quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Brasil precisa de mais ídolos e menos impostos, diz ciclista espanhol

20/11/2013 às 12h00min - Atualizada em 20/11/2013 às 12h00min

O uso da bicicleta como meio de transporte está diretamente relacionado ao ciclismo competitivo e, para que ambos floresçam no Brasil, é preciso baixar os tributos que incidem sobre as bikes e fomentar o aparecimento de um ídolo de grande visibilidade nacional, diz o espanhol Alberto Contador, considerado um dos maiores representantes da modalidade após ter sido suspenso por doping há dois anos (leia mais abaixo). 

Duas vezes campeão da Volta da França, mais importante competição do ciclismo mundial, o ciclista de 30 anos pedalou na última quarta-feira (13) com um grupo de cerca de 200 amadores em Cabreúva (a 78 km de São Paulo), durante sua primeira passagem pelo Brasil.

"Hoje, a Espanha está no nível mais alto do esporte", disse. "Tênis, basquete, o futebol, o ciclismo. Os esportistas são muito reconhecidos pela sociedade. Isso faz a diferença quando as crianças veem esses ídolos, porque elas lutam para ser iguais a eles."

"Talvez, no Brasil, falte algo igual: estrelas do ciclismo para que as crianças queiram imitá-las. Hoje, já vejo que há fanatismo pelo ciclismo [aqui] --não esperava ver tanta gente interessada, e tanta gente tão preparada. Acho que isso pode ir mudando pouco a pouco", afirmou.

Mas essas crianças precisam ter meios de comprar sua bicicleta. "É preciso estar consciente de que o ciclismo tem muitas vantagens, uma vez que se tenha a bicicleta, porque fiquei muito surpreso aqui no Brasil --há impostos tão altos, é inacreditável."

"Custa, para mim, acreditar nisso, levando em consideração que o mundo inteiro vê que a bicicleta é a melhor opção [para a mobilidade urbana], já que gera menos poluição", disse. "É um esporte muito gratificante, demanda zero gasolina, o corpo agradece."

O Brasil não tem nenhum título de um dos "gran tours" (algo como o Grand Slam do ciclismo): as Voltas da Espanha, da França e da Itália.

Questionado sobre se moraria no Brasil se fosse convidado por uma equipe de ciclismo nacional, o atleta da equipe dinamarquesa Saxo-Tinkoff não descartou a possibilidade. "Tudo seria questão de estudar [a proposta]."

Durante a entrevista, a organização blindou o atleta contra perguntas sobre doping, proibindo qualquer menção ao tema.

Ele perdeu os títulos da Volta da França de 2010 e a Volta da Itália de 2011 por ter sido flagrado com clenbuterol, substância que aumenta a capacidade respiratória e ajuda no aumento da massa muscular. À época das revelações, em fevereiro do ano passado, ele disse que havia sido vítima da ingestão de carne contaminada.

DOENÇA
Em 2004, Contador disputava uma etapa da Volta das Astúrias, na Espanha, quando caiu e começou a ter convulsões. O atleta, que estava sofrendo de dores de cabeça nos dias anteriores, foi diagnosticado com um hemangioma, um tipo de coágulo, no cérebro.

"Tenho a certeza de que, se não tivesse passado por isso, não teria tido os êxitos que acumulei até agora", disse. "Você passa a pôr tudo em uma balança, valoriza muito mais algo simples como sair e estar com os amigos, depois de passar vários meses no hospital. Passa a ver que alguns problemas não são problemas."

Contador venceria a Volta da França pela primeira vez três anos mais tarde, feito repetido em 2009. Ele é o quinto ciclista na história a conquistar os três "gran tours".

A história de superação o aproxima ainda mais do desafeto americano Lance Armstrong, ciclista que também perdeu títulos por doping --sete Voltas da França-- e que venceu uma batalha contra câncer nos testículos.


Os dois foram companheiros na equipe Astana, do Cazaquistão, em 2009, e mantêm organizações filantrópicas em prol do esporte e pelo combate às enfermidades que sofreram.

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