segunda-feira, 24 de junho de 2013

ESCOLHA A SUA BICICLETA

Seja pra dar uma voltinha no final de semana, pra manter a forma depois do almoço ou para ir até a aula, ela é a companhia de um número cada vez maior de pessoas que encaram o trânsito de uma maneira mais livre.Escolha a Sua Bicicleta Giuliano Cecatto, especial/

FOTO: GIULIANO CECATTO, ESPECIAL
GUSTAVO B.ROCK
CONSTRUA QUE ELES VIRÃO

Conforme o número de ciclistas aumenta, mais espaços dedicados a eles são feitos e rapidamente ocupados. Com isso, aumenta também a visibilidade, o que faz com que a população em geral passe a encarar a bike não apenas como um lazer, mas também como um meio de transporte.

– Em Porto Alegre, há alguns anos, não havia muita gente usando bicicleta no trânsito. Os motoristas não estavam acostumados a lidar com isso. Não era por maldade, mas eles simplesmente não sabiam que devem manter uma distância segura ao ultrapassar um ciclista, por exemplo – diz a jornalista Lívia Araújo, que ajudou na organização do Fórum Mundial da Bicicleta em Porto Alegre (a segunda edição do evento ocorreu em fevereiro de 2013) e costuma pedalar todos os dias na Capital há, pelo menos, cinco anos. 

Aos poucos, não só quem encara ruas e avenidas dentro de um carro está aprendendo como se portar frente à nova realidade, mas também os próprios ciclistas ganham mais experiência e sabem que devem respeitar as regras do trânsito da mesma forma que os motoristas..

– Antes o ciclista era xingado. Hoje ele é enxergado – rima a publicitária Letícia Cecagno, organizadora de diversas ações poéticas envolvendo o ciclismo, como a Pedalada Cantante – na qual a galera solta a voz durante o passeio.

Letícia e sua bike são companheiras inseparáveis, tanto que ela tem até nome: Cecília – por causa do nome da bicicleta dos anos 80, Ceci, que foi reformada e acompanha a publicitária em deslocamentos mais curtos, como uma ida até o mercado, por exemplo.

– Queria uma bicicleta com significado, que lembrasse minha infância. É um sentimento legal. Ela estava encostada em uma garagem, triste, até que eu a encontrei, comprei e ela voltou pra rua – diz Letícia, que pretende inspirar cada vez mais ciclistas com seu projeto Bicicleta é Amor, atualmente com fanpage no Facebook (facebook.com/bicicletaeamor).

– Faço tudo com minha bicicleta, inclusive quando chove e os congestionamentos aumentam. É muito mais rápido e basta se proteger direitinho pra não se molhar – explica Lívia, que também tem seu projeto online, no Twitter @bikedrops. 

ANJOS SOBRE RODAS

Um serviço voluntário que apareceu aqui no Brasil junto com a demanda por bicicletas nos últimos anos é o Bike Anjo, movimento que existe em Porto Alegre desde 2011 – onde é chamado de Bici Anjo, para dar uma sensação maior de proximidade através desse outro apelido de bicicleta muito usado entre os gaúchos.

O chamado Bici Anjo é alguém que vai ajudar o ciclista a iniciar suas pedaladas, mas não necessariamente pela primeira vez na vida. O objetivo é fazer com que alguém que já domine o equipamento aprenda as regras de circulação junto aos veículos automotores e aos pedestres e, com isso, estabeleça uma relação de respeito, confiança e reciprocidade com todos os elementos que  compõem o trânsito de uma grande cidade.

– Muitas pessoas começam a andar de bicicleta quando crianças, como um lazer no final de semana ou brincando de subir e descer obstáculos. Chega uma hora em que começam a andar de bike de um lugar pro outro, como meio de transporte, e essas pessoas não sabem direito como lidar com o trânsito. É aí que a gente entra – explica Cadu Carvalho, Anjo desde que o projeto iniciou na Capital.

Cadu é paulista e pedala desde pequeno, mas mais intensamente nos últimos 5 anos – desde que veio morar por aqui. Seu trabalho voluntário como Bici Anjo ajuda a tirar o medo de alguns ciclistas iniciantes ao encarar o movimento intenso e por vezes hostil do trânsito. Ele e seus colegas recebem pedidos de auxílio através do blog Bici Anjo, avaliam cada caso e dão dicas sobre o trajeto de deslocamento mais apropriado para o novato.

– De início, queremos tirar toda insegurança e receios que o ciclista possa ter. Para isso, evitamos trechos com subidas e circular por avenidas movimentadas – diz Cadu, que também ensina a importância de manter a bicicleta em boas condições, pois isso também ajuda a evitar acidentes.
Atualmente são 13 voluntários que fazem parte do projeto em Porto Alegre e eles estão sempre pensando em aumentar essa rede de contatos – principalmente em zonas mais afastadas do centro da cidade. Pra ser um Anjo o primeiro passo é deixar recado no blog. Daí, é sair pedalando.

E O BAMBU? VIROU BIKE!

Klaus Volkmann pedalou a vida toda. Ele até tentou, mas não conseguiu ser um típico adolescente motorizado. Músico da Ospa desde que tinha 18 anos, Klaus juntou grana e gastou tudo comprando um carro – coisa que muita gente faz nessa idade. O relacionamento com as quatro rodas não durou muito, e ele logo se desfez do automóvel para voltar ao que é seu principal meio de transporte até hoje: a magrela, que o acompanha pra cima e pra baixo.

Nos últimos 11 anos pedalando constantemente, o espírito inquieto – porém organizado – de Klaus esteve sempre antenado em novidades e esquisitices envolvendo bikes. Quando um colega seu apareceu com uma bicicleta diferente, comprada na Holanda, onde o ciclista pedala praticamente deitado, resolveu que queria uma igual – mas feita por ele mesmo.

– Um dia encontrei bambus e, sabendo das suas qualidades mecânicas, trouxe pra casa e comecei a fazer testes. Isso foi há seis anos. Pesquisei várias substâncias que pudessem deixar o bambu impermeável e resistente às mudanças do clima, até que deu certo – explica.

A oficina foi montada em um cantinho da garagem na casa da família, que aos poucos aumentou e hoje já ocupa mais da metade do espaço disponível. Em busca de um crescimento sustentável, a iniciativa de Klaus ganhou sócios e virou a Art Bike Bamboo, que atende através do Facebook, ilustrada com um simpático urso panda – a marca da empresa.

– O objetivo é levar arte para as ruas, chamar a atenção das pessoas, nem que seja por alguns momentos – diz Klaus, que pretende manter a produção em pelo menos quatro bicicletas por mês e tem planos de construir uma nova sede para a fábrica em um terreno adquirido na Vila Conceição, zona sul de Porto Alegre.

Apesar de fabricar bikes com um padrão próprio, a Art Bike Bamboo não funciona apenas como uma linha de montagem e grande parte das encomendas são por veículos personalizados e estilizados. Se o cliente gosta de um modelo específico, eles pesquisam informações de geometria e design para entregar um produto nos mesmos moldes do que foi pedido.

– A gente também gosta de participar da escolha das peças junto com o cliente, porque temos bastante experiência e queremos ter nossa marca bem representada – conta o perfeccionista Klaus. 

– Em tudo que faço eu sempre busquei o melhor possível, para manter a qualidade máxima. Trouxe isso da Ospa, onde trabalho como músico e isso é esperado da gente – diz.



BAMBUCICLOTECA

A Art Bike Bamboo também entrou como integrante de um novo projeto cultural: uma biblioteca móvel, que é levada atrás de uma bicicleta. E, claro, tanto a bike quanto o reboque foram feitos com bambu. A ideia é carregar o veículo com livros de qualidade para serem usados como moeda de troca. A partir da doação de um ou mais exemplares, o leitor pode também escolher livros que o interessem e levar pra casa.

O lançamento da Bambucicloteca ocorre às 15h do dia 6 de julho – um sábado – no chafariz da Redenção. O projeto foi feito em parceria e com o patrocínio de Festipoa Literária, Cabaré do Verbo e Cidade Baixa em Alta.




Lucas Silveira, vocalista da Fresno*

DE ONDE SURGIU A PAIXÃO POR BIKES?

Surgiu por eu estar muito sedentário, querendo me locomover de outras maneiras, porque eu comecei a ver um pessoal andando de bicicleta em São Paulo, uma galera, e fiquei com inveja deles e aí pensei “não, eu também quero”.
Aí fui lá, comprei a bike e comecei a conectar com esse povo, fiz muitos amigos na bike. E hoje em dia a Fresno tá organizando uma turnê movida a bicicletas.

*A banda já fez alguns shows como parte do World Bike Tour, um evento sustentável onde bicicletas produzem energia limpa com as pedaladas do público.
http://kzuka.clicrbs.com.br/lifestyle/noticia/2013/06/escolha-a-sua-bicicleta-4174890.html

Nenhum comentário: