quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Ciclista quer chegar ao Canadá

Pagando promessa pela recuperação da saúde, ele vai pedalar 30 anos
Notícia publicada na edição de 25/02/2012 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 012 do caderno A - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.

Há 21 anos pedalando para pagar uma promessa de 30 anos pela recuperação de sua saúde, o matogrossense natural de Corumbá, Antônio Rogério do Nascimento, 35 anos, passou na última quinta-feira (dia 23) por Sorocaba a caminho de Ourinhos. A meta agora é chegar até o Canadá, mas antes que isso aconteça terá ainda muito chão pela frente. Na cidade, ele recebeu apoio de uma empresária proprietária de um auto-posto.

Antônio Rogério, também conhecido como "Neguinho do Asfalto" após ser notícia também em programas televisivos como "Fantástico" e "Mais Você", começou a promessa aos 14 anos de idade, por agradecimento a Deus por ter sobrevivido, tendo em vista que nasceu sem um rim, sem um pulmão, problema coronário, tendo ainda ficado cego e paralítico por problemas no parto, o que inclusive provocou a morte de sua mãe. Duas irmãs, também com deficiências físicas, morreram aos 14 e 27 anos em acidente de caminhão. Da família só restam uma tia e avó paternas.

Recuperado por meio de doações de órgãos, implante de um marca-passo e muita fisioterapia aliada à força de vontade para recuperar os movimentos das pernas, Antonio Rogério iniciou sua "odisseia" pela Bolívia, e desde então já passou, respectivamente, pela Venezuela, Equador, Peru, Colômbia, Chile, Uruguai, Argentina, Guiana Francesa, México, Moçambique e Angola. Do Brasil, o único Estado que foi menos visitado pelo ciclista é São Paulo.

Após 185 mil quilômetros percorridos sobre duas rodas, - a meta é chegar a 300 mil quilômetros - "Neguinho do Asfalto" explica que escolheu esse tipo de promessa por também ter vontade de conhecer a vida como ela é, e de toda essa trajetória, guarda boas e más recordações. As boas ficam por conta dos apoios recebidos por onde passa, enquanto as lembranças negativas ficam por conta do preconceito que enfrenta pela sua opção de vida. A mais triste delas foi vivenciada na Argentina, onde lhe amarraram as mãos e os pés, e o forçaram a beber óleo de motor, além de o terem chamado de macaco por conta de ser negro. Já no Brasil, mais precisamente na cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte, foi esfaqueado durante um assalto e precisou ficar internado por três meses.

Ao chegar de São Paulo no começo da tarde de ontem, ele parou no auto-posto Shell Luana, próximo à ponte de Pinheiros, chamando a atenção da proprietária Carla Kawamoto, que com o marido também pedala nas horas vagas. Ela resolveu ajudá-lo com alimentação, que segundo ele é sempre à base de arroz e carne, o que também, de acordo com ele, lhe garante a manutenção dos seus 53 quilos. Até mesmo policiais militares que estavam na conveniência do auto-posto colaboraram na aquisição de recursos financeiros para o ciclista, que também costuma ganhar as vestimentas apropriadas para o esporte.

Antônio Rogério, que em 7 de setembro deste ano (data do seu aniversário) deverá ter lançado um livro com suas histórias, como uma espécie de diário, disse que escrever sobre todos esses anos é o que deseja fazer quando finalizar a promessa. Mas até que isso aconteça, ele continuará a trajetória que na prática pesa 90 quilos, entre o peso da bicicleta e dos compartimentos onde transporta roupas e uma barraca.

Ele seguiu viagem para Ourinhos, de onde pretende alcançar os estados do Paraná, Santa Catarina e depois Rio Grande do Sul.

http://www.cruzeirodosul.inf.br/acessarmateria.jsf?id=367731

0 comentários: