terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Professor cruza país pedindo mais ciclovias e consciência ambiental

Atualizado em 06.01.2014 | 08h42


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Carlos Roberto Graton, 60, já completou 2300 km e ainda 1 mil pela frente



Ao centro, Carlos Roberto Graton e sua bicicleta, à esq Cachorrão Urel que o ajudou em Cuiabá
ISA SOUSA
DA REDAÇÃO

Quando Carlos Roberto Graton completou 60 anos, no dia 1º de dezembro de 2013, já sabia o que lhe aguardava nos primeiros meses de 2014: completar 4300 km em cima de uma bicicleta.

A meta já havia sido planejada meses antes, mas a data marcava os 10 anos de mudanças radicais em sua vida.

Morador de Manacapuru, no Estado do Amazonas, Graton é professor de Educação Física na Universidade Federal do Amazonas, na capital Manaus. A distância entre as cidades é de 100 km e, em 2003, começou a ser feita diariamente de bicicleta.
"Peguei lama, ‘buraqueira’, tive ajuda de caminhoneiros, de pessoas que me ofereceram um café na beira da estrada e de bicicletarias locais"

Desde então, sua alimentação diária começou a ficar restrita a produtos amazônicos como banana pacovan, castanha-do-pará, pupunha, peixe e guaraná em pó, itens que ele mesmo chama de “ração humana”.

Com a bicicleta e a dieta, Graton disse que, ao contrário de envelhecer e se entregar a idade, começou a “rejuvenescer” e querer colocar na prática pensamentos que vinha tendo nos últimos meses.

“Os alimentos têm me dado uma vitalidade e força incríveis nos últimos 10 anos. Me sinto cada dia melhor. Um dia, percebi que um trecho de 28 km que sempre fazia em 44 minutos, foi feito em 29 minutos. E o projeto de ir até São Paulo e, de lá, até Brasília, levando a mensagem da necessidade de mais ciclovias, da diferença de uma alimentação saudável e também da preservação da Floresta Amazônica era possível”, explicou.

Com 30 kg divididos entre sua comida, o próprio peso da bicicleta e a barraca – único local que tem dormido no caminho – Graton cruzou a baía do Rio Negro, passou pela BR 319, que liga Manaus a Rondônia e fica embrenhada na Floresta Amazônica, e chegou a Cuiabá nesta semana.

“Peguei lama, ‘buraqueira’, tive ajuda de caminhoneiros, de pessoas que me ofereceram um café na beira da estrada e de bicicletarias locais. Em certos trechos vi carros levando três dias para atravessar 420 km e recebi instruções da polícia para me defender dos perigos que existem na selva, mas acredito que o pior já passou”, disse.

Cuiabá

Em Cuiabá, Graton foi auxiliado e teve a bicicleta reformada com a ajuda de Sério Urel, mais conhecido como ‘Cachorrão Urel’, que costuma reunir ciclistas e promover pedaladas por cidades próximas.

Luta diária


Reprodução
Local em que professor Carlos Roberto Graton ficou em Cuiabá
Foi na Capital de Mato Grosso que o professor de Educação Física soube da recente morte do ciclista e servidor público Enéas Cardoso Filho, atropelado por um carro dirigido pelo menor M.H.P., 14 anos, em novembro passado.

O caso, segundo Graton, é mais um incentivo para sua luta, que acredita ser diária.

“Sinto muito por essa morte. Não morri na estrada porque sempre me mantenho muito atento, mas é importante que as autoridades sejam sensibilizadas. Já existe uma lei de mobilidade urbana no país e é obrigatório que a cidade priorize o transporte não motorizado, que coloque sinalizações, que avise que há ciclistas naquele trecho”, afirmou.

O reforço das legislações vigentes em relação à mobilidade urbana, inclusive, é uma meta que Carlos Roberto Graton pretende levar até a presidente Dilma Rousseff (PT), em Brasília.

“Sigo viagem hoje (5) e vou até São Paulo, onde pretendo passar minha mensagem. De lá, vou visitar minha mãe no interior. Em seguida, sigo até Brasília, onde quero levar a proposta de criação de faixas de ciclistas em todas as rodovias federais, estaduais e municipais do Brasil. Estou comprovando que a bicicleta é um meio de transporte saudável e ecologicamente viável. As pessoas só não pedalam mais pela falta de condições no trânsito. É preciso oportunizar o uso”, disse o professor.

“Preciso reforçar que o que estou fazendo não é uma viagem de aventura. É uma viagem filosófica e científica. Quero comprovar também que a alimentação saudável, que pode ser acompanhada por nutricionistas, vem também com o controle do uso de enlatados . É preciso preservar a Floresta Amazônica, não apenas para fauna e flora, mas para nós usufruirmos, com projetos sustentáveis. Mato Grosso, por exemplo, tem contribuído ativamente com a economia do país, que possa nos ajudar. Não está tudo errado, só precisamos refazer algumas coisas”, completou.

Um comentário:

GRATON disse...

EU, CICLOAMAZÖNICO amancapuru a sao paulo e brasília, PAEDALANDO EM DEFESA DA FLORESTA AMAZONICA E PELA QUALIDADE DE VIDA, AGRADEÇO AO ªPEDAL DO FRANGO" PELA ATENÇAO E PUBLICIDADE. ISTO MUITO ME ESTIMULA. FINAL DE ABRIL NOS FALAREMOS PESSOALMENTE: VOU PEDALANDO DE NOVO, AGUARDEM!!