segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Bicicletas viram artigo de cobiça dos assaltantes em São Paulo

Apólices de seguros de bicicletas mais que triplicaram nos últimos três anos.
Os bandidos costumam roubar no começo da manhã e à noite.

Renato BiazziSão Paulo


A bicicleta virou artigo de luxo nas ruas deSão Paulo, mas também virou artigo de cobiça dos assaltantes na maior cidade do país. O medo dos ciclistas fez o número de apólices de seguros de bicicletas mais que triplicar no Brasil nos últimos três anos.
Segundo as corretoras, em 2010 eram 350 bicicletas cobertas por seguro. No ano passado, já eram 1,2 mil. O número ainda é pequeno, mas revela a atitude do ciclista diante da insegurança.
Os bandidos costumam roubar no começo da manhã e à noite, quando tem menos movimento na cidade e mais gente pedalando. “Eles chegam com a moto, um na garupa. Ele rende o ciclista, empurra o ciclista, pega a bicicleta, coloca nas costas, sobe na moto e vai embora”, relata a consultora Simone Nagai.

O professor de educação física Emerson Vilella pedala na Universidade de São Paulo (USP), um dos lugares preferidos dos ciclistas e um dos locais mais visados pelos bandidos. Foi dentro da USP que ladrões roubaram a bicicleta dele. “Me abordaram em uma rotatória já gritando de longe: ‘Perdeu, perdeu’, me ameaçando: ‘Desce logo se não a gente atira’”, conta.
Imagens feitas por um ciclista dentro da USP mostram ladrões armados fugindo em uma moto. O homem na garupa desce carregando a bicicleta roubada. Outros dois bandidos já estavam lá com outra bicicleta. Eles tentaram fugir pelo portão, mas não conseguiram, então saíram pela guarita da Avenida Escola Politécnica, carregando apenas uma bicicleta.
No fim de 2013, dois assaltantes de moto roubaram uma bicicleta na Rodovia dos Imigrantes. A dupla se juntou a mais dois homens que estavam em outra moto e fugiram.
Os ciclistas que treinam na rua da cidade para competir estão entre as principais vítimas dos bandidos. Isso porque eles rodam com bicicletas importadas, geralmente bem mais caras que as nacionais. Uma dessas bicicletas, vendida em uma loja de São Paulo, custa R$ 32 mil, o preço de carro zero.
“A população de São Paulo começou a andar mais de bike e ao andar mais de bike começou a investir em melhores bicicletas, em marcas mais renomadas e produtos mais caros. Isso, como efeito perverso, acaba gerando um mercado paralelo de peças que faz com que chame atenção dos criminosos”, explica Renato Sérgio de Lima, do Fórum Nacional de Segurança Pública.
De acordo com a Secretaria da Segurança de São Paulo, de janeiro a novembro do ano passado 151 pessoas foram presas por roubo na região da Universidade de São Paulo. A polícia militar afirma que já reforçou a segurança no campus da USP.

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