segunda-feira, 20 de maio de 2013

Nova York se prepara para chegada de bicicletas de uso livre

Em um estacionamento perto do East River em Nova York, Adriana hesita um momento com os pés no chão e depois se aventura numa bicicleta, que começa a rodar lentamente em ziguezague para a alegria desta mulher que nunca aprendeu quando criança.
É sexta-feira à noite e Adriana Alltari, uma engenheira de 32 anos, faz parte de um pequeno grupo de 20 adultos, a maioria mulheres, que tentam se equilibrar sobre duas rodas com a ponte do Brooklyn como pano de fundo.
Assim como muitos nova-iorquinos, Adriana quer estar pronta para a chegada, no fim de maio, das "bicicletas urbanas" ('citi bikes'), milhares de bicicletas de uso livre que vão transformar os costumes e a paisagem da cidade.
A mulher leu tudo sobre o programa seis meses atrás, embora tenha tido que esperar porque foi adiado em duas ocasiões.
Em seguida, encontrou cursos gratuitos de ciclismo que oferecem a associação "Bike New York". Como os meses de março e abril estavam lotados, matriculou-se para maio e após duas horas, os estreantes já pedalavam como profissionais.
"Dá medo, mas é muito divertido", disse, admitindo que precisa treinar um pouco mais.
Ainda que o dia de lançamento não tenha sido anunciado oficialmente, a maioria das estações para bicicletas azuis já foi instalada em Manhattan e no Brooklyn.
Alguns vizinhos protestaram ao ver desaparecer suas vagas de estacionamento, porém mais de 8.000 pessoas já adquiriram a assinatura anual por 100 dólares nas últimas semanas.
O programa promete mudar a cidade: 6.000 bicicletas distribuídas em 300 estações a princípio, com o objetivo final de 10.000 bicicletas e 600 estações.
Nova York se tornará a terceira cidade do mundo em número de bicicletas para uso livre, atrás de Hangzhou (China), com 60.000, e Paris, com 20.000.
O princípio é o mesmo daquele na maioria das outras cidades onde o sistema foi adotado: a pessoa compra um bilhete diário ou semanal ou uma assinatura anual para trajetos limitados a 30 ou 45 minutos. Se a bicicleta for usada além deste tempo, paga-se um valor adicional.
Para que o lançamento seja um sucesso, foram organizados cursos teóricos de bicicleta urbana. A maioria deles não tem mais vagas disponíveis.
Depois de ter experimentado uma bicicleta azul, David Dartley, um artista de 38 anos ficou encantado e está disposto a utilizá-la para todos os seus deslocamentos profissionais curtos em Manhattan.
"É melhor que o táxi ou o metrô. E também poderia sair para tomar uns drinques nos bares à noite sem ter que me preocupar em voltar com a bike, pois a deixaria lá", explicou.
Alguns ainda têm dificuldade em se imaginar pedalando em meio à maré diária de táxis amarelos, mas David é otimista.
"As pessoas têm muita imaginação. Pode dar medo, mas quando há tantas bicicletas, os veículos vão ter que se acalmar um pouco e todo mundo ficará mais seguro, inclusive os pedestres", assegura.
Elizabeth Haddad, uma escritora de 26 anos, está mais preocupada, mas também disse que quer tentar: "Vou usar um capacete, vale a pena".
Elizabeth teve sua bicicleta roubada há pouco tempo e sente-se feliz com a chegada do programa.
"Usei na França e foi realmente muito bom", explicou, acrescentando que só lamenta que as 'bikes' nova-iorquinas não tenham a cestinha na na frente como as francesas.

http://noticias.terra.com.br/ciencia/sustentabilidade/nova-york-se-prepara-para-chegada-de-bicicletas-de-uso-livre,b69a75434c8ae310VgnCLD2000000ec6eb0aRCRD.html

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