segunda-feira, 1 de julho de 2013

Escândalo de doping que envolveu Armstrong marca a partida para uma prova que vai ter pormenores curiosos

Falar de Lance Armstrong no pelotão é tão difícil quanto inevitável. O nome do ciclista norte-americano faz parte da história da Volta a França, tal como todo o processo que conduziu à confissão do uso de doping numa entrevista a Oprah Winfrey. Armstrong, um bully enquanto corria, serviu de referência a muitos dos ciclistas que hoje procuram vingar no circuito mundial. Agora funciona no sentido inverso, como exemplo a não seguir. Como ele, qualquer nome que esteja associado ao doping encontra nos colegas de profissão um poder acusatório mais que um silêncio complacente. Para ser credível, o ciclismo precisa de transparência.
Com Bradley Wiggins de fora, Chris Froome - segundo classificado em 2012 e líder da Team Sky para esta edição - assume o papel de favorito à vitória. Também olha para trás e vê que a sombra ainda paira sobre o ciclismo. "Ele deixou-nos com muita confusão para arrumar", reconheceu Froome numa entrevista à BBC. "Mas acho que isso nos dá a oportunidade de progredir e mostrar às pessoas que o desporto mudou."
Será difícil seguir em frente enquanto as notícias de actuais e antigos atletas continuarem a marcar a agenda. Esta semana foi a vez de Laurent Jalabert, o melhor ciclista francês dos últimos 20 anos, aparecer ligado a um caso de consumo de EPO no Tour de 1998. A revelação foi feita pelo jornal "L'Équipe", que teve acesso a documentos de uma comissão de investigação do Senado francês. Na véspera, Jan Ullrich, vencedor em 1997 e maior adversário de Armstrong na prova, assumira ter-se dopado com a ajuda de Eufemiano Fuentes - médico que está no centro da Operação Puerto.
Ainda assim, a organização do Tour esforçou-se por dar um espírito especial à 100.a edição e dessa forma fugir também a assuntos menos agradáveis. Para começar, a prova arranca num local inédito: a Córsega. Até agora, os dois departamentos da ilha do Mediterrâneo (Corse-du-Sud e Haute-Corse) são os únicos do país que ainda não assistiram à passagem da Volta a França. Ao receber as três primeiras etapas, a Córsega deixa de ser o parente pobre da corrida.
O arranque do Tour também traz uma novidade. Em vez de um prólogo ou uma etapa com uma subida final, o dia de hoje vai fazer-se em terreno pleno. E isso dá aos sprinters, como Mark Cavendish ou Peter Sagan, uma oportunidade única para vestir a camisola amarela - algo que não acontece desde os anos 60. Por outro lado, a última etapa - a 21 de Julho - terá partida no interior dos jardins do Palácio de Versalhes e chegada aos Campos Elísios ao pôr do Sol. A acompanhar estará a Patrouille de France, esquadrão de demonstração da Força Aérea francesa.
No papel, as primeiras duas semanas prometem poucas surpresas - salvo quedas e outros percalços. A fase mais espectacular está guardada para a terceira, com um contra-relógio duro e três etapas de alta dificuldade nos Alpes - uma delas é a dupla subida ao Alpe d'Huez.

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