quinta-feira, 29 de novembro de 2012

COM O TRÂNSITO LENTO, A SOLUÇÃO É PEDALAR

Segunda-feira, 26/11/2012

Com o IPI reduzido, o número de carros nas ruas cresce e, com eles, o trânsito piora. Por isso, moradores da cidade que trabalham próximos às suas residências passaram a utilizar as bicicletas como meio de transporte. Pelas ruas, é possível notar a presença de inúmeros ciclistas, muitos deles trajando roupas sociais. O GLOBO-Niterói Sábado conversou com alguns deles e relata, nesta edição, suas necessidades, suas reclamações e os benefícios de quem leva uma vida sobre duas rodas.

Cleverson Nunes de Castro, de 48 anos, mora em Santa Rosa e trabalha como sommelier em Icaraí. Há cinco anos, ele sai de casa de manhã, deixa o filho de bicicleta no Unilasalle-RJ e segue para o trabalho.

- Não dá para deixar meu filho de carro no colégio e depois achar uma vaga perto do restaurante. E de ônibus, levamos até 35 minutos. Hoje, economizo uma média de R$ 100 por mês, além do ganho de tempo e saúde – diz.

Para o publicitário César Marques, de 46 anos, a bicicleta é utilizada tanto para ir ao trabalho quanto para visitar os clientes.

- Moro perto do estádio do Caio Martins, em Santa Rosa, e trabalho em Icaraí. Não vou de ônibus, pois, além de demorar mais, carrego na mochila notebook, celular e máquina fotográfica, o que me deixa inseguro. Ainda uso a bicicleta para visitar os clientes – diz Marques, que também faz uma queixa. – Quando viajo, alugo as bicicletas e sou muito mais respeitado pelos americanos e europeus do que pelos motoristas niteroienses. Parece que estamos atrapalhando o trânsito! E o que é aquela ciclofaixa que fizeram na Estrada Fróes? Alguém vai acabar morrendo ali. É muito perigoso, principalmente para quem desce para Icaraí – diz.

O universitário Gabriel Lannes, de 23 anos, não tem dúvidas.

- Sou de Icaraí e estudo Direito na UFF, no Ingá. Na volta, enquanto os carros estão parados no trânsito, eu chego em dez minutos em casa. Além disso, comprei a bicicleta por R$ 150. Hoje, não preciso gastar dinheiro com passagem de ônibus nem com gasolina todo mês. Acabaria saindo mais caro do que o valor pago pela bicicleta – conclui.
Usuários relatam benefícios físicos e mentais

Aos 36 anos, Elisângela Paludo é chefe de cozinha e, já uniformizada, pega sua bicicleta para ir ao trabalho, em São Francisco, bairro onde também reside. A paisagem da região é um dos maiores atrativos para a profissional, que passou a ficar mais disposta no trabalho após a escolha.

- Quando eu saio de férias e fico sem ir ao trabalho de bicicleta, o meu corpo muda completamente e minha cabeça parece que fica menos ativa. Antes, quando eu ia de ônibus, dava sono no caminho. Agora, já chego a mil por hora – diz.

Enquanto a equipe de reportagem do GLOBO-Niterói Sábado conversava com a chefe de cozinha na ciclofaixa, um carro invadiu o espaço para cortar caminho e quase atropelou a equipe.

- Vocês presenciaram agora um problema recorrente. Eles não estão nem aí. Mesmo na ciclofaixa, ficamos expostos. Dia de semana, com trânsito, é como se a ciclofaixa não existisse para os motoristas. Tirando isso, só temos a ganhar pedalando – considera.

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