quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Etiqueta na bicicleta: como o ciclista deve se comportar no trânsito


Magrela, camelo, bike, não importa o apelido: elas vieram para ficar nas ruas das grandes cidades brasileiras, mas é preciso estar atento às leis

26/01/2013 07h04
etiqueta na bicicleta: globo ecologia (Foto: Divulgação)Ciclista pedala corretamente: com capacete, pela rua e com tranquilidade (Foto: Divulgação)
O rapaz anda displicentemente pela calçada, ziguezagueando por entre as pessoas. Já a moça ignora o sinal vermelho e passa por um cruzamento importante sem se preocupar com os carros que começam a descer em sua direção. Poucos metros à frente, alguém pedala pelas ruas e, ali ao lado, a ciclovia segue vazia. Em outro momento, um homem quase atropela uma senhora que descia do táxi. Ele tinha avançado o sinal de bicicleta. Já um menino de 8 anos não teve a mesma sorte e foi atingido por um ciclista que ignorou um outro sinal vermelho.
Cenas como essas foram vistas durante um dia na Zona Sul do Rio de Janeiro. As infrações e a falta de etiqueta e de bom senso de ciclistas e motoristas geram uma discussão normal num momento em que a magrela é o meio de transporte escolhido por muitos brasileiros para fazer deslocamentos curtos.

“Muitos ciclistas andam na contramão para poder enxergar melhor o trânsito. Mas o fato de usar uma bicicleta, não lhe dá direito de andar na contramão. Quando você compra um carro, faz treinamento e tem um guia de regras a seguir. Mas, quando você compra uma bicicleta, ela não vem com manual que ensine como usar e como se comportar”, comenta Martin Montingelli, que trocou os 20 anos de trabalho no mundo publicitário para viver de incentivar o uso da bicicleta através do projeto Bike Forever, misto de loja e ONG.
Altamirando Moraes: subsecretário municipal de meio ambiente do rio de janeiro globo ecologia (Foto: Divulgação)Altamirando Moraes: o subsecretário municipal do
Meio Ambiente percorre as ciclovias cariocas para
inspecionar (Foto: Divulgação)
Segundo Martin, usamos 30% do espaço público para o deslocamento. “É muito. Por isso, a tendência é usarmos mais o transporte coletivo e a bicicleta também”, diz.. Não é para menos. Só no Rio de Janeiro são cerca de 2,5 milhões de automóveis. “Se eles saíssem às ruas ao mesmo tempo não conseguiriam se deslocar”, afirma o subsecretário municipal do Meio Ambiente Altamirando Moraes. “O carro substituiu as pernas das pessoas”, resume.

Altamirando é responsável pelas ciclovias e ciclofaixas do Rio. Hoje, são 304 quilômetros e cerca de 1.000 deslocamentos diários de bicicleta pela cidade. “Ou seja, 5% do transporte da cidade é feito por bicicleta. Somos uma referência para o Brasil, mas ainda temos que avançar muito”, reforça. Para amenizar as estranhezas entre as hierarquias – leia-se entre pedestres, ciclistas, motoristas e ônibus – a secretaria municipal do Meio Ambiente faz campanhas educacionais pontuais entre os moradores e motoristas da região da ciclovia ou ciclofaixa que está para ser inaugurada. “Hoje em dia as empresas de transporte público nos procuram para ajudar no processo de reciclagem dos motoristas. Para a inauguração da nossa próxima ciclovia, que é na Ilha do Governador, as empresas de ônibus nos procuraram para ajudarmos nas aulas de reciclagem dos motoristas, que acontece a cada seis meses”, explica. “Isso é uma vitória”, comemora Altamirando. A prefeitura do Rio deve aumentar o sistema de bicicleta, o Bike Rio, de 60 pontos para 260 ainda neste ano.
João Guilherme Lacerda: Globo Ecologia (Foto: Divulgação/Ian Thomaz Puech)João Guilherme Lacerda: consultor da Transporte
Ativo (Foto: Divulgação/Ian Thomaz Puech)
O consultor da ONG carioca Transporte Ativo João Guilherme Lacerda acredita que o número de acidentes é inversamente proporcional ao número de ciclistas nas ruas. Ou seja, quanto mais ciclistas, menos acidentes vão acontecer. Isso porque as bicicletas ficam cada vez mais visíveis e, com isso, os motoristas ficam mais atentos e a convivência seria melhor e mais pacífica. “Quando a gente está na falta completa de garantias de direitos e deveres, o ciclista se sente no direito de desrespeitar as regras de trânsito”, conta. Para João Guilherme, o problema não está apenas na ignorância às leis de trânsito e de convivência, mas na falta de infraestrutura. De acordo com o consultor, é difícil aplicar a lei se a estrutura da ciclovia é precária ou as ruas estão cada vez mais estreitas e a velocidade dos carros é alta, por exemplo. Segundo ele, é preciso criar condições para que motoristas, pedestres e ciclistas convivam em harmonia, bem nos seus respectivos espaços e, principalmente, que se respeite a lei número 1 para ciclistas e pedestres que é o respeito à hierarquia: os menores têm prioridades em relação aos maiores (ou seja, pedestre tem prioridade, depois a bicicleta, em seguida as motos, depois os carros, e, por fim, os ônibus e caminhões). Para João o respeito ao próximo e a etiqueta na conduta de bicicletas vão melhorar quando os responsáveis pela organização do espaço urbano possibilitarem que cada vez mais pessoas troquem seus carros pela bicicleta: “Acredito que o convívio entre bicicletas e automóveis virá a partir do incentivo e do estímulo e não pela punição” (confira a cartilha sobre Ciclistas e o Código de Trânsito Brasileiro)

Uma das regras importantes a ser seguida é o da distância que o automóvel tem que ter da bicicleta: 1,5 metro. Outra é da velocidade. Em uma rua onde é possível andar a 50km/h ou a 60km/h, as chances de acontecer um acidente com a bicicleta são enormes. Já em regiões chamadas de Zona 30 – ou seja, onde os automóveis só podem andar a 30km/h – os acidentes são mais difíceis de acontecer. É importante que ciclistas e motoristas tenham bom senso, fiquem atentos ao trânsito e respeitem as leis de trânsito, que também são válidas para as bicicletas.

Confira algumas dicas importantes:
1. seja educado: peça licença; desculpas, se fizer algo errado; e dê prioridade ao pedestre, caso esteja na calçada. Lembre-se que você deveria estar na rua;
2. obedeça as leis de trânsito: não ande na contramão, não avance sinal vermelho, por exemplo;
3. sempre sinalize suas intenções (com as mãos, mostre que você quer virar à direita ou esquerda);
4. use roupas claras ou chamativas (o motorista ao lado vai te perceber melhor);
5. mantenha os refletores limpos;
6. evite ruas e avenidas movimentadas e ruas onde é permitido andar a mais de 30km/h;
7. mantenha-se à direita (e na mão de direção);
8. não faça ziguezague: procure pedalar mantendo uma linha reta;
9. atenção dobrada nos cruzamentos, nas esquinas ou nas saídas de estacionamentos;
10. nunca force uma situação contra um carro, moto ou ônibus;
11. não pedale muito próximo do meio fio;
12. evite usar celulares ou aparelhos de música

http://redeglobo.globo.com/globoecologia/noticia/2013/01/etiqueta-na-bicicleta-como-o-ciclista-deve-se-comportar-no-transito.html

Nenhum comentário: