quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Vai pedalar no Parque do Ibirapuera? Então tenha cuidado com furtos de bike



Cena do documentário "Gone in 60 seconds - The bike crime wave". O doc fala sobre o crescente mercado de bikes roubadas e furtadas em Londres. Nesta cena, os produtores do documentário simularam um furto à luz do dia bem em frente à sede da New Scotland Yard (que aparece ao fundo, à esquerda), polícia metropolitana de Londres.
Há pouco mais de uma semana, uma amiga me escreveu relatando o furto de uma bicicleta no Parque do Ibirapuera. A bicicleta era de um amigo com o qual ela fora fazer cooper no parque no dia 11 de dezembro, por volta de 20hs. Segundo ela, o Ibirapuera estava cheio, e a bicicleta foi deixada acorrentada em um suporte bem próxima de uma das câmeras de segurança do local. Ao voltarem, a corrente havia sido cortada e a bike já não estava mais lá.
“Ficamos uns 40 minutos procurando um guarda ou policial no parque e nada! O PM do posto da IV Centenário disse que eles só respondem por crime de trânsito. Ninguém tem acesso às imagens da câmera (isso se ela estiver realmente funcionando). A orientação foi que fizéssemos um registro/queixa no site da prefeitura”, escreveu minha amiga, que terminou seu relato com um dado, no mínimo, curioso: “a preocupação nem é recuperar a bike. Mas a questão da segurança, sim, é preocupante. Há algum tempo passou uma reportagem no “Jornal Hoje” elogiando a segurança do parque, mas até os vendedores de água de coco lá dentro dizem que há tempos não veem policiamento. Dizem que os guardas só aparecem às 22h para fechar os portões”.
Outros furtos em um mesmo dia
A reportagem à qual minha amiga se referiu é a que segue neste link, exibida no dia 18 de setembro desse ano no Jornal Hoje, da Rede Globo. Nela, a repórter diz que “pelas câmeras instaladas no Parque do Ibirapuera, é possível acompanhar tudo o que acontece, em detalhes. O equipamento amplia em 35 vezes e mostra o que está a dois quilômetros de distância. As câmeras também emitem um alerta para chamar a atenção do operador para qualquer situação fora do normal”.
Dois dias depois que recebi a mensagem dessa minha amiga, encontrei um outro amigo que pedala e que também havia tido sua bicicleta furtada no dia 8 de dezembro no Parque do Ibirapuera. Segundo ele, o policial com o qual conversou sobre o ocorrido também disse que não poderia fazer nada, e que naquele dia, pelo menos outras duas bicicletas já haviam sido furtadas, e que isso configurava um fato comum na rotina do parque.
O que diz o Parque
Na Bike acabou de entrar em contato com a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SMVMA), à qual o Parque do Ibirapuera está submetido, para saber se havia dados a respeito dos furtos de bicicletas e se alguma providência estava sendo tomada. Até o momento, segundo a assessoria, não há dados consolidados sobre esse tipo de ocorrência. Foi informado também que uma nova equipe de segurança começou a atuar recentemente no Ibirapuera. Sobre o acesso às imagens das câmeras de vigilância, o blog foi informado de que estas são de responsabilidade da Secretaria Municipal de Segurança Urbana (SMSU), e que era preciso falar diretamente com esta secretaria sobre o assunto. O Na Bike acaba de enviar à assessoria da SMSU uma solicitação formal de entrevista com algum responsável pelo tema. Em breve o blog espera divulgar novas informações.
Efeito colateral
É evidente o aumento do uso da bicicleta na capital paulista, seja como meio de transporte ou lazer. Em si, o fato é excelente, mas também traz consigo o efeito colateral do aumento do número de furtos e roubos de bike. Em cidades onde a bicicleta é usada largamente há tempos, como em Londres, por exemplo, já existe um verdadeiro mercado de bikes roubadas (veja documentário Gone in 60 seconds aqui), alimentado, de um lado, por pessoas interessadas em comprar itens roubados e, por outro, por pessoas dispostas a usar suas “habilidades criminosas” para abastecer esse mercado.
Em São Paulo, o mercado de bicicletas roubadas e furtadas começa a ganhar corpo no Largo do Paissandú, no centro da capital, onde funciona o já conhecido (inclusive pela polícia) “Mercado do Rolo”. Todas todas as noites, por volta das 18, 19 horas, centenas de homens e mulheres se encontram no largo e negociam itens de procedência duvidosa – roupas, relógios, smartphones, tablets, computadores e, mais recentemente, muitas bicicletas.
Proteja sua bicicleta
Evite depender exclusivamente da segurança pública para proteger sua bike. Mais do que escolher um lugar seguro para estacioná-la (segurança que, muitas vezes, é ilusória, como se pôde ver nesse post), é preciso dificultar a vida do ladrão e prender bem a bike, com cabos e travas difíceis de serem arrebentados. Veja aquicomo fazer isso. Por fim, não alimente esse mercado. Se algum dia você se deparar com acessórios e mesmo bicicletas de procedência e preços duvidosos, não compre, não compactue. O mercado criminoso só deixa de existir pela falta de compradores.

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