segunda-feira, 1 de julho de 2013

O Tour começou com quedas e um autocarro que não passava na meta


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As quedas causaram muita confusão no pelotão, mas foi o autocarro parado na meta que lançou o pânico ERIC GAILLARD/REUTERS
Marcel Kittel é o primeiro camisola amarela, após ter vencido uma etapa acidentada, marcada por várias quedas nos últimos quilómetros.
O pelotão aproximava-se a grande velocidade da meta. Faltavam oito quilómetros para que os corredores cortassem a meta que estava instalada em Bastia, a primeira chegada desta histórica centésima edição da Volta à França em bicicleta. Mas algo tinha chegado a Bastia primeiro que os ciclistas e não cortava a meta. Um autocarro da equipa australiana Orica GreenEdge estava encalhado no pórtico da meta e não conseguia passar. Ordem de Jean-Francois Pescheux, director da corrida, às equipas: "Vamos antecipar a meta em três quilómetros." Pouco depois, Peschaux dá a contra-ordem, a meta volta ao sítio original porque o autocarro conseguiu fazer a manobra e desapareceu da chegada.
Por momentos, o caos instalou-se. Os ciclistas que já tinham começado a preparar o sprint, voltaram a desacelerar e a confusão imperou. Uma enorme queda fragmentou o pelotão e atirou para fora da discussão da etapa homens como o britânico Mark Cavendish (Omega Pharma) ou o eslovaco Peter Sagan (Cannondale). Nem o português Rui Costa (Movistar) nem o espanhol Alberto Contador (Saxo-Tinkoff), um dos favoritos, escaparam. Quem já tinha passado antes da queda (cerca de 50 corredores) formou o grupo final para a discussão ao sprint em Bastia e o melhor foi o alemão Marcel Kittel (Argos-Shimano), que é, assim, o primeiro camisola amarela deste Tour (e o primeiro camisola verde, dos pontos, e o primeiro camisola branca, da juventude), na frente do norueguês Alexander Kristoff (Katusha) e do holandês Danny Van Poppel (Vacansoleil)
Por ter sido uma etapa tão atribulada, a organização decidiu que ninguém iria perder tempo e todos os corredores, mesmo os mais atrasados, ficaram com o mesmo tempo de Kittel (4h56m52s).
Foi um final alucinante para uma etapa plana bem decorada pelas paisagens da Córsega (uma estreia no Tour) e que só prometia emoção nos últimos metros. Só que a emoção começou bem antes, com uma primeira queda a 12km do fim, depois o episódio com o autocarro, e, logo de seguida, a tal queda maior a 5km da meta em Bastia.
"O Tour é o Tour, nunca se sabe o que vai acontecer. Estou bem, vamos ver como me sinto amanhã [hoje]", disse no final Contador, que ficou bastante maltratado na queda. "Ele está bem, mas vamos avaliar melhor o estado dele amanhã [hoje], para ver se recuperou bem da queda e se não há fractura", indicou Philippe Mauduit, director desportivo da Saxo-Tinkoff. Quem talvez já não esteja na partida para a etapa de hoje é o alemão Tony Martin (Omega Pharma), que esteve igualmente envolvido na queda e foi conduzido ao hospital com suspeita de fractura de uma clavícula.
Rui Costa numa queda
Quanto aos dois portugueses, terminaram, tal como todos os outros, com o mesmo tempo de Kittel. Sérgio Paulinho (Saxo-Tinkoff) foi 128.º, enquanto Rui Costa (Movistar), que esteve envolvido na queda, foi 132.º. "Foi um dia para esquecer. Estou com algumas dores e escoriações no lado direito, felizmente não fracturei nada", escreveu o vencedor da Volta à Suíça na rede social Facebook. Hoje, corre-se a segunda etapa, 156km entre Bastia e Ajaccio.
Para Marcel Kittel, ontem foi o seu primeiro triunfo em etapas do Tour, ele que já havia vencido uma etapa na Volta à Espanha, em 2011. Mas, mais do que isso, serviu para vingar a frustração que foi o seu ano de estreia no Tour, em 2012, em que foi obrigado a desistir durante a quinta etapa devido a problemas de estômago. "Estou a pensar em toda a gente que me ajudou a conseguir isto. É um sonho tornado realidade, ainda estou a tremer, é uma vitória imensa. É um dia importante, porque é a minha primeira vitória no Tour, porque estou de amarelo e porque é o primeiro triunfo da equipa", afirmou Kittel após a vitória.
O alemão de 25 anos mostra, assim, logo ao primeiro dia do Tour, que é um nome a ter em conta nas chegadas ao sprint (que serão, à partida, sete, incluindo a de ontem) para se bater com os habituais Cavendish, Sagan ou André Greipel (Lotto). Ontem, Kittel tornou-se no primeiro rolador-sprinter a vencer a primeira etapa do Tour desde 1966 (Rudy Altig), sendo que, depois, se instituiu um prólogo a abrir a competição, com etapas inaugurais a terminar em montanha em 2008 e 2011.
Depois desta sua 12.ª vitória da temporada, Kittel revelou que nem sequer se tinha apercebido do episódio do autocarro que lançou o caos na etapa: "Não percebi nada do que o director desportivo me estava a dizer. Só depois é que soube da história do autocarro, mas ainda bem que o conseguiram tirar dali."

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