segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A história do pioneiro que fabricou motos no Brasil bem antes da chegada das japonesas

Publicado em 23 de janeiro de 2013 por Concentra
JASON VOGEL

RIO – Naquele tempo, poucos no Brasil sabiam o que era Honda ou Yamaha… Para a garotada que curtia motocicletas, o barato era a Leonette, uma “cinquentinha” fabricada em Bonsucesso. A marca nacional, que foi coqueluche na década de 1960, hoje está praticamente esquecida. Mas os registros de sua existência resistem nas memória do fundador da empresa, Leon Herzog, e de seu filho Alex.
Para lembrar a saga da fábrica pioneira é preciso contar a vida de seu Leon, que foi atropelada pela História.
Aos 20 anos, ele era um judeu em um péssimo lugar para se estar em 1939: a Polônia. Sua família tinha uma pequena fábrica de bicicletas quando os nazistas invadiram o país. Leon e os parentes foram mandados em 1942 para o gueto que concentrava os judeus de sua cidade, Ostrowieck. Por se recusar a sair de casa, seu pai foi morto pela Gestapo.
E Leon conheceu os horrores do Holocausto: fome, trabalhos forçados, tifo, cães pastores latindo, execuções e deportações para campos de extermínio em vagões de gado.
Para fugir do gueto, Leon usou uma identidade falsa, de polonês não-judeu. E, com o nome Jan Grabowski, entrou numa frente de trabalhos forçados que o levou à Alemanha – pior lugar possível para se estar durante o regime nazista.
Na Alemanha, Leon foi trabalhar numa fazenda. Consertava máquinas, operava o trator e arava a terra. Viu bombardeios aliados e o desespero dos nazistas. E, assim, garantiu sua sobrevivência até a chegada das tropas americanas, em 1945.

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