quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Homem de cem anos e força para pedalar


Durval, 100 anos, conta história para o amigo Dairão do HG
Atualizado em 09/02/2013
Já imaginou viver mais que cem anos? E chegar a essa idade com certa lucidez, saúde estável, andando de bicicleta e com humor indescritível? Essas são as marcas do centenário negro e de alta estatura, Durval Américo da Silva, com registro de 100 anos de vida. Porém, o ancião discorda dos dados do seu Registro Geral (RG) confeccionado em 1987 quando um amigo cuidou dos trâmites para sua aposentadoria. Nascido em Patos de Minas (MG), Durval diz ter visto muitas maldades com os negros que, segundo ele, continuaram escravos por muito tempo. Já servindo o Exército, se envolveu em um tiroteio após um jogo de futebol, em outra cidade de Minas Gerais e teve que sair fugido para evitar o pior, deixando mulher, filho e documentação para trás.
"Eu tinha um chute muito forte. Quando chutei pra marcar o gol... caiu a bola e o goleiro desmaiado dentro do gol. Daí começou uma confusão, veio a polícia pelo meio e naquela época a gente andava armado. A coisa ficou feia, não gosto nem de lembrar disso", asseverou seu Durval. Depois de passar por alguns lugares, Durval encontrou seu "porto seguro" em São Miguel do Araguaia, onde por muitos anos trabalhou como caminhoneiro, transportando arroz para Anápolis. Nessa época ganhou o apelido de azulão e começou a beber, segundo ele, por influência de um amigo que colocou pinga dentro de um coco verde e lhe deu para provar. Após um envolvimento amoroso que mantinha na região, uma nova desavença.
"Eu gostava muito daquela mulher e eu dizia pra ela: Se alguém mexer com você, você não me conta, mas eu perguntei pra ela e ela me contou. Daí não prestou não", contou Durval. De acordo com o ancião, quando se mudou para Novo Planalto havia apenas duas ou três casas. Durante muitos anos, trabalhou na lavoura. Ali teve muitas alegrias com sua atual esposa, Aurelina Gonçalves da Silva, 70 anos, com quem teve dois filhos e acumulou muitos amigos com seu bom humor. "Eu faço muita brincadeira, mas com respeito, e a mulherada me chama de macaco. Aonde eu chego o povo me chama e fala assim: Lá vem o macaco. Quando eu passo, eles me chamam: Vem aqui macaco, vem aqui macaco, e eu dou risada". 
Risada foi o que não faltou nessa conversa desde o início da entrevista. Ao chegarmos na sua casa para a entrevista e chamá-lo pelo nome, Durval respondeu assim: "Quem qué luitar com o véio ai" (SIC) e apareceu com as mãos empunhadas e um sorriso no rosto. Outro detalhe que chamou a atenção foi o certo ciúme que ele ainda provoca na esposa, Aurelina. "Ele é muito é assanhado. Quando chega um homem aqui, ele não se lembra do nome, esquece do rosto, mas, se vê uma mulher lá longe ele fala o nome dela na hora". Durval se defende dizendo que é preciso viver com bom humor e acrescentou que brinca muito com todos, porque ninguém vai bater em um velhinho como ele. "Talvez seja por isso que estou vivo até hoje. Mas, também é porque ela (Aurelina) cuida de mim, faz tudo pra mim, porque eu sou bonitinho, né"?, brinca Durval mais uma vez. 
TRISTEZA
Com Aurelina, Durval teve dois filhos e tem um neto, porém, nem tudo é alegria na vida de Durval. "Eu tenho muito desgosto nessa vida porque perdi meu filho em um ato de muita crueldade. Três homens o pegaram na vingança, enquanto ele estava dormindo e cortou ele todo. Foram uns trinta corte de facão, no ano de 2007", lembrou com tristeza. Há pouco mais de um ano, Durval descobriu que tinha Diabetes e passou a ter a vida mais regrada. Em poucos minutos ele coloca mais uma vez um sorriso no rosto de revela que tentaram fazer uma surpresa de aniversário pra ele, porém ele descobriu e se escondeu. "A mulherada queria quebrar ovo na minha cabeça. Depois de uns dias elas me viram passando e queria me pegar. Então eu fingi que estava passando mal, quando elas me soltaram eu montei na bicicleta e só lá na frente eu falei que era mentira e fui embora", disse Durval, sorrindo.


  Galeria de Imagens

Aos 100 anos andando de bicicleta

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