quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Eduardo Athayde: vá de bike

22.10.2013 
Eduardo Athayde*
No dia em que o WWI-Worldwatch Institute lançou, em Copenhague, o relatório Estado do Mundo 2013: A Sustentabilidade Ainda é Possível?, 69.578 ciclistas cruzaram a ponte Dronning Louise, no centro da capital da Dinamarca, para reafirmar uma resposta muito simples para esta importante questão: “Somente os peixes e as aves migratórias são mais eficientes ao transportarem-se do que um homem em cima de uma bicicleta”.
A bicicleta não é apenas uma das maiores invenções do transporte da história contemporânea, mas é também o mais civilizado de todos porque não polui, não ocupa muito espaço e contribui para a mobilidade, a saúde individual e coletiva, a sociabilidade e o alto-astral das cidades. 
O primeiro projeto conhecido de uma bicicleta é um desenho de Leonardo da Vinci de 1490. Aprimorada através dos séculos, apenas em 1888 que o inglês John Dunlop patenteou o pneu com câmara de ar, dando mais conforto aos usuários. Pouco depois, em 1891, o francês Edouard Michelin apareceu nas competições com seus pneus sem câmara de ar. O domínio da tecnologia na transmissão por corrente criou o efeito elástico diminuindo trancos nos pés, joelhos e colunas dos ciclistas.
Em muitos países como Canadá, Alemanha, Países Baixos e agora na China, as bikes são vistas como um meio de transporte prioritário para o planejamento e o desenvolvimento de infraestruturas cicloviárias seguras para incentivar o público a escolher este meio de transporte - sem risco - nas ruas movimentadas. De acordo com estudos do WWI, enquanto uma pista para carros particulares (com 4 ocupantes) transporta cerca de 3.000 pessoas/hora, o mesmo espaço usado por bicicletas pode transportar mais de 30.000 ciclistas/hora. 
O Brasil é o 5º maior mercado consumidor de bicicletas do mundo, depois da China, EUA, Índia e Japão, e ocupa a 3ª posição na produção, atrás apenas da China e Índia. Segundo a Union Cycliste Internationale, o setor passa por um momento de profissionalização em todo o mundo com uma economia estimada em US$ 78 bilhões  para 2015. Dentro deste cenário, o portal Mobilicidade disponibiliza produtos e serviços que proporcionam comodidade e mobilidade a pessoas nos ambientes urbanos.
Os movimentos em favor do uso de bicicletas nas áreas urbanas também criam oportunidades de negócios para empresas de todos os portes, especialmente para as cadeias produtivas focadas pelo Sebrae. Em Salvador, a exemplo de outras cidades do país, o Movimento Salvador Vai de Bike , uma inteligente parceria público-privada estimulada pela prefeitura, organizada pela empresa Sertel e apoiada pelo banco Itaú, com 5 estações de bike já funcionando (serão 40 até o final do ano), clientes cadastrados podem retirar uma bicicleta, usar em seus trajetos e devolvê-la na mesma, ou em outra estação - até o Elevador Lacerda entrou na bike mania, transportando ciclistas e bicicletas. Nos finais de semana, as primeiras faixas seguras, protegidas para turismo e lazer, tornaram a cidade amigável para ciclistas entre o Centro Histórico e o Farol da Barra e já atraem tantos adeptos que não tem bicicleta para quem quer.


* Eduardo Athayde é diretor do WWI no Brasil - eduathayde@gmail.com

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