quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Mais do que diversão, o esporte é ferramenta de inclusão e ascensão

Inclusão pelo esporte 1 (Foto: Divulgação)

Maurício Sá, de azul, é deficiente auditivo e viu no esporte a possibilidade de inclusão (Foto: Divulgação)

Pessoas contam histórias de como modificaram totalmente suas vidas

O esporte vai além da simples diversão ou da possibilidade de manter o corpo sarado, o que muitos buscam com a chegada do verão. Ele integra as pessoas, desenvolve a sociabilidade e pode mudar completamente a vida de alguém. Ketleyn Quadros, judoca e primeira medalhista olímpica feminina da história em jogos individuais do Brasil, sabe bem o que é se dedicar totalmente a ele e ser recompensada por isso. Com dificuldades financeiras na infância, iniciou os treinos no judô aos sete anos e hoje, aos 26, tem a atividade como profissão.
“Tinha inscrição para criança carente no Sesi de Brasília e entrei, sou de lá. Através do judô, consegui conhecer grandes partes do Brasil, um bom colégio particular com bolsa e a oportunidade de ir para o Minas Tênis Clube aos 17 anos. Eu até recebia bolsa-atleta, mas não supria minhas necessidades. Competia quase todo final de semana e tinha que pagar tudo.  Em Minas, me deram moradia, alimentação e faculdade. Uni o útil ao agradável. O esporte me proporcionou os estudos que minha mãe não podia pagar. O judô foi uma lição de vida. Cresci, aprendi e experimentei coisas novas. Fiquei bem mais humana, até mesmo pela hierarquia e a educação que a gente aprende”, destacou Keytlen, bronze nas Olimpíadas de Pequim 2008.
Inclusão pelo esporte Ketleyn Quadros (Foto: Divulgação)Judoca Ketleyn Quadros (Foto: Divulgação)
Outro que agradece ao esporte é o ciclista Maurício Sá, deficiente auditivo desde os seis anos por conta de uma caxumba. No início da adolescência, descobriu o karatê, mais tarde, aos 40 anos, o atleta amador passou a percorrer o Brasil com a sua bicicleta. Maurício garante que a deficiência auditiva não o impede de nada e que não faz feio em competições, apesar de perder preciosos centésimos de segundo no início das provas. Para melhorar o desempenho, sempre contou com a solidariedade das pessoas que sinalizavam as largadas com os braços.
Desde criança, Maurício se comunica por leitura labial. Apesar da discriminação que sofria, foi um jovem feliz, principalmente ao descobrir que o esporte seria a sua salvação e superação. “A surdez, em si, não atrapalha. Alguns dos esportes exigem aptidão plena, o problema é que os organizadores não se adaptam. A minha vida esportiva começou em uma época que não havia lei a favor dos deficientes. Era mais difícil na escola porque não tinha uma pedagogia ou lei apropriada para receber pessoas com deficiência. Entretanto, nas primeiras aulas de Educação Física, descobri que o esporte era o meu mundo, o meu refúgio. Sentia-me igual aos colegas”, ressaltou.
Agora, aos 50 anos, não é diferente. Maurício Sá dorme, acorda e respira esporte. “Sou levado ao sentimento e à emoção. Sobreponho-me à lucidez e à razão. Quando subo aos pódios, o sentimento é de utopia, de que conquistei o mundo e, logo, vem um raciocínio confuso de pensamento: ‘eu sou o cara’. É um momento único, deslumbrante e mágico”, exaltou o atleta.
Inclusão pelo esporte 3 (Foto: Divulgação)Christiano Markes e sua família de amigos da corrida de rua (Foto: Divulgação)
Quem também pode se beneficiar através da atividade física é o tímido ou aquele com dificuldade de interagir e fazer amizade. Christiano Markes, diretor técnico de uma assessoria de corrida, conta que vários construíram laços fortes. “Alguns se conheceram na assessoria e ficaram amigos. Temos grupo em redes sociais, todos saem juntos fora dos treinos e se juntam para comemorações. Nosso grupo não é apenas uma equipe, chamamos de família Markes”, afirmou o personal.
Christiano comenta que se alguém falta, parte do grupo desanima. “Tem duas amigas que uma dá estímulo para a outra, sendo que uma delas é casada e, mesmo se o marido for, ela não toma coragem de acordar cedo para correr (risos). Uma delas não estava podendo ir e a outra ficou desmotivada. Essa semana ela voltou a correr e a outra já ficou contente, voltou também. Fazemos confraternização de Natal, aniversários, treinos diferentes, a gente sempre se encontra. Se der, rola até paquera, ou pelo menos uma tentativa”, brinca.

Depois de tantos exemplos bons, não existem motivos para ficar sentado no sofá. Levante-se, anime-se e pratique uma atividade física! Faz bem para o corpo, o coração e a mente.

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