segunda-feira, 1 de julho de 2013

“É impossível vencer a Volta da França sem se dopar”, diz Armstrong

Protagonista do maior escândalo de doping da história do esporte, Lance Armstrong considera impossível vencer a Volta da França sem a utilização do recurso ilegal. Para o ex-ciclista norte-americano, nenhum atleta “limpo” tem resistência suficiente para aguentar os quase 3,5 mil km da tradicional prova, que dá largada à sua centésima edição neste sábado.
“É impossível vencer a Volta da França sem se dopar. É uma prova de resistência na qual o oxigênio é a chave. Substâncias como EPO (eritropoetina) não vão ajudar uma velocista a vencer uma prova de 100m rasos, mas são decisivas para um corredor de 10.000m”, analisa o norte-americano, em entrevista ao jornal francês Le Monde.
Armstrong venceu a Volta da França sete vezes entre 1999 e 2005. Na metade de 2012, ele teve todos os seus títulos destituídos após a Agência Antidoping dos Estados Unidos (Usada) divulgar relatório que o apontava como um dos principais envolvidos no que foi chamado de “maior esquema de doping da história”.
AFP
Campeão da Volta da França entre 1999 e 2005, Lance Armstrong considera impossível título "limpo" na competição
“Estou de acordo que apaguem meu nome do histórico, mas as provas foram realizadas entre 1999 e 2005 e precisam de um vencedor. Até agora, ninguém se apresentou para reclamar meus títulos”, dispara.
Para Armstrong, seu caso foi usado como “bode expiatório” para uma prática ilegal que ocorre em todos os esportes, mas que é amplamente associada ao ciclismo. Além disso, ele rechaça o relatório da Usada e garante que o sistema que participava era muito simples.
“Eu não inventei o doping. Simplesmente participei do sistema. Nunca tive medo dos exames antidoping. Nosso sistema era muito simples e não tinha riscos. Tinha mais medo das alfândegas e da polícia”, revela.
“A história mostrará que tudo foi apenas uma saída da Usada para fazer barulho. Ainda se considera o ciclismo como o único responsável [pelo doping]. Nunca poderei consertar o que diz. Fui muito duro com as pessoas. Lutei em cima da bicicleta perfeitamente, fora não. Não consegui porque nunca consegui diferenciar as duas coisas”, conclui.
AFP
Ex-ciclista acredita que foi utilizado como "bode expiatório" pela Usada: imagem ficou arranhada após o caso

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