segunda-feira, 6 de maio de 2013

Onde estão as bicicletas do Brasil e para que servem?

Um cicloativista vai pedalar 17 mil km para responder àquelas perguntas.
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O Diário apoia Felipe e sua magrela
Felipe Baenninger é um fotógrafo paulistano de 25 anos que se desloca pela cidade de bicicleta durante o dia e passa as noites surfando nos sofás de amigos.
O Brasil é um país que tem uma frota de 70 milhões de bicicletas, segundo a Associação Nacional dos Transportes Públicos.
Transite  é o projeto de Felipe para conhecer e mostrar ao Brasil quem circula em suas bicicletas, e por quê.
Para realizar o Transite, Felipe vai continuar montado no selim da sua bicicleta – feita sob medida pelo framebuilder Igor Miyamura – mas os sofás serão trocados por outros, além da barraca, redes e, eventualmente, camas.
A idéia de percorrer o Brasil de bicicleta em busca dos caminhos dos ciclistas brasileiros, por incrível que pareça, nasceu nos rios enterrados de São Paulo. Felipe acompanhou durante algum tempo o projeto Rios e Ruas, que documenta os rios escondidos da cidade.
E então ele decidiu embarcar não numa canoa, mas na sua bicicleta. Como um personagem de Guimarães Rosa, a vida para ele é uma pedalada até a Terceira Margem do Rio.
O objetivo do Transite é contribuir para o debate sobre mobilidade no Brasil, que vai muito além das grandes cidades. “A travessia vai mostrar onde estão e para que servem as bicicletas. Essa curiosidade é o motivo do projeto, não há documentos desse porte”, diz Felipe.
Felipe conhece muito bem os problemas da mobilidade por bicicleta em São Paulo. Começou a pedalar numa velha magrela caiçara enferrujada em Caraguatatuba, no litoral do estado.
Morava no Jardim d’Abril, um bairro da periferia oeste da cidade ligado ao centro pelo eixo Raposo Tavares-Rebouças. Trabalhava no Paraíso, mas tinha receio de atravessar a Paulista. Aprendeu um caminho alternativo via Ibirapuera e continuou pedalando 17 quilômetros diários em cada sentido.
O desafio dele agora não são mais 17, mas 17 mil quilômetros em aproximadamente 400 dias. Mas, e o medo da Paulista, passou? “Não tenho medo, não posso ter medo como em São Paulo. Nós vivemos a indústria de um medo que foi incutido em nós. O projeto é sonhador por isso”, diz ele.
Felipe acredita na existência da indústria do medo: “Medo gera lucro, seja promovendo insegurança ou vendendo água potável engarrafada”. Vende automóveis blindados, alarmes e seguros, mas não bicicletas, consideradas “inseguras”.
O roteiro do Transite inclui cidades como Cáceres, no Mato Grosso, onde há mais bicicletas do que habitantes. Ou Rio Branco, no Acre, onde há mais ciclovias por habitante. Do Pará ao Rio Grande do Sul, e do Acre a Sergipe, o roteiro do Transite foi concebido para exibir os ciclistas dos grotões do Brasil, e não apenas das capitais. Para viabilizar o projeto, Felipe optou pela arrecadação de patrocínio colaborativo em rede – ou crowdfunding.
Os doadores que contribuírem para a realização projeto no site Catarse têm direito a algumas recompensas conforme o valor da doação, inclusive a reserva do fotolivro Transite, que vai mostrar a cara dos ciclistas do Brasil.
O Diário apóia o Transite porque apóia a bicicleta no Brasil.
Vamos pedalar juntos?

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