sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Bike em Paris O aluguel de bicicletas ajuda a reduzir o trânsito louco da capital francesa. Veja como!


As bikes do Vélib, o programa de aluguel parisiense

Em 2007, muitos parisienses tiraram um sarro do então prefeito Bertrand Delanoë quando ele anunciou a implantação de um sistema de aluguel de bicicletas para ajudar a reduzir o trânsito louco da capital francesa.
No primeiro ano, o Vélib, como o programa foi chamado (uma combinação de vélo, gíria para bike, em francês, e lib, de liberté, palavra francesa que significa liberdade), sofreu horrores: 8 000 bicicletas desapareceram e outras 16 000 foram quebradas ou destruídas. Cinco anos depois, dos 2,3 milhões de franceses morando na capital, 225 000 haviam se inscrito no programa e 138 milhões de pessoas haviam feito uso das 23 000 magrelas disponíveis. Melhor: apenas seis pessoas haviam morrido vítimas do trânsito. Claro, nem tudo é perfeito. Os custos de manutenção de cada bike ainda são altíssimos – cerca de 3 000 euros por ano cada uma, embora, desde 2011, o sistema já dê lucro. Mas os números refletem o sucesso do programa: desde 2007, o uso do carro caiu 25% na cidade e o número de magrelas subiu 41%.
O Vélib é apenas a cara mais conhecida dos inúmeros projetos voltados à mobilidade urbana implantados em Paris: 370 km de ciclovias foram criadas, surgiram corredores de ônibus para reduzir o espaço para os carros particulares e aumentar a velocidade dos públicos, o Autolib foi inaugurado, um sistema semelhante ao da bike, mas que utiliza carros elétricos, e surgiram novas linhas de bonde. Sem eles, não haveria estímulo suficiente para que as pessoas trocassem o carro pela magrela.
Um dos programas mais bacanas surgidos nos últimos tempos (o site surgiu em setembro de 2012) na capital francesa foi o CitéGreen (Cidade Verde). A ideia é simples, mas engenhosa: recompensar com prêmios aqueles que tomam uma atitude em favor do planeta, por exemplo, trocar o carro pela bike para ir ao trabalho. “Queremos mostrar às pessoas que coisas que elas consideram um esforço chato na verdade podem se tornar um hábito simples, se a população se acostumar a ele”, explica Agathe Marconi, assessora de imprensa do CitéGreen.
Apesar do surgimento de tantas iniciativas pró-bike, o Vélib voltou a sofrer do mesmo mal que o atingiu logo que foi inaugurado: vandalismo. Hoje operado por uma empresa privada, a JCDecaux, o programa alega ter perdido 9 000 bikes para roubos e a pura e simples destruição e anunciou há poucos dias estar instalando câmeras de segurança em estações (existem 12 000 na cidade) onde o problema é pior. “Temos 220 mecânicos trabalhando todos os dias para recuperar as bicicletas que foram vandalizadas”, afirma o porta-voz da Decaux. Arruaceiros pegos com a mão na massa são obrigados a frequentar aulas de mecânica de bike para aprender sobre as consequências de seus atos.
Baderneiros à parte, estima-se que, atualmente, um terço dos ciclistas em Paris dependam do Vélib e que dois terços possuam bikes próprias. “Antes, pedalar era visto como algo para as classes mais pobres. Agora, é visto por sua liberdade e eficiência”, diz Dalila Bissrry, secretária da associação pelos direitos da bicicleta Mieux Se Deplacer à Bicyclette.
Lygia Haydée
http://sportlife.terra.com.br/index.asp?codc=2853

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