A União Ciclista Internacional (UCI) condenou na sexta-feira a publicação de informação relativa ao depoimento do espanhol Alberto Contador no Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) sobre o caso do seu controlo antidoping positivo por clembuterol. O organismo que tutela o ciclismo mundial assegurou que nenhum dos seus representantes esteve envolvido na fuga de informação, “que é incompatível com o normal decorrer dos procedimentos judiciais”. A UCI confirmou que vai continuar a respeitar a “confidencialidade” e os “direitos legais” de todas as partes e reiterou confiança na integridade e na independência do TAS e dos membros do seu painel.
“O caso de Alberto Contador está agora nas mãos do painel de jurados do TAS. A UCI pede à comunidade desportiva para aguardar o resultado da deliberação com serenidade e respeito”, pode ler-se no comunicado publicado no sítio oficial do organismo. Contador foi suspenso preventivamente, após um controlo que detectou uma quantidade ínfima daquela substância durante o segundo dia de descanso da Volta a França de 2010, mas a Real Federação Espanhola de Ciclismo (RFEC) foi sensível à argumentação da defesa, que alegou contaminação alimentar, e absolveu-o, levando a União Ciclista Internacional (UCI) e a Agência Mundial Antidopagem (AMA) a recorrer para o TAS.
O tribunal, presidido pelo advogado israelita Efraim Barack e auxiliado pelo suíço Quentin Byrne-Sutton e pelo alemão Ulrich Haas, tem em mãos um dossier com cerca de quatro mil páginas. A decisão final é aguardada no início deste ano. Se o ciclista espanhol da Saxo Bank for sancionado, perde a vitória do Tour de 2010 para o luxemburguês Andy Schleck, segundo classificado.
Contador é testemunha
no “caso” sobre doping
O ciclista Alberto Contador vai ser solicitado a declarar como testemunha no julgamento da “Operação Puerto”, uma investigação sobre doping organizado no desporto espanhol, iniciada em 2006 e ainda a aguardar desfecho. A informação foi avançada à agência espanhola EFE por fontes judiciais, que especificaram que várias das partes intervenientes no processo vão propor como testemunha no julgamento o espanhol, tricampeão do Tour. As mesmas fontes esclareceram que o juiz de instrução número três de Madrid, Antonio Serrano, responsável pela reabertura do processo, já recebeu os argumentos da acusação, que vão agora ser analisados antes do estabelecimento definitivo de uma data para o início dos depoimentos.
Entre as testemunhas está, além de Contador, o duplo campeão do Giro, o italiano Ivan Basso, que cumpriu dois anos de suspensão pelo seu envolvimento na “Operação Puerto”. Do lado da acusação, de que fazem parte a União Ciclista Internacional (UCI), a Agência Mundial Antidopagem (AMA) e o Comité Olímpico Italiano (CONI), são chamados todos os ciclistas que fizeram parte da extinta equipa Liberty, além do italiano Michele Scarponi, segundo na geral do Giro 2011. A “Operação Puerto” aconteceu em Maio de 2006, mas só em Novembro de 2011 o juiz de instrução encarregado do processo decidiu levar a julgamento sete pessoas, incluindo o médico Eufemiano Fuentes e três ex-directores desportivos de equipas de ciclismo.
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