quinta-feira, 3 de outubro de 2013

De bicicleta, professora faz tour por seis países da América do Sul

http://globoesporte.globo.com/sp/vale-do-paraiba-regiao/noticia/2013/09/de-bicicleta-professora-faz-tour-por-seis-paises-da-america-do-sul.html

Carol Emboava é professora de educação física, em Taubaté, interior paulista, e pretende concluir trajeto de 13.000 quilômetros em um ano


Carol Emboava ciclista Santa Catarina (Foto: Divulgação/ Arquivo pessoal)Carol Emboava em parque de diversões em
Santa Catarina (Foto: Divulgação/ Arquivo pessoal)
Praia, deserto, neve, povoados incas, áreas planas e picos com mais de 3 mil metros de altura. A América do Sul é rica nas mais diversas paisagens naturais e a educadora física Carol Emboava está disposta a conhecer tudo... pedalando. Há cerca de um mês na estrada, a moradora de Taubaté, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo, partiu de Curitiba (PR) e pretende fazer um tour atravessando seis países do continente. Serão quase 13 mil quilômetros no período de um ano.
A viagem, segundo Carol, é um sonho antigo. Com problema no joelho, ela tentou fazer um percurso há 10 anos, mas não conseguiu. Agora, com os problemas físicos resolvidos, ela decidiu tirar um ano para viajar e refletir sobre a vida pessoal, além de conhecer a América do Sul e realizar o sonho abortado em 2003.
- Parti de Curitiba e a ideia é continuar descendo pelo litoral do Brasil até chegar no Chuí (RS). De lá, vou costear o Uruguai e passando pela Argentina, entrar na Patagônia. Descer até o Ushuaia e na volta subir pelo Chile, passando também pela Bolívia. Pra fechar a viagem com chave de ouro quero conhecer Machu Pichu, no Peru. Depois é voltar pra casa e começar a planejar a próxima.
Carol Emboava ciclismo Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação/ Giramérica)Carol Emboava na divisa entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação/ Giramérica)
Pedalando entre 30 e 80 quilômetros por dia, ela explica que traçou um trajeto, mas a ideia não é seguí-lo à risca. Afinal, o intuito é usar o passeio para conhecer as belas paisagens. E é conversando com moradores das regiões visitadas que ela pretende descobrir lugares que nunca ouviu falar.
- Tenho conseguido manter o básico do planejmento, mas não estou seguindo à risca. A ideia já era ir descobrindo os lugares no caminho. Se alguém me disser que tem um lugar incrível que eu não posso deixar de conhecer e eu terei que desviar alguns quilômetros por conta disso. Já passei por lugares lindos que não estavam nos planos iniciais, como o Farol de Santa Marta (SC) e deixei de passar por outros, que tinha me planejado, como Florianópolis (SC) - disse a ciclista por e-mail.
Carol Emboava ciclismo pausa (Foto: Divulgação/ Arquivo pessoal)Carol Emboava tem um blog pessoal, que alimenta
durante a viagem (Foto: Divulgação/ Arquivo pessoal)
Para resistir ao ano de viagens, Carol montou uma bagagem "leve" e aposta na hospitalidade, das regiões por onde passa, para conseguir coisas básicas como lavar roupa, tomar banho, dormir, se alimentar e fazer a manutenção da bicicleta. Até o momento, a esperança da ciclista tem dado resultado.
- Estou sendo muitíssimo bem recebida por todos, em sua maioria pessoas que nem me conhecem. Digo que são os amigos terceirizados. Coloco na página do Giramérica se alguém tem conhecidos pelas cidades que vou passar e todos começam a procurar alguém que possa me receber por uma noite. Assim tenho conhecido, além das belezas naturais, a fantástica hospitalidade do povo brasileiro - afirmou.
Penduradas nas rodadas da bicicleta, vão quatro malas, onde Carol dividiu os itens básicos por categorias. Há o kit com ferramentas para a manutenção da bike, kit para itens de higiene pessoal com roupas, uma mala com itens de camping, como barracas, saco de dormir e cozinha portátil, além de uma bolsa de imagens, onde ela registra a viagem e atualiza o blog pessoal.
Atualmente, a ciclista está no Rio Grande do Sul e deve deixar o Brasil nos próximos dias para entrar na Argentina. O fato de visitar outros países gera expectativa para Carol Emboava. Há diversas experiências que ela irá viver que serão novidades, como a temporatura do Deserto do Atacama, no Peru, por exemplo, que tem temperaturas de até 40ºC durante o dia, mas à noite, chega a registrar temperaturas negativas.
Carol Emboava ciclismo chuva (Foto: Divulgação/ Giramérica)A ciclista passará por lugares de frio intenso, mas também de forte calor (Foto: Divulgação/ Giramérica)
- Todos os lugares que sei que o esforço físico será grande criam um expectativa. Quero conhecer meus limites físico e psicológico e tenho certeza que terei que usar ambos em doses generosas. Alguns trechos da Patagônia, tanto da argentina quanto da chilena, por serem regiões mais inóspitas e sem muito apoio. O deserto do Atacama, pelo calor intenso durante o dia e frio gélido durante a noite. As grandes altitudes da Bolívia e Peru, pois nunca pedalei nessas condições.Cada lugar tem a sua particulariadade, que cria uma expectativa diferente. Mas será ótimo ir descobrindo isso aos poucos - afirmou.
A ideia era descobrir os lugares no caminho. Se alguém me disser que tem um lugar incrível que eu não posso deixar de conhecer, eu terei que desviar alguns quilômetros por conta disso."
Carol Emboava, ciclista
Mas o principal resultado que Carol Emboava espera trazer da viagem é a mudança pessoal: quebra de preconceitos, a busca diária por desafios e a constatação de que é possível confiar na hospitalidade das pessoas.
- A transformação acontece todos os dias. Seja sozinha, quando estou com meus pensamentos na estrada. Seja quando sou recebida na casa de alguém e convivo com uma nova família. Tudo isso faz com que haja uma mudança interna, uma quebra de conceitos pré-estabelecidos. Sair da minha zona de conforto tem me feito muito bem, me mostrado que o mundo é muito mais bonito do que aquele visto pela tela da tv e que as pessoas são muito melhores do que qualquer um pode imaginar. Espero que isso siga por toda a viagem, mesmo fora do Brasil. E que eu realmente volte transformada - disse.

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