sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Como ajudar seu filho a andar de bicicleta sem rodinhas

Dicas para o seu filhote perder o medo e pedalar por aí livre, leve e solto, e o melhor: sem rodinhas de apoio.

Por Ana Kessler 23/ago 13:12
Bicicleta aqui em casa é música. Quando a Bia era pequenina e ia na cadeirinha da bike para a creche, nosso hino matinal era “Lááá vamos nós... Nós, que nascemos do ovo / que vivemos na fazenda / que cantamos no co-co-coral”, a música tema do Cocoricó. Era subir na magrela e soltar a voz. Na volta, nossa trilha era: “Nos dias quentes de verão / A gente vai no rio nadar / E nada e nada e nada / E nada e nada e nada / Até cansar”. A Bia cresceu com o vento batendo no rosto. Talvez daí a sua paixão por pedalar.

Usar sim, mas ensinar uma criança a andar de bicicleta sem rodinhas não estava no meu pacote de talentos. Não havia manual de instruções. Na minha família, isso é uma das poucas funções oficiais dos homens, meu pai ensinou os filhos, aprendeu com o pai dele, e assim por diante. Mas a Bia queria aprender e o pai dela, da Marinha, estava sempre viajando. Sobrou pra mim. O que fazer?

Achei este um bom tema para tratar aqui: dicas para mães ajudarem seus filhotes a se equilibrar em duas rodas. É tão lindo vê-los adquirir esta autonomia! Não é preciso técnica, não tem muito mistério, só há um quesito imprescindível: bastante treino. E, claro, incentivo.

No fim de semana passado, Bia e eu tivemos o privilégio de compartilhar este momento com a Malu, amiguinha que dormiu lá em casa. Eu segurando o banco por trás, Ana Bia correndo ao lado e, de repente, lá se foi a pequena sozinha... pela primeira vez! Tripla comemoração feminina, muitas palmas. Será que estamos criando uma nova tradição nos Kessler?

Dicas que podem ajudar:

Proteção: De todos os balangandãs e acessórios de proteção para crianças existentes no mercado, o capacete é de longe o mais importante. Joelho rala-se e recupera-se, cotovelo idem, agora uma batida forte de cabeça no chão ou numa quina é um perigo. Meu avô morreu assim, de moto. Insista para o seu filho usar todos, mas se ele resistir, não abra mão do capacete. Este item é obrigatório.

Paciência: Outro item importante. Não queira que o seu filho aprenda rápido. Meu pai contava que eu saí pedalando de primeira. Meu irmão levou séculos. A Bia, insegura, mesmo quando já estava praticamente andando sozinha implorava que eu não a largasse. Cada criança tem seu próprio ritmo, respeite-o.

Quando e como tirar as rodinhas: Ao sentir que a criança está mais firme e já não usa tanto o apoio lateral, essa é a hora. Não tire de imediato. Faça assim: vá regulando a inclinação das rodinhas, torcendo-as para trás. Antes num ângulo de 90º em relação ao chão, desloque-as de forma que só toquem no solo quando a criança pender para um dos lados. Deixe assim por uns tempos, até ela se acostumar. Treinou, treinou e ficou firme de novo? Tire um dos lados. Agora entra um ponto fundamental, adivinha? 

Incentivo: Isso mesmo! Se por um lado aprender a andar de bicicleta é fonte de inseguranças (medo de cair, será que vou conseguir etc), por outro é motivo de grande satisfação. Superar desafios, vencer etapas, romper barreiras particulares enche o peito dos nossos filhos de orgulho por si mesmos. Elogie a cada conquista, a cada reta em equilíbrio. “Você está indo muito bem!”, é hora de vestir a camiseta de torcedor.

Dica da Mari: A Mariana Della Barba me contou que a mãe dela desenhava um número “8” gigantesco no chão para aprenderem a fazer curvas. Delimitar espaços visuais ajuda a criança a traçar um objetivo. É como fazer balize. Achei ótima ideia!

Depois é só ir pra casa, lavar as mãos, fazer um lanche gostoso, lado a lado, repassando os melhores momentos da aventura. 

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