segunda-feira, 15 de abril de 2013

“Ciclismo pegou no resto do mundo, mas não aqui”


11/04/2013 Lilia Glazko, Moscow News
O diretor do Departamento de Cultura de Moscou, Serguêi Kapkov, falou a estudantes da Mgimo (Instituto de Relações Internacionais de Moscou) sobre as últimas tendências em lazer e cultura do moscovita, as falhas e os pontos fortes da capital.
“Ciclismo pegou no resto do mundo, mas não aqui”
Crise cultural
Para Kapkov, faltam pessoas criativas na capital. “Não temos uma figura emblemática de nossos tempos. [O cantor] Vladímir Visótski foi uma figura emblemática dos anos 70, Zemfira, de dez anos atrás. Enfrentamos uma crise cultural.”
As diferenças entre Moscou e São Petersburgo
“São Petersburgo inventou o mito de ser o berço da cultura russa e segue acreditando nele até agora. A presença do Estado nos assuntos culturais ali é muito maior que em Moscou. São Petersburgo tem o Museu Hermitage, o Museu Russo e um público conservador. Já Moscou é uma cidade onde se faz dinheiro e carreira.”
O trabalho do Departamento de Cultura
“O Departamento de Cultura de Moscou administra as atividades culturais e disponibiliza anualmente 32 bilhões de rublos [cerca de R$ 200 milhões] aos mais diversos estabelecimentos. Liberamos verbas para todos, de piadistas a teatros de ópera. Se o estabelecimento cultural ao qual alocamos dinheiro tem um bom diretor, as verbas são aplicadas corretamente.”
A cultura na época soviética
“Os bairros residenciais de Moscou foram concebidos na época de Khruschov e Brejnev. As pessoas trabalhavam em fábricas e iam à noite ao centro da cidade para preencher seu tempo livre. O sistema foi pensado nos menores detalhes. Aspresentações teatrais começavam às 20h. Mais tarde, porém, passaram a começar às 19h00, para que os moscovitas pudessem assistir ao telejornal Vrêmia [em russo, “Tempo”], que começava às 21h30. O Ministério da Cultura era uma organização ideológica. Agora, devemos construir algo novo, embora ainda ninguém saiba o quê.”
Educação cultural
“Segundo pesquisas de opinião pública recentes, um moscovita médio gasta com a cultura em torno de 13 a 14 horas por semana, ou seja, duas horas por dia, e 7% de seu orçamento. Enquanto isso, seus investimentos em educação não ultrapassam os 2%. Moscou oferece excelentes possibilidades, ilimitadas, em termos de educação, desde cursos de idiomas até escolas de artes. Atualmente, as áreas lazer mais cobiçadas são bares e restaurantes. Em segundo lugar, vêm os teatros, cinemas etc. Cursos de todo tipo fecham a lista, embora os indicadores da vida cultural metropolitana ultrapasse em 2,5 vezes os registrados no resto da Rússia. Enquanto em Moscou 30% dos moradores nunca foram ao teatro, em outras cidades da Rússia esse índice chega a 60%. A mesma situação se verifica em relação aos museus.”
Os moscovitas e os shopping centers
“Os moradores dos bairros residenciais preferem seu passar tempo livre em shoppings fora de Moscou porque é cômodo: os shoppings oferecem até 17 salas de cinema, lanchonetes, lojas etc. Ou seja, eles atendem de uma só vez a várias necessidades do consumidor. Não posso dizer se isso é bom ou ruim. Muitas cidades dos EUA registram uma situação semelhante, apresentando, contudo, um nível cultural muito mais alto do que em nosso país.”
Eventos culturais do Parque Górki no próximo verão
“O Parque Górki prepara uma programação rica em atividades culturais e de recreação para o próximo verão. Por outro lado, não queremos que o parque vire uma filial do Vassílievski Spusk, na Praça Vermelha, que realiza atividades que reúnem grandes multidões. Gostaríamos de fazer com que o Parque Górki fosse um lugar para passear, andar de patins, deitar na grama e relaxar. Mas a programação é, de qualquer maneira, extensa e inclui shows e festivais, além das atividades comemorativas do Dia do Soldado Paraquedista.”
A necessidade de festivais
“Moscou precisa muito de festivais para dar ânimo à cidade e seus moradores. As condições climáticas em que vivemos são tais, que precisamos sempre de uma espécie de choque. Os festivais devem ser regulares e distintos. Infelizmente, nossa cidade nunca foi uma cidade de festivais e shows, embora já tenha uma experiência bem-sucedida de realizar projetos de um só dia, como o 'Noite no Museu', que envolveu 900 mil pessoas em 2012, a maioria jovens com idades entre 18 e 28 anos. O projeto não tinha nada de especial além de os museus estarem abertos durante a noite inteira. Mas, de acordo com pesquisas, as pessoas iam para conversar e se encontrar com amigos e companheiros. Muitos se conheciam nas filas e faziam novos amigos. Na Europa, o 'Noite no Museu' acontece duas vezes por ano. Nosso objetivo é inventar algo novo. Neste ano, por exemplo, concretizamos o 'Noite no Teatro'.”
Cicloturismo
“Neste ano, destinamos verbas a três festivais de cicloturismo: o Tweed Run, o Passeio de Cicloturismo Noturno e o traduicinal passeio no Parque Górki. Por enquanto, o ciclismo não passa de uma opção de lazer em Moscou. No metrô, não é permitida a entrada de bicicletas. Mas, neste ano, chegamos a um acordo com a direção dos transportes públicos que circulam pelo linha do anel do metrô, para que se reservem lugares especiais a pessoas com bicicletas. O tema das ciclovias também está entre nossas prioridades.”
Mentalidade e filosofia russa
“Muitos especialistas estrangeiros não se cansam de falar sobre a necessidade de criar áreas exclusivas para pedestres no centro de Moscou.  Reconhece-se, porém, que nas antigas repúblicas soviéticas o automóvel é um símbolo de liberdade. Na URSS, era praticamente impossível comprar um automóvel. Enquanto nos EUA as compras de carros diminuem devido à moda de andar de bicicleta, na Rússia verifica-se uma tendência contrária.”
Copa do Mundo de 2018
“Nos preparativos para o campeonato mundial, a cidade planeja reconstruir os estádios Lujniki e Spartak. A capacidade dos estádios envolvidos na disputa da Copa estará de acordo com os requisitos da Fifa e da Uefa: o estádio de abertura da Copa do Mundo terá capacidade para 80 mil pessoas e os restantes, para mais de 50 mil.”

Publicado originalmente pelo Moscow News

http://gazetarussa.com.br/sociedade/2013/04/11/ciclismo_pegou_no_resto_do_mundo_mas_nao_aqui_18569.html

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