segunda-feira, 29 de abril de 2013

Americana rompe tabu ao incentivar afegãs a andarem de bicicleta

Shannon Galpin criou a ONG Mountain2Mountain em 2006 para auxiliar mulheres em zonas de conflito

Americana rompe tabu ao incentivar afegãs a andarem de bicicleta Justin Edmond/The New York Timesa

Em novembro, Shannon Galpin pedalava sua bicicleta de marcha única pelas colinas de Cabul. Era sua décima-primeira visita ao Afeganistão, e ela estava acostumada com a vista de caravanas de camelos, tanques soviéticos abandonados e soldados varrendo o deserto atrás de minas terrestres.
Uma coisa que ela não tinha visto era outra mulher andando de bicicleta. Uma tarde, porém, um barista de um café local que, por coincidência, é ciclista amador disse a Galpin que não só havia mulheres afegãs andando de bicicleta, mas que elas haviam formado a própria equipe de ciclismo. Vestidas com calças e mangas longas, com lenços enfiados debaixo dos capacetes, elas praticavam nas rodovias antes do amanhecer em montain bikes antigas, acompanhadas pelo treinador da equipe masculina de ciclismo.
— Eu não pude acreditar — disse Galpin, de 38 anos, ex-instrutora de Pilates em Breckenridge, Colorado — Eu estive nas áreas mais liberais do país, e nunca vi sequer uma garotinha andando de bicicleta, que dirá uma mulher adulta.
Para as mulheres no Afeganistão, andar de bicicleta é um tabu. O que é considerado comportamento apropriado varia de uma família e uma comunidade para outras, mas mulheres andando de bicicleta é algo "geralmente considerado imoral", disse Heather Barr, que pesquisa o Afeganistão para a Human Rights Watch.
Na hierarquia das ofensas culturais cometidas por mulheres, o feito fica entre dirigir um carro e os "crimes morais", que incluem fugir de casa ou ser vista na companhia de um homem que não seja da família.

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