quarta-feira, 8 de maio de 2013

Bicicletas no trânsito: criar faixas exclusivas é só o começo - RJ


Delimitar áreas é tão fundamental quanto punir infratores - seja quem dirige ou pedala, diz presidente da Federação de Triathlon do Estado do Rio de Janeiro

Homenagem ao ciclista Pedro Nicolay, que morreu após ser atropelado por um ônibus
Homenagem ao ciclista Pedro Nicolay, que morreu após ser atropelado por um ônibus - Bruno Poppe/Agência O Globo
Hoje, o Rio tem 700 ciclistas federados - o dobro do ano passado. Se somados os praticantes sem vínculo com a instituição, o número passa de 3.000 na cidade
Os cariocas estão descobrindo que morar em uma cidade “amiga das bicicletas” vai além de ter ciclovias ou faixas para treinamento de ciclistas. A responsabilidade de quem pedala também deve ser cobrada, assim como são fiscalizados os motoristas. A medida imediatamente tomada após o atropelamento de dois ciclistas no Rio, com a morte de um deles – o dentista e triatleta amador Pedro Nikolay, na terça-feira – foi a criação de faixas exclusivas para os atletas na pista do Aterro do Flamengo. Para o presidente da Federação de Triathlon do Estado do Rio de Janeiro (FTERJ), Julio Alfaya, a decisão é bem-vinda, mas ainda insuficiente para evitar novas mortes. "Precisamos de uma regulamentação que preveja punição não só aos motoristas, mas também aos ciclistas, que devem estar sempre usando capacete, andar nos horários estabelecidos, e nunca na contramão", disse, em entrevista ao site de VEJA.
Atletas têm necessidades diferentes dos ciclistas que usam a bicicleta para trabalhar ou passear. Andam em grandes grupos, em velocidades próximas dos 50 km/h e em horários concentrados no início da manhã. Por isso não são o tipo de ciclista que usa as ciclovias – o que seria perigoso para eles próprios e os amadores. "Alguns técnicos têm organizado uma infraestrutura própria, com carro de apoio e batedores de moto, mas o município precisa se envolver", diz Alfaya, que considera os últimos acidentes uma prova de que os riscos vêm crescendo para os ciclistas.
Particularmente por estar prestes a receber competições internacionais em 2016, a cidade precisa se adaptar. Para Alfaya, é necessária fiscalização de agentes de trânsito no período de circulação de atletas, em geral das 4h às 6h. A promessa do prefeito Eduardo Paes é de separação das faixas exclusivas por cones, o que aumenta o nível de segurança de quem pratica esportes como ciclismo e triatlo. O trecho do Aterro do Flamengo ao Hotel Glória, na Zona Sul, ganhará área delimitada com cones, próxima ao canteiro central. A exclusividade vai das 3h30 às 5h30. 
"Reivindicamos as mesmas ações para outros locais, como Campo Grande e Barra da Tijuca, na Zona Oeste, e no entorno do Macaranã, quando terminarem as reformas do estádio", acrescenta o triatleta. O importante, ressalta, é que os trechos para treinamento não fiquem restritos à Zona Sul, para que ciclistas de outros bairros não precisem se deslocar longas distâncias – o que acarretaria outro problema. Hoje, o Rio tem 700 atletas federados - o dobro do ano passado. Se somados os praticantes sem vínculo com a instituição, o número passa de 3.000 na cidade, estima Alfaya.
Atropelamentos - O Rio de Janeiro teve três acidentes marcantes em abril, dois deles com morte: na madrugada de terça-feira, o triatleta Pedro Nikolay morreu após ser atingido por um ônibus em Ipanema; na manhã seguinte, Alberto da Silveira Júnior ficou ferido após ser atingido por um carro próximo à Praça da Bandeira, na Zona Norte; e no início do mês, a produtora e diretora de TV Gisela Matta morreu após ser atropelada por um ônibus no Leblon. Gisela estava no trânsito, na mão do sentido dos carros, e passagem ao lado de um coletivo. O motorista não enxergou a ciclista, que possivelmente estava em um ponto cego do espelho retrovisor. Nikolay treinava em uma área com faixa preferencial no horário dos treinos.

Dez regras para pedalar com segurança

Orientações básicas podem salvar a vida de ciclistas que devem dividir espaço com veículos. O risco existe, portanto, leve sempre um documento de identificação e contatos de emergência.

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Mão e contramão

Pedale no mesmo sentido dos carros. É equivocada a impressão de que, na contramão, você verá os veículos com mais facilidade. Quando a bicicleta anda na mão correta, o motorista tem maior tempo de reação. Em sentidos contrários, a velocidade da bicicleta se soma à do carro. Ou seja: um ciclista a 20 km/h que encontra um automóvel a 60 km/h vai aparecer, para os condutores, a 80 km/h, uma velocidade inesperada e muito acima do que os reflexos humanos estão preparados para receber naquele momento.
Leia também:

http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/bicicletas-no-transito-criar-faixas-exclusivas-e-so-o-comeco

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