segunda-feira, 1 de julho de 2013

Quando a tecnologia atrapalha

Bristol (EUA) – Poucos sabem, mas no Tour de France, nos dias de hoje, os competidores tem pequenos “ear buds”, aparelhinhos nos ouvidos que lhes permitem ouvir instruções em “tempo real” durante as etapas. Isto significa que eles estão em permanente contato com suas equipes, que estão por sua vez em permanente contato com os organizadores.
Tal avançada tecnologia acabou sendo a causa da batida que no sábado levou diversos competidores ao chão, na Córsega, entre eles alguns dos grandes favoritos para a vitória este ano, como o escocês Mark Cavendish, o espanhol Alberto Contador, o americano Tejay van Garderen, André Greipel, da equipe Lotto-Belisol, e Peter Sagan, da Cannondale.
Aconteceu que o ônibus de uma das equipes, Orica GreenEdge, ficou preso pelo teto no portão metálico da chegada, em Bastia. Os organizadores, em pânico, pois os ciclistas estavam a apenas seis quilômetros, anunciaram que iam recuar a linha de chegada, colocando-a dois quilômetros mais perto.
As equipes imediatamente fizeram a comunicação radiofônica a seus ciclistas e eles iniciaram o “sprint” para a chegada de uma prova que originalmente deveria ter 200 quilômetros.
Eles aceleram e, de repente, os organizadores conseguem retirar o ônibus até então encalacrado. Uma contra-ordem é enviada às equipes. A chegada seria no local original. As equipes retransmitem a notícia. O que acontece: os competidores freiam e, no que freiam, alguns se chocam, diversos vão ao chão.
Uma desordem completa logo no primeiro dia do centenário do Tour de France. Houve competidores que precisaram ser retirados de ambulância, como Tony Martin, companheiro de equipe de Mark Cavendish, que sofreu uma concussão e lacerações no pulmão.
Quem se beneficiou foi o alemão Marcel Kittel, da Argos-Shimano.
- Eu olhei a meu redor e não vi nenhum dos favoritos. É a maior vitória de minha carreira.
Um dia de sorte para Kittel, que no ano passado teve o azar de ser forçado a abandonar a prova por causa de um vírus estomacal.
Também um dia em que a tecnologia, em vez de ajudar, atrapalhou.

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