A lacuna de regras e normas pode ser compensada com campanhas de orientação e uma preocupação maior de todos os envolvidos direta ou indiretamente com o assunto
Notícia publicada na edição de 09/01/2012 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 3 do caderno A - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.
Um tombo de bicicleta tirou a vida de Richard Felipe, de 12 anos, e feriu gravemente o garupeiro Cleiton, da mesma idade, na tarde de sexta-feira, na avenida Itavuvu (zona norte de Sorocaba). Apesar da presença constante de bicicletas nas ruas e ciclovias, esse tipo de acidente com vítima é pouco comum em Sorocaba, e menos comum, ainda, por não envolver (até onde se sabe) a participação de um veículo automotor. Segundo apurou a reportagem, o estudante Richardsofreu traumatismo cranioencefálico e parada cardíaca depois de perder o controle da bicicleta e bater no solo("Acidente - Menino morre em queda de bicicleta", 8/1, pág. A6).
A tragédia que atingiu os meninos veio demonstrar que o risco associado à condução de bicicletas é real e não deve ser desprezado. Até mesmo tombos "pequenos" podem produzir ferimentos graves e, dependendo das partes do corpo atingidas, levar à morte de condutores e garupeiros.
Bicicletas são veículos que dependem de alguns fatores para rodar com segurança, e não é difícil ocorrer de derrapagens, perdas de equilíbrio, buracos ou outros obstáculos na pista, além de falhas nos freios e pneus estourados, lançarem o ciclista ao solo. Por algum motivo, porém, tombos de bicicleta tendem a ser vistos como algo sem maiores consequências - um erro de avaliação que se reflete na (des)regulamentação do uso desses veículos em vias públicas.
O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) limita-se a prescrever meia dúzia de normas para a condução de bicicletas. Embora as classifique como veículos, não fixa idade mínima ou qualquer forma de habilitação para quem se dispõe a usá-las em vias públicas. Tem-se, assim, uma brecha legal para que crianças e adolescentes (ou adultos que não conhecem as normas de trânsito) ingressem no sistema viário e, na ausência de ciclovias e ciclofaixas, compartilhem o asfalto com os veículos automotores.
A liberalidade com que os ciclistas são tratados pela legislação contrasta com as exigências feitas aos motociclistas. O capacete é dispensado, mesmo sabendo-se que bicicletas podem atingir velocidades consideráveis e que impactos a baixa velocidade podem causar ferimentos graves na cabeça.
Essa lacuna de regras e normas pode ser compensada com campanhas de orientação e uma preocupação maior de todos os envolvidos direta ou indiretamente com o assunto, como fabricantes e revendedores, professores e diretores de escola, pais e familiares, sem esquecer do poder público, que incentiva fortemente a adoção da bicicleta como meio de transporte.
Sorocaba avançou muito com a criação de ciclovias e ciclofaixas nas principais avenidas. Isso, entretanto, não elimina totalmente o perigo, até porque as ciclovias não chegam a todas as regiões e nem sempre são interligadas, obrigando o ciclista a ingressar várias vezes nas vias ao longo de certos trajetos. Para uma cidade que aposta na bicicleta como opção saudável de lazer e transporte, é urgente investir na educação dos ciclistas. As ciclovias devem ser aproveitadas como espaços educadores, para conscientizar sobre a importância do uso de capacete e regras básicas de segurança. E, a exemplo das blitze para orientar motoristas e motociclistas, campanhas voltadas para os ciclistas podem ser realizadas em pontos de grande movimento.
Mais que proibições e imposições, este é um tema que pode e deve ser trabalhado com orientação, tendo em vista a adoção de um comportamento defensivo pelos ciclistas e a conscientização de que quedas, mesmo a baixa velocidade, podem ter graves consequências.
A tragédia que atingiu os meninos veio demonstrar que o risco associado à condução de bicicletas é real e não deve ser desprezado. Até mesmo tombos "pequenos" podem produzir ferimentos graves e, dependendo das partes do corpo atingidas, levar à morte de condutores e garupeiros.
Bicicletas são veículos que dependem de alguns fatores para rodar com segurança, e não é difícil ocorrer de derrapagens, perdas de equilíbrio, buracos ou outros obstáculos na pista, além de falhas nos freios e pneus estourados, lançarem o ciclista ao solo. Por algum motivo, porém, tombos de bicicleta tendem a ser vistos como algo sem maiores consequências - um erro de avaliação que se reflete na (des)regulamentação do uso desses veículos em vias públicas.
O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) limita-se a prescrever meia dúzia de normas para a condução de bicicletas. Embora as classifique como veículos, não fixa idade mínima ou qualquer forma de habilitação para quem se dispõe a usá-las em vias públicas. Tem-se, assim, uma brecha legal para que crianças e adolescentes (ou adultos que não conhecem as normas de trânsito) ingressem no sistema viário e, na ausência de ciclovias e ciclofaixas, compartilhem o asfalto com os veículos automotores.
A liberalidade com que os ciclistas são tratados pela legislação contrasta com as exigências feitas aos motociclistas. O capacete é dispensado, mesmo sabendo-se que bicicletas podem atingir velocidades consideráveis e que impactos a baixa velocidade podem causar ferimentos graves na cabeça.
Essa lacuna de regras e normas pode ser compensada com campanhas de orientação e uma preocupação maior de todos os envolvidos direta ou indiretamente com o assunto, como fabricantes e revendedores, professores e diretores de escola, pais e familiares, sem esquecer do poder público, que incentiva fortemente a adoção da bicicleta como meio de transporte.
Sorocaba avançou muito com a criação de ciclovias e ciclofaixas nas principais avenidas. Isso, entretanto, não elimina totalmente o perigo, até porque as ciclovias não chegam a todas as regiões e nem sempre são interligadas, obrigando o ciclista a ingressar várias vezes nas vias ao longo de certos trajetos. Para uma cidade que aposta na bicicleta como opção saudável de lazer e transporte, é urgente investir na educação dos ciclistas. As ciclovias devem ser aproveitadas como espaços educadores, para conscientizar sobre a importância do uso de capacete e regras básicas de segurança. E, a exemplo das blitze para orientar motoristas e motociclistas, campanhas voltadas para os ciclistas podem ser realizadas em pontos de grande movimento.
Mais que proibições e imposições, este é um tema que pode e deve ser trabalhado com orientação, tendo em vista a adoção de um comportamento defensivo pelos ciclistas e a conscientização de que quedas, mesmo a baixa velocidade, podem ter graves consequências.
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