terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Move terá restrição de dia e horário para uso de bicicletas



PUBLICADO EM 21/01/14 - 04h00
Apesar de a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) garantir, em textos publicitários, que o uso das bicicletas será incentivado pelo Move (nome dado ao BRT, sigla em inglês para transporte rápido por ônibus), a entrada de bikes nos veículos vai ter restrições. O acesso das “magrelas” só poderá ser feito aos sábados, após as 15h, e durante todo o dia aos domingos e feriados. Portanto, se em dias úteis – período com maior fluxo de carros nas vias da capital –, o ciclista quiser fazer parte do trajeto até o trabalho com o novo sistema, a bicicleta não poderá ser usada como meio de transporte.
A restrição no Move é praticamente a mesma imposta ao metrô de Belo Horizonte, que tem a entrada permitida apenas para quatro bicicletas por trem aos sábados, após as 14h, e aos domingos e feriados. Em dias úteis, as bikes são permitidas no metrô somente após as 20h30.
“Limitar as bicicletas nos fins de semana não é ação de incentivo. Esse horário não funciona para quem quer tirar o carro da rua e aderir à bike como meio de transporte. A pessoa poderia ir trabalhar de ônibus e voltar de bicicleta no horário de pico”, reclamou o ciclista Guilherme Tampiere, membro do movimento BH em Ciclo, que luta para tornar as bicicletas um meio de transporte urbano viável na capital mineira.
A justificativa da Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) para a restrição de dias e horários é que a bicicleta tomaria o lugar de passageiros durante a semana, principalmente nos horários de pico, quando os ônibus ficam lotados.
Segundo Tampiere, uma solução simples adotada em sistemas de transporte internacionais resolveria o problema dos ciclistas – um rack colocado do lado de fora do ônibus, na parte da frente, onde podem ser fixadas até duas bicicletas, sem ocupar o lugar dos usuários.
Explicação. Questionado pela reportagem sobre os motivos de o modelo não ter sido o adotado por Belo Horizonte, o superintendente de regulação de transportes da BHTrans, Sérgio Carvalho, afirmou que as bicicletas poderiam ser roubadas do lado de fora. “Imagine se o ônibus está lotado e o ciclista não está vendo a bicicleta na frente. Alguém pode roubá-la, ou o motorista pode não saber quem é o verdadeiro dono e deixar qualquer um retirá-la”, disse.
Falta intenção de integrar os transportes na capital, segundo Lucas Moreira, presidente da Mountain Bike BH, grupo formado por ciclistas amadores. “O relevo é ruim em determinadas regiões da cidade, onde poderíamos pegar um ônibus ou o metrô, mas não há integração. Usar a bicicleta acaba ficando inviável”, criticou.

Projetos de  lei preveem  o rack fora  do veículo 

A instalação dos racks nos ônibus já esteve outras vezes entre solicitações feitas pelas associações de ciclistas à Empresta de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans). A solução foi inclusive tema de dois projetos de lei apresentados na Câmara Municipal da capital sobre a obrigatoriedade de implantação do dispositivo nas linhas municipais.
“Já colocamos isso em pauta, mas a prefeitura alega custo alto, falta de estrutura dos ônibus, maior tempo nas paradas para colocar e retirar as bikes, etc. É tanto empecilho que a gente desanima”, detalha o presidente da Mountain Bike BH, Lucas Moreira.
O Projeto de Lei 783/13, apresentado em novembro último pelo vereador Elvis Cortês (PSDC), tramita nas comissões para seguir ao plenário. O parlamentar não quis falar sobre o assunto. Já o Projeto de Lei 2.149/12, de Iran Barbosa (PMDB), apresentado em abril do ano retrasado, foi arquivado no fim daquela legislatura.
Contraponto. Membro da associação de ciclistas urbanos BH em Ciclo, Guilherme Tampiere defende o rack como alternativa viável para incentivar as pessoas a fazerem deslocamentos mais longos de bicicleta. “Não há custo alto em comparação com os benefícios que iria trazer”, destacou.

Plano inicial
Quando a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) apresentou o modelo de ônibus do Move que circularia na capital – então chamado de BRT –, o projeto previa veículos com suportes para bicicletas. No entanto, como o espaço determinado para a colocação das bikes fica no interior dos veículos do sistema, a acessibilidade ficou restrita e usuários teriam
http://www.otempo.com.br/move-ter%C3%A1-restri%C3%A7%C3%A3o-de-dia-e-hor%C3%A1rio-para-uso-de-bicicletas-1.776535 que disputar lugar com as “magrelas”, segundo a autarquia. As bicicletas vão poder entrar nos veículos do Move somente aos sábados, após as 15h, e aos domingos e feriados.

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