segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Brigada Militar vai mapear furtos e roubos de bicicletas

Subcomandante-geral da BM recomendou ao serviço de inteligência que faça levantamento das ocorrências

Brigada Militar vai mapear furtos e roubos de bicicletas Adriana Franciosi/Agencia RBS
Em 2011, a questão da segurança dos ciclista transformou Porto Alegre em assunto ao redor do mundo. Em fevereiro daquele ano, o bancário Ricardo Neis, 49 anos, atropelou 17 ciclistas da Massa Crítica, e o vídeo do atropelamento espalhou-se pela internet. Neis responde em liberdade a processos por tentativa de homicídio.
Hoje, a segurança do ciclista no trânsito é assunto diário na cidade. O furto e o roubo de bicicletas também estão entrando na agenda das preocupações. Tanto que o subcomandante-geral da Brigada Militar (BM), coronel Silanus Mello, recomendou ao serviço de inteligência, conhecido como P2, que faça um levantamento das ocorrências de furto para montar um mapa dos locais preferidos dos ladrões. Para as seguradoras, é uma nova fronteira de negócios.
— Hoje só estão aceitando fazer seguro de bicicletas diferenciadas e apenas contra roubo a mão armada — explica Amauri Macedo, 47 aos, corretor de seguros.
A expansão do uso da bicicleta veio para ficar, afirma o administrador Paulo Dalpian, 28 anos, autor da tese de mestrado Um carro a menos: a contra-hegemonia e a resistência ao consumo, defendida na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Atualmente, Dalpian segue os seus estudos sobre o tema fazendo doutorado. Um dos indicadores do aumento do uso desse tipo de transporte na cidade é o BikePoa, um sistema de aluguel de bicicletas que opera com 38 estações e 380 bicicletas, que realizaram 185 mil viagens e têm 54 mil usuários cadastrados desde a implantação, em setembro de 2012.
Não há registro na polícia de nenhuma bike de aluguel furtada. Também não há um registro confiável do número total de bicicletas em Porto Alegre. O que existe são informações nacionais, divulgadas pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo). O Brasil tem uma frota de 70 milhões de bicicletas, produz 4 milhões anualmente e é a terceira fabricante mundial, sendo que uma boa parte é exportada. No mercado interno, comparando julho com as vendas no mês anterior, houve um aumento de 23%.
Na Porto Alegre dos anos 1950, a bicicleta era largamente usada pelos operários. Nos anos seguintes, com o aumento da frota de veículos e a expansão dos serviços de transporte coletivo, as bicicletas praticamente desaparecem como meio de transporte. Ressurgiram no final dos anos 1970, no rastro da preocupação com o ambiente, e nos últimos anos tornaram-se ainda mais presente nas ruas da cidade guiadas por pessoas preocupadas com um novo estilo de vida, mais saudável e econômico.

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