sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Prefeitura de BH pretende investir 50 milhões de reais em ciclovias até 2020


Projeto polêmico quer estimular moradores a adotar a bicicleta como meio de transporte

por Paola Carvalho | 23 de Janeiro de 2013
Nidin Sanches/Odin

A geógrafa Manuela Andrade, na Rua Antônio Aleixo, em Lourdes: "Nós, ciclistas, fazemos parte do trânsito, assim como o condutor de qualquer outro veículo"

As ciclovias estão se espalhando pela cidade. Existem hoje 47,7 quilômetros e até o fim do ano, segundo a prefeitura, serão 100. O plano é chegar a 200 quilômetros de rotas cicloviárias até 2016 e a 380 até 2020. Ao custo médio de 150 000 reais por quilômetro, será um investimento de cerca de 50 milhões de reais, com recursos do cofre municipal e do Banco Mundial. A expectativa é que, com o programa concluído, 6% de todos os deslocamentos pela cidade ocorram sobre a magrela - ou seis vezes mais do que hoje. A proposta, porém, provoca polêmica. Há quem não veja sentido no projeto e argumente que a topografia acidentada da capital é um limitador natural para o uso das bikes como meio de transporte por aqui. Ou quem acuse a administração municipal de, ao destinar faixas exclusivas a elas, deixar menos espaço para os carros, complicando ainda mais o trânsito. Quem já aderiu às duas rodas protesta. "Andei de bi­­cicleta em Dublin, na Irlanda, e Amsterdã, na Ho­­landa, onde o trân­­sito também é caótico, e nesses lu­­gares todos respeitam o ciclista", diz a geógrafa Manuela An­­drade, de 31 anos, que desde os 16 faz boa parte de seus deslocamentos em duas ro­­das. "Somos parte do trânsito, assim como o condutor de qualquer outro veículo." Ela tem razão, está no Código Brasileiro de Trânsito. E os ciclistas parecem mais dispostos do que nunca a exercer o direito de circular pelas vias públicas.

Moradora do bairro Gutierrez, a bióloga Laila Pimenta, de 25 anos, aderiu à bicicleta como meio de transporte quando entrou para a faculdade, há seis anos - de casa até a PUC Minas, no Coração Eucarístico, pedalava 12 quilômetros todos os dias. Desde que optou por deixar o carro na garagem, vem testemunhando o crescimento do número de ciclistas pelas ruas, bem como o aumento de lojas especializadas para esse público. "Quando comecei, minha família e meus amigos achavam que eu estava louca, mas depois foram percebendo que era possível e saudável", conta. "Agora, até a minha mãe anda de bicicleta." Em 2005, o programa Pedala BH foi incluído no planejamento estratégico da BHTrans, que administra trânsito e transportes na metrópole. "Se Belo Horizonte tem montanhas, também tem fundos de vale, ou seja, áreas planas", ressalta o supervisor de projetos da empresa municipal, Mauro Luiz Oliveira. Segundo ele, o mapeamento das ciclovias segue o traçado hidrográfico, a disponibilidade de espaço nas ruas e as recomendações de segurança. "O que buscamos é o uso compatível das vias pelas bicicletas e por outros veículos, sem comprometer as oportunidades de estacionamento e o acesso às garagens."
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