sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Projeto Duas Rodas - Ribeirão das Neves à Cochabamba de bicicleta



Projeto Duas Rodas - Ribeirão das Neves à Cochabamba

Elber Mourão vai pedalar cerca de 4.000 km para dizer novamente que a bicicleta é possível

O segundo sargento do Corpo de Bombeiros, Elber Mourão, de 37 anos, ficou famoso em Belo Horizonte quando, em 2010, realizou uma grande viagem para Buenos Aires, na Argentina, de bicicleta. Agora, três anos depois ele se prepara para viver outra aventura. Dessa vez, Elber Mourão irá pedalar cerca de quatro mil quilômetros até a cidade de Cochabamba, na Bolívia.
A saída está marcada para o dia 2 de fevereiro (sábado) e a concentração para que todos desejem boa sorte ao aventureiro acontecerá, às 8 horas, na Avenida Jubeline, número 361, em Ribeirão das Neves, cidade onde reside. Até lá, ele segue em sua rotina, trabalhando no Pelotão do Corpo de Bombeiros, utilizando a bicicleta como meio de transporte a qualquer lugar que precise ir. “O que é uma constante há muitos anos quando me tornei um cicloativista”, completou.
Elber Mourão afirma que o grande objetivo da viagem é falar novamente para toda a sociedade que é perfeitamente viável trocar os veículos automotores por alternativas que trazem melhor qualidade de vida individual e coletiva. “Todos saem ganhando com mais bicicletas rodando nas ruas: o individuo que terá mais saúde e a sociedade que terá uma cidade menos congestionada, menos poluída e com menos acidentes violentos”, frisou.

De Ribeirão das Neves à Cochabamba

A ideia de ir para Cochabamba surgiu depois que Elber Mourão retornou de Buenos Aires e antes mesmo de descansar já começou a planejar a segunda aventura sobre duas rodas. “Pensei em pedalar na Europa, traçar um percurso interessante, mas seria bem mais oneroso do que viajar pela América Latina”, comentou.
Dessa maneira, o novo destino do Projeto Duas Rodas foi escolhido depois de muita pesquisa e bate-papo. “Certo dia, conversando com um amigo sobre os planos para uma próxima viagem me veio aquela música de Pepeu Gomes ‘A Lua e o Mar’, que diz: ‘de Canoa Quebrada até Cochabamba’. Então pensei, porque não de Ribeirão das Neves até Cochabamba”, lembrou. Além disso, o destino também foi escolhido pela fato do percurso contemplar as belas paisagens do Pantanal.
Importante ressaltar que, ao contrário da aventura para Buenos Aires, durante a viagem para Cochabamba, Elber não terá a companhia de um amigo em uma moto, como aconteceu na viagem até Buenos Aires. “Ele me acompanhou até a fronteira com a Argentina e dessa vez ele iria me acompanhar até a divisa com a Bolívia, mas como grande parte do percurso é em território boliviano, optei por encarar toda a viagem sozinho”, esclareceu.
Ainda segundo Elber Mourão, percorrer cerca de quatro mil quilômetros sozinho e de bicicleta lhe proporcionarão momentos de autoconhecimento e meditação. Além disso, ele espera encontrar muitos lugarejos interessantes, com gente simples e acolhedora. “Vou passar por regiões remotas e não faço a mínima ideia do que vou ver. Só sei que a Bolívia é um país com fortes tradições indígenas e que vou subir 500 quilômetros da Cordilheira dos Andes”, acrescentou.
A previsão de duração da viagem é de 25 dias, já contando com paradas para aclimatação em altitudes de até 3.900 metros, que serão enfrentadas na passagem pela Cordilheira dos Andes no território boliviano. Além das dificuldades com a altitude, o ciclista também estará preparado para as condições climáticas extremas que é típico dessa região.

Elber Mourão

Elber Mourão é militar do Corpo de Bombeiros há 14 anos e graduado em Geografia e Análise Ambiental. No início de sua carreira, costumava utilizar o transporte coletivo, mas isso o estava incomodando. Então, sem condições financeiras para comprar um carro ou uma moto, ele adquiriu uma bicicleta. “E foi amor a primeira pedala!”, disse.
Como a paixão pelo ciclismo ganhou forma, ele começou a fazer pequenas viagens pela Região Metropolitana de Belo Horizonte, mas foi somente em 2006 que Elber resolveu ir mais longe. Viajou para o Rio de Janeiro, a bordo da bicicleta. Depois disso não parou mais.
“Antes de seguir rumo à Buenos Aires pensei comigo que, se uma pessoa fosse influenciada pelo meu projeto e passasse a pedalar, teria cumprido meu objetivo. Mas, para minha felicidade, muitas foram as pessoas que chegaram até dizendo ter mudado de vida ao adquirir uma bicicleta, inspiradas no Projeto Duas Rodas”, disse orgulhoso.
Camila Martucheli
(Jornalista | Assessora de Imprensa)

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