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Da Reportagem
Soltar pipa, andar de bicicleta e correr pelas ruas está virando coisa do passado. Hoje muitas crianças e jovens passam mais tempo na frente do computador do que com os amiguinhos e até mesmo com a família. Mas o entretenimento virtual não é coisa apenas dos mais jovens – e nem é uma atividade tão inofensiva quanto parece.
Cientistas chineses publicaram uma pesquisa mostrando o efeito devastador no cérebro das pessoas que não conseguem ficar sem a internet e seus apetrechos, como por exemplo, os games. Segundo o grupo de pesquisadores, a dependência causada pela exposição excessiva à internet pode ser comparada ao alcoolismo e à dependência química de drogas.
De acordo com o estudo, entre 5% e 10% dos internautas podem ser considerados “viciados”, ou seja, pessoas que desenvolveram uma dependência pela rede e tem suas outras atividades afetadas por ela.
O proprietário de uma lan house em Várzea Grande, Emerson Borges de Oliveira, diz que montou o comércio há seis anos e que, de fato, existem pessoas que são viciadas em jogos, em salas de papo e em redes sociais. “Tem gente que fica sete horas seguidas por aqui”.
O Estatuto da Criança e do Adolescente e a Portaria 06/97 proíbem a permanência de menores de 14 anos em locais onde se disponibilizam máquinas eletrônicas, desacompanhados ou sem autorização. A multa para o comerciante que desrespeitar a determinação judicial pode chegar a R$ 10 mil.
Emerson conta que sua empresa já foi autuada e que crianças e adolescentes que desejam participar dos jogos sempre procuram a casa. “Os menores de idade não podem jogar. Não aceitamos que utilizem as máquinas daqui para esses fins”, afirma. Apesar de reconhecer que é possível desenvolver dependência pelos jogos, o rapaz diz que não acredita que o vício possa ser comparado com as drogas, já que quem usa as substâncias ilícitas perderia o controle sobre si, o que, segundo ele, não ocorreria com os games.
Mas não é o que mostram os fatos. Chris Staniforth, um rapaz de 20 anos que morava na cidade de Sheffield, Inglaterra, não tinha qualquer problema de saúde e morreu de um coágulo de sangue após passar 12 horas em casa jogando em seu Xbox. Rebecca Colleen Christie, de 28 anos, do Novo México, Estados Unidos, foi condenada a 25 anos de prisão por ter deixado sua filha de três anos morrer de fome enquanto ela estava na internet. A mulher passou 24 horas num jogo online chamado World of Warcraft.
Fagner Proença tem 20 anos, é casado e trabalha durante a noite. Ele é proprietário de uma lanchonete em Cuiabá. O rapaz conta que joga há cinco anos o mesmo jogo, que tem como objetivo matar uns monstros e conquistar poderes sobrenaturais.
Apesar de atualmente ele dizer que tem certo controle sobre a vontade de jogar, Fagner admite que já passou momentos difíceis. Ele conta que chegou a reprovar na escola e que passava mais de 12 horas seguidas na frente do computador. Sentia-se agoniado quando precisava ficar um tempo sem jogar, como quando ia à academia para se exercitar. “Eu não tinha vontade de fazer nada, só pensava em jogar. Parei tudo, os estudos, a academia, a vida em si. Não comia, não bebia, só ficava jogando”, relembra Fagner.
Quando começou a namorar a moça com a qual hoje é casado, ele conta que tiveram muitos problemas na relação por conta do vício em jogos online. “Ela queria que eu parasse com meus jogos, mas não cedi e ela acabou aceitando. Mas hoje já reduzi bastante e entendo que pode ser um vício”

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