e eventos.

Valeu a pena? Além de conhecer pessoas, lugares e culturas novas, é também um exercício forte de autoconhecimento. Fazer isso utilizando a bicicleta foi ainda mais benéfico para mim, já que ganhei autoconfiança, condicionamento físico e muitas portas abertas. Em outras palavras: me conheço melhor, meus valores, necessidades, desejos e objetivos. 
fonte:Mandarim Comunicação

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